Do que falam as revelações de Nossa Senhora de Fátima?

Você sabe o que as revelações de Fátima nos falam? Seguramente a maioria das pessoas responderia: falam do abandonar-se ao Imaculado Coração de Maria, da consagração da Rússia, da oração diária do santo terço; porém há algo mais importante: a Eucaristia.

As primeiras revelações de Fátima são aquelas nas quais o Anjo prepara as crianças para a chegada de Maria. Dois anos antes das revelações, o Anjo ensina as crianças a intercederem e a repararem pelos pecadores, diante do Santíssimo Sacramento, precisamente.

No Outono de 1916, as crianças estavam em adoração, rezando o terço e repetindo a jaculatória que o Anjo lhes havia ensinado na sua primeira aparição: “Meu Deus! Eu creio, adoro, espero e amo-vos. Peço-Vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não vos amam”, quando apareceu o Anjo pela terceira vez trazendo na mão esquerda um cálice e sobre ele uma Hóstia, da qual caíam, dentro do cálice algumas gotas de sangue.

Assim narra Lúcia em suas memorias: “Deixando o cálice e a Hóstia suspensos no ar, prostrou-se em terra junto de nós e repetiu três vezes a oração: ‘Santíssima Trindade, Pai, Filho, Espírito Santo: adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da Terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E, pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores. ’

Depois, levantando-se, tomou de novo na mão o cálice e a Hóstia e deu-me a Hóstia a mim e o que continha o cálice deu-o a beber à Jacinta e ao Francisco, dizendo, ao mesmo tempo: ‘Tomai e bebei o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos. Reparai os seus crimes e consolai o vosso Deus.’ De novo se prostrou em terra e repetiu conosco mais três vezes a mesma oração: Santíssima Trindade… etc.. E desapareceu. Levados pela força do sobrenatural que nos envolvia, imitávamos o Anjo em tudo, isto é, prostrando-nos como Ele e repetindo as orações que Ele dizia. A força da presença de Deus era tão intensa que nos absorvia e aniquilava quase por completo. Parecia privar-nos até do uso dos sentidos corporais por um grande espaço de tempo. Nesses dias, fazíamos as ações materiais como que levados por esse mesmo ser sobrenatural que a isso nos impelia. A paz e felicidade que sentíamos era grande, mas só íntima, completamente concentrada a alma em Deus.”

Santíssima Trindade… O que oferecemos nesta oração? A Eucaristia! E no Terço da Divina Misericórdia? Também a Eucaristia!

Vemos, pois, como o Espírito Santo, através do Anjo, preparou as crianças de um jeito perfeito para receberem ao Rei da Glória, e para se abrirem à Sua Ação, convertendo-os assim em almas reparadoras.

Desse modo, Jesus mesmo fez tudo o que as suas almas precisavam para se abrir de forma plena à presença de Maria, Nossa Mãe, que sempre vem com o Espírito Santo nos formar do jeito do Seu Filho.

A muito curta vida dos Pastorinhos nos mostra o caminho das almas reparadoras. Mostra também a atualidade da mensagem de Fátima. Sua urgência! Sua atualidade, neste ano em que celebramos os 100 anos das aparições.

Que eles peçam no céu por nós ao bom Deus, um grande amor a Jesus escondido na Santíssima Eucaristia.

Então em nós aparecerá o desejo de imitar Maria, as Suas virtudes… pouco a pouco se nos abrirá a possibilidade de acolher o convite essencial, o de participar mais e mais do Sacrifiço do Altar, para fazer da própria vida uma oferenda agradável ao Pai.