Misericórdia e a Imaculada Conceição

imaculada_conceicaoNeste Ano, fomos chamados a fixar o olhar na misericórdia, com uma intensidade renovada, para manifestar em nossas vidas a Misericórdia do Pai[1]. É significativo que o Ano Santo tenha iniciado no dia da Imaculada Conceição, já que Maria Santíssima é aquela que, “de modo particular e excepcional, como ninguém mais, experimentou a misericórdia e, ao mesmo tempo e ainda de modo excepcional, tornou possível com o sacrifício do seu coração, a própria participação no mistério da Redenção[2].

Em Maria, manifesta-se de forma singular a imensurável Obra Divina de Misericórdia, que quis devolver ao homem, por meio do Filho Unigênito, encarnado, morto e ressuscitado[3], a vida e a liberdade, perdidas com o pecado. Enquanto nós nascemos com o pecado original, Maria foi preservada de toda mancha de pecado desde a sua concepção[4].

Este grande privilégio de Maria vem inteiramente de Cristo[5], a Misericórdia Encarnada[6], e demonstra a elevada ação do Senhor Nela. De fato, o ato redentor de Jesus se aplica a toda a humanidade, mas em Maria atua de forma especial. O Santíssimo Redentor vem curar a humanidade da doença do pecado, mas, no caso da Virgem Imaculada, ele cura prevenindo-a do pecado, e desse modo salva-a singularmente.

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Pio IX, na bula Ineffabilis Deus, pela qual proclama o dogma da Imaculada Conceição, seguindo a linha do Beato Duns Escoto, afirma que “a Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus, em previsão dos méritos do Redentor Cristo Jesus, nunca esteve sujeita ao Pecado Original, e, por isso, foi remida de maneira mais sublime[7].imaculada_conceicao

Desse modo, Maria experimentou a misericórdia de forma única, ao receber esse grande privilégio de ser redimida antes mesmo de nascer. Ela pôde esmagar a cabeça da serpente, e em nenhum momento foi esmagada por ela. Dionísio Cartuxo afirma que: “É horroroso para nós dizer que essa mulher, que iria esmagar a cabeça da serpente, tenha sido alguma vez esmagada por ela”[8].

Desse grande privilégio de Maria Santíssima decorre outro também grandioso: a sua gloriosa Assunção. Pio XII, na definição do dogma da Assunção proclamou com grande solenidade: “a imaculada Mãe de Deus, a sempre virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial”[9]. Mas o que isto tem a ver com a Imaculada Conceição?

Ora, o dogma da Assunção de Maria aos céus está intimamente ligado ao dogma da Imaculada Conceição. Isso se explica da seguinte forma: Jesus, por meio de sua morte e Ressurreição, venceu o pecado e a morte. Todo aquele que é batizado participa desta vitória e, se morrer em estado de graça será salvo, irá para o Purgatório e depois para o Céu ou irá diretamente para o Céu, se não tiver penas temporais para expiar. No último dia também irá gozar da alegria da Ressurreição no Céu.

Maria venceu o pecado desde sua concepção, ela já está Ressuscitada no Céu, com o seu corpo glorioso[10]. Deste modo, a Misericórdia de Deus se manifestou nela de maneira ainda mais perfeita. Ela foi a primeira redimida e foi também, depois de Jesus, a primeira a Ressuscitar.

Entreguemo-nos totalmente a Maria, para que Ela nos purifique com suas mãos Imaculadas e nos faça contemplar o rosto Misericordioso de Deus, nos transformando em sinais do agir do Pai. Assim, teremos a certeza de experimentar verdadeiramente a misericórdia, para depois apresentá-la ao mundo.

Ir. Gino da Imaculada Conceição, SDM

 

[1] Cf. FRANCISCO. Misericordiae vultus. São Paulo: Paulinas, 2015, p. 4.
[2] JOÃO PAULO II. Carta encíclica Dives in misericordia. 1980, São Paulo: Paulinas, 2009, p. 50, n. 9.
[3] Cf. BENTO XVI. Angelus de 8/12/2011.
[4] Cf. PIO IX. Ineffabilis Deus. 1854, n. 41.
[5] Cf. CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. Petrópolis: Vozes; São Paulo: Paulinas, Loyola, Ave-Maria, 1993, p. 138, n. 492.
[6] Cf. JOÃO PAULO II. Op. Cit., n. 2.
[7] PIO IX. Op. Cit., n. 17.
[8] DIONÍSIO CARTUXO, Apud: BOFF, Clodovis. Dogmas marianos: Síntese catequético pastoral. São Paulo: Ave-Maria, 2010, p. 35.
[9] PIO XII. Munificentissimus Deus. 01/11/1950, n. 44.
[10] PIO XII. Op. Cit., n. 5.

 

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