Memória de São João Paulo II: Apóstolo Da Divina Misericórdia


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Celebramos a Festa de São João Paulo II dia 22 de outubro

Hoje é difícil falar da Misericórdia sem citar os nomes de Santa Faustina Kowalska e de São João Paulo II. Santa Faustina é conhecida como a secretária da misericórdia (Cf. Diário, 1605). O Papa Bento XVI chamou São João Paulo II de “Apóstolo da Divina Misericórdia”. Neste artigo tentaremos entender a razão de dar-lhe este título.

 

João Paulo II e Santa Faustina

O primeiro encontro de Karol Wojtyla (futuro Papa João Paulo II) com a mensagem da Misericórdia foi por obra da Providência Divina e se deu através da veneração do quadro de Jesus Misericordioso. Todos os dias, antes ou depois do trabalho, ele passava na capela do convento onde vivia Irmã Faustina, e onde se encontrava o quadro de Jesus Misericordioso. Naquele tempo ele ainda não podia imaginar que Deus o estava preparando para realizar uma grande missão na Igreja.

“Quando, durante a guerra, trabalhava como operário na fábrica Solvay, que ficava perto do monastério de Łagiewniki, me recordo de ter parado muitas vezes junto ao túmulo de Irmã Faustina”, relatou João Paulo II quando fez a consagração do Santuário da Divina Misericórdia da Polônia.

Karol Wojtyla já tinha ouvido falar da Irmã Faustina e das mensagens que ela recebia de Jesus, mas o seu interesse cresceu quando um amigo de seminário, Andrej Deskur, lhe explicou melhor o conteúdo das mensagens.

Quando era Cardeal, Karol Wojtyla teve um papel fundamental para a divulgação da devoção à Divina Misericórdia, por dois os motivos:

– Em 1959 o Santo Ofício havia proibido a difusão do culto da Divina Misericórdia. Isto aconteceu devido às más traduções das mensagens do polonês para o italiano. Então, o Cardeal Wojtyla providenciou um estudo sobre as mensagens de Jesus a Faustina, e enviou os resultados ao Vaticano. Desta maneira, obteve a permissão para a realização do culto da Divina Misericórdia.

– Também foi o Cardeal Wojtyla quem tomou as providências necessárias para iniciar o processo de beatificação da Irmã Faustina. O que ele não imaginava é que caberia a ele a graça de beatificá-la, no ano de 1993, e de canonizá-la, no Jubileu do ano 2000 – na celebração do Segundo Domingo de Páscoa. Nesta mesma celebração o Papa instituiu este domingo como o Domingo da Divina Misericórdia.

 

Na homilia, João Paulo II disse: “A canonização da Irmã Faustina tem uma eloquência particular: mediante este ato quero hoje transmitir esta mensagem (da Divina Misericórdia) ao novo milênio. Transmito-a a todos os homens para que aprendam a conhecer sempre melhor o verdadeiro rosto de Deus e o genuíno rosto dos irmãos”.

Ensinamentos

São muitos os documentos nos quais João Paulo II fala sobre a Misericórdia, mas destacamos especialmente a Encíclica Dives in Misericordia, escrita em 1980. Nesta Encíclica o Papa demonstra que Deus, Nosso Pai, é rico em Misericórdia, e afirma que Jesus revelou para nós o rosto misericordioso de Deus.

Papa João Paulo II afirma, também, que “a Igreja deve considerar como um dos seus principais deveres proclamar e introduzir na vida o mistério da misericórdia, revelado no mais alto grau em Jesus Cristo” (n. 14).

 

Espiritualidade da Misericórdia

João Paulo II falou muito sobre a Misericórdia, mas, principalmente,  colocou em prática seus ensinamentos. Podemos compreender a espiritualidade de João Paulo II em cinco pontos fundamentais (Rev. George W. Kosicki, CSB):

1) Rezar: nas suas palavras, “a Igreja tem o direito e o dever de apelar ‘com grande clamor’ para o Deus da misericórdia. Este ‘grande clamor’, elevado até Deus para implorar a sua misericórdia há de caracterizar a Igreja do nosso tempo”. E quando visitou o Santuário da Divina Misericórdia, na Polônia, disse: “Rezo incessantemente a Deus para que tenha ‘misericórdia de nós e do mundo inteiro’”.

2) Perdoar: a 13 de maio de 1981 João Paulo II foi vítima de um atentado. Um jovem turco, chamado Alì Agca, atirou no Papa, que ficou gravemente ferido. Ele considera que foi Nossa Senhora de Fátima que o livrou da morte naquele dia, como disse aos Bispos italianos em 1994: “Foi uma mão materna que guiou a trajetória da bala”.

O que ninguém esperava é que o Papa, no domingo após o atentado, estando ainda hospitalizado, enviasse uma mensagem aos fiéis que estavam reunidos na Praça de São Pedro, dizendo que já perdoara o homem que tentou matá-lo. Eis um trecho da mensagem:

“Caríssimos Irmãos e Irmãs: Sei que nestes dias, e de modo especial nesta hora do Regina Caeli estais unidos a mim. Agradeço-vos comovido as vossas orações e abençoo-vos a todos. Rezo pelo irmão que me feriu, a quem perdoei sinceramente”.

Além de perdoar, o Papa disse que rezava por Alì Agca. Somente quem experimentou verdadeiramente a Misericórdia de Deus é capaz de um ato como este. Dois anos após o atentado, João Paulo II visitou-o na prisão, e transmitiu-lhe pessoalmente o seu perdão.

3) Pedir perdão: um dos momentos mais marcantes do pontificado de João Paulo II foi a celebração do Dia do Perdão durante o Jubileu do ano 2000. O Papa, juntamente com os Cardeais, implorou a Deus o perdão para os pecados passados e presentes dos filhos da Igreja. “Repita-se sem temor: ‘Pecamos’ (Jer 3,25), mas mantendo viva a certeza de que, ‘onde abundou o pecado, superabundou a graça’ (Rm 5,20)”.

Assim, vemos se realizar na vida de São João Paulo II as palavras da oração que o próprio Jesus ensinou aos Apóstolos: “Pai Nosso que estais nos céus… perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”.

4) Servir aos pobres e doentes: a solicitude do Papa pelos pobres estão expressas nessas suas palavras: “Fazendo-Se pobre, Jesus quis identificar-Se com cada pobre. Por isso, quem ama verdadeiramente a Deus, acolhe o pobre. O acolhimento do pobre é sinal da veracidade do amor que se tem por Cristo”. E podemos notar sua preocupação com os doentes com a decisão de instituir o dia 11 de fevereiro, quando comemoramos a memória das aparições de Nossa Senhora de Lurdes, como o Dia Mundial do Enfermo.

Entre todas as visitas aos enfermos durante seu pontificado, uma foi especial. Quando Karol Wojtyla foi eleito Papa, o seu grande amigo Andrej Deskur estava hospitalizado por causa de uma grave doença. No mesmo dia da eleição o Papa foi visitá-lo no hospital e lhe disse estas palavras: “De todo o coração eu te confio à Divina Misericórdia”.

 

Morte, beatificação e canonização

João Paulo II morreu no dia 2 de abril de 2005, às 21h37, na vigília do Domingo da Divina Misericórdia. Para alguns pode ser apenas uma coincidência, mas, para nós, pessoas de fé, é um sinal da Providência Divina, que queria divulgar a mensagem da Misericórdia também através da morte do Papa.

A sua beatificação aconteceu em 11 de maio de 2011. Na homilia, o Papa Bento XVI disse: “Estamos no segundo domingo de Páscoa, que o Beato João Paulo II quis intitular Domingo da Divina Misericórdia. Por isso, se escolheu esta data para a presente celebração, porque o meu Predecessor, por um desígnio providencial, entregou o seu espírito a Deus justamente ao anoitecer da vigília de tal ocorrência”.

Após a morte de João Paulo II, o seu amigo Andrzej Deskur deu um testemunho do tempo em que ainda eram seminaristas: “Um dia algum dos colegas escreveu na porta do seu quarto: ‘Karol Wojtyla: futuro santo’. Parecia uma brincadeira, mas na verdade refletia a opinião que já tínhamos do jovem Wojtyla”.

A canonização de João Paulo II também foi realizada no Domingo da Divina Misericórdia, em 2014, confirmando que sua vida foi intimamente ligada à vivência e à divulgação do culto à Misericórdia.

Jesus disse a Faustina: “quando uma alma se aproxima de Mim com confiança, encho-a com tantas graças, que ela não pode encerrá-las todas em si mesma e as irradia para as outras almas” (Diário, 1074). Seguindo o exemplo de São João Paulo II, que possamos nos aproximar com confiança de Jesus, que é a Fonte da Misericórdia, para que possamos beber nesta fonte e sermos sinal do amor misericordioso de Deus no mundo.

Santa Faustina Kowalska e São João Paulo II não se conheceram em vida, mas Jesus quis uni-los através da devoção à Divina Misericórdia. Hoje eles estão unidos no céu, intercedendo por nós, para que a mensagem da Misericórdia una também a todos nós, e para que a humanidade, voltando-se com confiança para Jesus Misericordioso, encontre o verdadeiro caminho da paz.

 “Espere Israel pelo Senhor, pois no Senhor se encontra toda graça e copiosa redenção” (Sl 129,7).

 



Padre Eli Carlos Alves de Sousa, MIC – Para a Revista Divina Misericórdia – Edição 62.

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