Leitura Orante: Este é o meu filho amado. Escutai o que ele diz

A Leitura Orante com a palavra de Deus tem levado muitas pessoas a um encontro pessoal com Jesus Cristo. Refletiremos sobre a Transfiguração do Senhor, festa que será celebrada neste domingo dia 05 de agosto.

Siga os passos que se segue:

. Localize a passagem Bíblica do Evangelho de São Marcos 9,2-10.

∙ Jesus gostava de lugares silenciosos e isolados para rezar, faça o mesmo, procurando se afastar de toda distração.

∙ Coloque-se em uma postura confortável, acalme-se, respire fundo.

∙ Peça a presença do Espírito Santo para aquecer o seu coração e dar sensibilidade para os mistérios divinos.

 

1 – Leitura (Lectio)

Em “um lugar à parte”, leia o texto sugerido do Evangelho de São Marcos 9,2-10. Releia procurando imaginar os detalhes do acontecimento narrado.

Jesus leva Pedro, Tiago e João a um lugar solitário e se transfigura diante deles. Seu corpo ficou luminoso, suas vestes ficaram brancas e resplandecentes. Desejou, nosso Senhor Jesus Cristo, revelar-se aos discípulos como o enviado do Pai, o verdadeiro Filho de Deus.

A transfiguração é uma experiência durante a vida terrena de Jesus: “naqueles instantes os limites entre o céu e a terra desaparecem por um momento para Jesus.” [1] Prova disso é o dialogo de Jesus com Elias e Moisés, que já estavam na eternidade. Conversam com Jesus, assim como estavam acostumados a conversar com Deus. Jesus, para nós cristãos, é o Filho de Deus. Deste modo, estão dialogando com o Filho de Deus. Com certeza, seria um privilégio para nós fazer parte deste diálogo, ou até mesmo saber qual era o assunto sobre o que conversavam.

Pedro estava extasiado pela visão, tomado de temor propõe a Jesus: “Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. Nisto surge uma nuvem que os encobre com sua sombra e se faz ouvir uma voz que diz: “Este é o meu filho amado. Escutai o que ele diz!” A visão desaparece, eles permanecem com Jesus que lhes pede para não contarem a ninguém o que tinham vivido com Ele. Conta-lhes do que iria sofrer passando pela paixão, morte e ressurreição.

2 – Ruminação (Ruminatio)

Todo o corpo de Jesus transpareceu a luz que dentro Dele estava. Você conhece a imagem de Jesus Misericordioso? Podemos encontrar algumas semelhanças na Imagem com a passagem bíblica que estamos rezando: como “roupas brilhantes e branquíssimas”, “luz que emana de Jesus”. A reação de Pedro, Tiago e João foram as mesmas de Santa Faustina Kowalska em 22 de fevereiro de 1931 ao ver Jesus Misericordioso. Nele a Irmã fixou seu olhar silencioso e extasiado, a alma, de início, espantada com temor, porém com grande felicidade.

No Evangelho vemos que uma “sombra” envolveu Pedro, Tiago e João. Certa vez, disse Jesus à Santa Faustina “estes raios defendem as almas da ira do meu Pai. Feliz aquele que viver à sua sombra, porque não será atingido pelo braço da justiça de Deus.”[2]

No Evangelho Jesus fala de sua ressurreição e eles não entendem muito bem, na Imagem do quadro de Jesus Misericordioso ele se apresenta como ressuscitado, Jesus é Deus conosco, a manifestação da ternura e da misericórdia do Pai entre os homens.

Pedro propõe a Jesus fazer três tendas, na Imagem de Jesus Misericordioso e embaixo de seus raios encontramos a tenda da misericórdia, que acolhe os piores pecadores.

 

3 – Oração (Oratio)

Lembra-se do desejo de participar da conversa de Jesus com Elias e Moises? Pois bem, agora é nossa vez de conversar com Jesus apresentando tudo aquilo que desejamos.

4 – Contemplação (Contemplatio)

Jesus transfigura nossos sofrimentos em consolação. A transfiguração permite vivermos configurados a Cristo, semelhantes a Ele. Nossos ouvidos escutam sua voz, nossos olhos contemplam sua glória, nosso coração se enche de sua paz e nossa boca proclama “Mestre, é bom ficarmos aqui!”

 

Nota de rodapé
[1] CULLMANN, O., Cristologia do Novo Testamento, p. 372.
[2] Diário de Santa Faustina n. 299.


Escrito por Diác. Ir. Gabriel Maria Mãe da Misericórdia, FGMC, do Mosteiro da Divina Misericórdia, para a Revista Divina Misericórdia – Edição 61.