A Misericórdia Divina na revelação aos Reis Magos

Alguns meses após o Nascimento de Jesus Cristo, vieram do Oriente os magos, a quem a tradição chamava de reis, para Lhe prestar a devida homenagem e oferecer-Lhe ouro, incenso e mirra.

O chamado dos magos ocorreu sem nenhum mérito da parte deles, mas unicamente em razão da infinita misericórdia divina. Através do contato dos judeus com os povos vizinhos, especialmente durante a escravidão na Babilônia e na Assíria, os sábios desses lugares familiarizavam-se com a Sagrada Escritura e com as profecias nela contidas a respeito da estrela de Jacó: “Uma estrela sai de Jacó, um cetro se levanta de Israel” (Nm 24,17).

Vocação

Pode-se supor que esses magos tivessem recebido alguma revelação especial a respeito da estrela que anunciava o Nascimento do Rei dos judeus, de maneira que consideravam como uma obrigação seguir essa estrela, a fim de prestar homenagem ao recém-nascido há muito tempo anunciado.

Essa era a vocação dos reis magos, a que eles responderam, apesar das dificuldades e dos sacrifícios da viagem. Tiveram de deixar o seu país natal e, por estímulos unicamente religiosos, empreender uma viagem longa e perigosa, naqueles tempos, sem a certeza de poderem ainda rever o seu país.

Presentes

Após a chegada a Belém, não se decepcionaram ao ver a pobreza de seu Rei, mas com profunda fé se prostraram e O adoraram, apresentando-Lhe como oferenda sua inteligência e seu coração, junto com os presentes: ouro, incenso e mirra.

Significados

Os presentes por eles oferecidos possuem um significado simbólico: pelo ouro eles reconhecem em Jesus Cristo o Rei, pelo incenso – o Deus, e pela mirra – o homem; reconhecem, portanto, o Seu Reino divino, sacerdotal e humano, Reino que Ele não recebeu como resultado de uma aquisição, ou como fruto de um acordo, nem tampouco conseguiu pela força, mas do qual tomou posse por força da Sua natureza e origem.

Jesus reina desde o primeiro instante da Sua Concepção, ainda como Menino congrega os Seus súditos e estende a Sua autoridade ao mundo material e espiritual, tanto aos reis e súditos quanto aos judeus e pagãos.

Apóstolos

Por terem os magos respondido ao misericordioso chamado, Deus os recompensou generosamente, consolando-os durante a viagem com a visão da estimada estrela, que os conduziu a Jesus Cristo, protegendo-os contra o cruel Herodes, que podia ter ordenado a sua morte: “Avisados em sonho para não voltarem a Herodes, retornaram para a sua terra, passando por outro caminho” (Mt 2,12). Os magos obtiveram ainda outra recompensa: segundo a tradição, tornaram-se apóstolos de Cristo em sua terra, e um deles, ou talvez todos, morreram como mártires, oferecendo a vida pelo Senhor, tornaram-se santos guias dos pagãos convertidos e alcançaram memória imortal na Igreja.


A catedral de Colônia, na Alemanha, preserva com respeito as suas relíquias, que atraem, de todas as partes, multidões de peregrinos.

Texto adaptado do livro A Misericórdia de Deus em suas Obras, Cap. 16 – Editora Apostolado da Divina Misericórdia, Curitiba-PR.