Importância da espiritualidade Mariana no ambiente familiar

© Julian KUMAR / GODONG
Antes de pegar no Terço, é preciso primeiro aprender a pegar na mão e somente assim, terás sentido, dentro da tua casa a oração

Acredito que toda espécie de espiritualidade cristã, nos tempos que estamos enfrentando, seria um grande remédio para famílias que buscam e nem sempre acham respostas para conviver bem dentro da própria casa.

Mas o que é essa “tal de espiritualidade”?

Espiritualidade é o movimento do Espírito Santo que acontece na vida daqueles que permitem, que deixam, este movimento acontecer. É verdade que este movimento é provocado, desenvolvido e percebido de forma especial na oração. No entanto, não é somente na oração que acontece a espiritualidade, ela precisa acontecer também na vida: em nossas escolhas, no jeito como vivemos e como nos relacionamos com as pessoas.

O movimento da espiritualidade provoca, ou deveria provocar uma reação e essa reação precisa ser percebida em nossas vidas. Enquanto Padre e também como Psicoterapeuta, eu acredito que a espiritualidade da oração deveria ser encontrada em nosso jeito de falar, saber ouvir, andar, fechar a porta do carro, da geladeira… No sorriso e no olhar. Ambos podem transmitir tanta espiritualidade, podem mostrar o resultado da oração, podem mostrar o rosto do próprio Jesus! Encontramos espiritualidade naquele que não fala dos outros, naquele que sabe apagar a luz, naquele que pensa no outro e deixa a mesa arrumada, o espaço limpinho para o que vai chegar e quem sabe chegar cansado.

É claro que a espiritualidade está na oração, na Adoração, na Santa Missa, no perdão, na Confissão, no Terço, na Novena, mas também se encontra no aperto de mão, na visita que se faz com o coração, no lazer, no descanso, na caridade, na verdadeira alegria, no abraço, no amor, no silêncio, no capricho, nas atitudes de Misericórdia. A espiritualidade está em tudo aquilo que faz com que a gente se pareça com Jesus e com sua Mãe querida nesta Terra.

Jesus nasceu em uma família, cresceu junto com Maria e José. Tenho certeza que eles rezavam muito. Entretanto, acredito, que na Família de Nazaré também havia espaço para o sorriso, o trabalho, o capricho, as conversas sérias e divertidas. Eu consigo imaginar Jesus, Maria e José sorrindo e isso é tão legal! E você consegue? Existia amizade, carinho, oração, diálogo, intimidade entre eles. Talvez seja por isso também que receberam o maravilhoso título de Sagrada Família.

Família! A nossa família também pode ser “sagrada”, precisa ser, merece ser. E para que isso aconteça é urgente, nos dias de hoje, ter um tempo, um espaço para alimentar a Espiritualidade, de forma especial, a Espiritualidade Mariana, pois é simples e poderosa.

Em quase todas as aparições, Nossa Senhora pediu para rezar o Terço. No passado, nossos avós venceram muitas dificuldades com o Terço na mão. Quem sabe hoje também conseguiremos vencer se tivermos a coragem de segurar o Terço, olhar nos olhos e segurar a mão.

São muitas as coisas que tentam roubar o tempinho precioso para que as famílias fiquem juntinhas. A Espiritualidade do Terço pode nos ajudar a crescer na fé, na confiança e a desenvolver na alma e no coração as características que nossas famílias necessitam para serem “sagradas”, para serem famílias de verdade, “Casas de Nazaré”, lugares onde prevaleça o carinho, respeito, intimidade, oração, compromisso, paz, determinação e o amor… Isso não significa que seremos perfeitos ou que viveremos sem problemas. Significa que juntos poderemos superar e vencer qualquer situação.

Eis uma dica final:

Conheço muitas famílias que decidiram se reunir uma vez por semana, uma vez por mês, para rezarem o Terço de Nossa Senhora, sempre na casa de um dos membros da família. Muitos terminam a oração com um momento de confraternização, de conversa, abraços, perdão, alegria… Já alcançaram muitas graças com este estilo de oração que eu considero divino!

Padre Sandro Souza, MIC
Vigário do Santuário da Divina Misericórdia