Encíclica “Rico Em Misericórdia” – Um inestimável legado do “Papa da misericórdia”

Rico em misericórdia

Pe. Jonas Eduardo

O Apóstolo Pedro e os seus sucessores receberam de Cristo a importante missão de confirmar os irmãos na fé (cf. Lc 22,32). São chamados a testemunhar o Evangelho com a sua vida e o seu ensinamento, iluminando os mais variados contextos históricos e sociais com os princípios provenientes da revelação divina, da tradição cristã e também com os inscritos na criação. Ao longo dos séculos foram cumprindo esta tarefa de maneiras diversas (constituições, bulas, breves, decretos, cartas, alocuções), e a partir da era moderna (séc. XVIII) o Espírito Santo suscitou nos Papas o desejo de nos falar através de longas Cartas circulares destinadas aos bispos, aos fieis e a todas as pessoas de boa vontade, que abordam temáticas de fé e moral – as Encíclicas.

Rico em misericórdia
Livro de São João Paulo II

Sem dúvida, um dos Papas que mais marcou a história da Igreja – e do mundo – foi São João Paulo II (1978-2005). Seu longo pontificado está recheado de feitos (inúmeras viagens, multidões reunidas, centenas de beatificações etc.), dentre os quais se deve destacar o valioso legado dos seus documentos doutrinários e pastorais. Deixou-nos 14 Encíclicas, 45 Cartas apostólicas, 15 Exortações apostólicas, 11 Constituições apostólicas, e assim por diante.

Já no 3º ano do seu pontificado, surpreendeu o mundo ao publicar, no dia 30 de novembro de 1980, a Encíclica “Díves in misericórdia”(Rico em misericórdia), expressão tirada de Efésios 2,4. O que torna este longo documento – de 105 números – relevante é o fato de que o tema da misericórdia divina não foi secundário no papado do Papa polonês, mas sim o principal fio condutor de todo o seu pensamento e ação, de modo que é chamado por alguns (Kosicki; D’Ornellas) de “Papa da Misericórdia”.

Como nasceu a Encíclica da misericórdia, publicada no 1º domingo do Advento daquele ano? Não resta dúvida de que Santa Faustina Kowalska (+1938), sua conterrânea (em cujo túmulo várias vezes havia rezado), inspirou o Papa a assumir a misericórdia divina como linha-mestra do seu Pontificado – além de sua experiência concreta de vida, marcada pelas vicissitudes da perseguição comunista e da guerra, bem como os seus conhecimentos teológicos e filosóficos, incluindo um vivo interesse pelo amor humano, desde os tempos de professor. Anos depois da publicação deste documento, visitando uma paróquia de Roma (13.03.1994), afirmou:

 

“Rico em misericórdia. Foi para mim uma palavra chave desde o início do meu

Pontificado, do meu Ministério aqui em Roma. Esta inspiração foi levada

à minha pátria, a Cracóvia, através de uma Irmã simples que se chamava Faustina…

É uma grande mística, uma das maiores da história da Igreja…

Vindo deste ambiente trouxe aqui uma inspiração,

quase um dever: tu não podes não escrever sobre a misericórdia.

Assim nasceu a segunda Encíclica do Pontificado. Deus rico em misericórdia”.

 

São Pedro bendiz ao Pai pela sua “grande misericórdia” ao nos dar a vida nova pela Páscoa de Cristo (1Pd 1,3; cf. 2,3), o que nos deve levar a proclamar a sua excelência ao mundo (cf. 2,9s). Acolhamos o que o Espírito diz à Igreja por meio dos seus sucessores e sejamos testemunhas do amor misericordioso do Senhor!

O Diário de Santa Faustina

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