7 exemplos inspiradores de pais na Bíblia

Conheça esses homens que amaram seus filhos e lhes transmitiram a fé a ponto de Deus ser nomeado como “o Deus de nossos pais”.


A mensagem da Bíblia tem muito a ver com a paternidade. Poderia até mesmo ser resumida na simples experiência de que Deus é nosso Pai, é um Pai que ama, acompanha, cuida e sustenta os seus filhos e chega até a dar a vida por eles. Além disso, permeiam as páginas bíblicas numerosos exemplos de pais que amaram seus filhos e lhes transmitiram a fé no único Deus – a ponto de Javé ser conhecido como “o Deus de nossos pais”.

Além de patriarcas como Abraão, Isaac e Jacó, a Bíblia conta a história de outros pais que têm um pouco menos de destaque, mas são igualmente inspiradores.

Saiba mais sobre alguns deles:

Mardoqueu

“Ester e Mardoqueu”, por Aert de Gelder. Imagem: Commons

Mardoqueu era um judeu cujo bisavô tinha vivido no exílio da Babilônia. Ele adotou Ester, que era sua prima, quando ela ficou órfã. Quando a jovem se tornou rainha, Mardoqueu se tornou membro da corte e conselheiro do rei Assuero. Foi ele quem denunciou a Ester e a Assuero um plano de dois guardas para matar o rei. Além disso, Mardoqueu resistiu corajosamente a Hamã, um príncipe que tramava contra os judeus e procurava fazer a cabeça de Assuero para matá-los. Fazendo penitência, Mardoqueu denunciou Hamã a Ester, suscitando a sua intercessão junto ao rei – que desencadeou uma reviravolta incrível na história narrada pelo Livro de Ester. Mardoqueu conseguiu agir pela vida do seu povo e de sua filha e, por isso, recebeu todas as honras.

Oseias

“Oseias”, por Aleijadinho. Imagem: Commons

Oseias não apenas casou-se e teve filhos como uma ocupação paralela à de profeta, mas a sua profecia estava completamente entrelaçada com a sua família. Segundo o livro bíblico que leva o seu nome, foi Deus mesmo quem lhe ordenou que se casasse com uma prostituta, para fazer do seu casamento um sinal do amor de Deus por seu povo: um amor incondicional, que permanece firme mesmo diante da nossa infidelidade. Sua esposa chamava-se Gomer e seus filhos Jezrael, Lo-Ruhama e Lo-Ami – cada nome indicava uma mensagem que culminou, na profecia de Oseias, em uma etapa fundamental da revelação de Deus como misericórdia.

José

“O sonho de São José”, por Anton Raphael Mengs. Imagem: Commons

José, o esposo de Maria e pai adotivo de Jesus, muito provavelmente não teve filhos biológicos. Apesar disso, alguns estudiosos dizem que ao conhecer Maria ele era viúvo e tinha cinco filhos. Seja como for, não é por esses possíveis filhos que José é lembrado, mas por ter sido aquele a quem o próprio Jesus chamou de pai. José amava verdadeiramente Maria, chegando a ter a delicadeza de preferir fugir – e consequentemente ser rotulado como culpado – a denunciá-la, quando soube que ela estava grávida. Segundo o Evangelho de Mateus, porém, Deus mostrou a José em sonhos o que desejava dele e o carpinteiro assumiu o cuidado de Maria e de Jesus. Apenas imaginar as cenas da relação paterna que José tinha com Jesus em sua infância é de enternecer o coração.

Zebedeu

“O chamado dos filhos de Zebedeu”, por Marco Basaiti. Zebedeu está à direita, de vermelho. Imagem: Commons

Zebedeu era um pescador de Betsaida que, provavelmente, tinha algum sucesso. Sabemos muito pouco sobre ele, mas esse pouco diz muito. Ele era casado com Salomé, uma das mulheres que acompanhou Jesus durante a sua paixão e crucificação. E mais: era pai de dois apóstolos, Tiago e João, que junto a Simão Pedro formavam o trio principal entre os apóstolos, testemunhas de cenas como a transfiguração e a agonia de Jesus no Jardim das Oliveiras.

Jairo

Jairo era um chefe de sinagoga que tinha uma filha única, de 12 anos de idade. Vendo a filha moribunda e ouvindo falar de Jesus, ele o procurou, se ajoelhou diante dele e lhe suplicou um milagre. Jesus se dirigiu à casa de Jairo, mas durante o caminho vieram enviados da casa informando que a menina já tinha morrido. Jesus então disse a Jairo: “Não temas. Crê somente”. Com Jairo e sua esposa, Jesus se aproximou do leito da sua filha, tomou a mão dela e disse: “Menina, levanta-te!” Na mesma hora, a filha de Jairo reviveu. O episódio é narrado em Mateus 9, Marcos 5 e Lucas 8. Jairo é tido como um exemplo de fé e confiança em Jesus.

Simão de Cirene

“Cristo carregando a cruz”, por Ticiano. O cireneu aparece ajudando Jesus. Imagem: Commons.

Como Zebedeu, trata-se de outro personagem sobre o qual sabemos muito pouco. As poucas linhas que o Novo Testamento traz a respeito de Simão, porém, são muito significativas. Ele era de Cirene, uma cidade na costa da atual Líbia, e tinha pelo menos dois filhos, Alexandre e Rufo. O fato é que, no meio do caminho de Jesus até o Calvário, Simão foi escolhido pelos guardas para ajudá-lo a carregar a cruz, já que o nazareno estava extenuado e talvez sequer aguentaria até a crucificação. Não sabemos como o cireneu reagiu a essa oportunidade única, cuja importância estava velada – para ele, talvez, tenha sido apenas um episódio desgostoso, em que foi forçado a ajudar um condenado ensanguentado. Porém, o fato de o Evangelho de Marcos citar o nome de seus filhos sugere que eles eram conhecidos das comunidades cristãs e que, provavelmente, Simão acabou conhecendo o Evangelho, descobrindo que havia compartilhado a cruz com o Cristo – e transmitiu essa herança preciosa aos seus filhos.

Filipe

“O batismo do eunuco”, por Rembrandt. Imagem: Commons

Além do Filipe apóstolo, há um outro Filipe no Novo Testamento. Trata-se de um personagem frequente nos Atos dos Apóstolos que aparece pela primeira vez no capítulo 6, como um dos sete primeiros diáconos, os escolhidos para se dedicar ao cuidado dos pobres em nome da Igreja. Depois, no capítulo 8, o vemos como pregador na Samaria, onde também realizou milagres. Logo depois, a Bíblia narra como ele pregou o Evangelho a um eunuco, ministro da rainha da Etiópia, e o batizou. Por fim, no capítulo 21, vemos Paulo e seu grupo se hospedando em sua casa, em Cesareia. Ali, ficamos sabendo que Filipe é pai: Lucas se refere a suas quatro filhas, virgens consagradas e profetas.

Fonte: Sempre Família | Felipe Sérgio Koller