Para Sônia Pinheiro Ferreira, de Rondonópolis (MT), o Diário de Santa Faustina não é simplesmente um livro para ser lido do início ao fim. Ele se tornou companhia, direção espiritual e, sobretudo, um caminho concreto para levar a mensagem da Divina Misericórdia a outras pessoas.
Tudo começou em sua própria vida familiar. Diante das situações que exigiam amor, perdão, diálogo e paciência, Sônia procurava recorrer à Palavra de Deus para encontrar uma direção e conduzir as conversas à luz da fé.
Quando adquiriu o Diário de Santa Faustina, essa caminhada ganhou um novo elemento.
“Quando comprei o Diário, comecei a viver a mensagem e não só ler. Comecei a fazer dele um caminho a seguir, uma rota, uma direção espiritual”, conta.
Um Diário para ser vivido
A relação de Sônia com o Diário tem uma característica especial: ela mesma conta que nunca fez uma leitura completa e sequencial da obra.
Em vez disso, foi conhecendo suas páginas conforme as circunstâncias da própria vida.
“Eu nunca li o livro todo. Eu sempre fui vivendo o Diário. Lia uma mensagem aqui, outra lá, e o Senhor ia me mostrando o caminho a seguir.”
Em determinados momentos, conta Sônia, um número ou uma passagem do Diário vinha ao seu coração como uma indicação para continuar sua caminhada sem desanimar. Assim, a obra de Santa Faustina deixou de ser apenas uma leitura devocional e passou a acompanhá-la em situações muito concretas.
Quando a dor do outro encontra uma palavra de esperança
Uma dessas experiências aconteceu com sua irmã. Ao perceber as dores e preocupações que ela enfrentava, Sônia começou a falar sobre o Diário e sobre a força, a esperança e a compreensão que encontrava em suas páginas.
Durante uma conversa, recordou algumas palavras da obra e as compartilhou com a irmã. Segundo Sônia, aquela mensagem ajudou a acalmar seu coração.
Meses depois, porém, as mesmas preocupações voltaram. Dessa vez, Sônia decidiu levar o livro e mostrar pessoalmente algumas passagens que poderiam ajudá-la.
Foi então que surgiu um pensamento: por que não dar a ela seu próprio exemplar?
Sônia queria que a irmã pudesse fazer a mesma experiência que ela fazia: não apenas ler o Diário, mas procurar transformar sua mensagem em vida.
Da própria família para outras pessoas
A irmã não foi a única.
A própria filha de Sônia também ganhou da mãe um exemplar do Diário de Santa Faustina. Aos poucos, presentear com o livro tornou-se uma maneira muito particular de Sônia compartilhar aquilo que havia encontrado para sua própria caminhada espiritual.
Depois vieram amigas, conhecidos e outras pessoas que encontrava pelo caminho. Sempre que percebia alguém necessitado de esperança, consolo ou de uma aproximação maior com Deus, surgia o desejo de entregar um exemplar.
Sônia começou, então, a anotar nomes.
Alguns eram de amigas que desejava presentear. Outros surgiam de situações cotidianas. Até mesmo a escolha de um presente para amigo oculto tornou-se oportunidade para colocar o Diário nas mãos de alguém.
A lista foi crescendo.
“Minha filha, propague a Minha Misericórdia”
Foi nesse processo que Sônia percebeu, interiormente, um chamado que daria um novo significado àquilo que já vinha fazendo:
“Minha filha, propague a Minha Misericórdia.”
Ela conta que sua primeira reação foi perguntar a Deus como poderia fazer isso. E, em oração, compreendeu que a resposta estava justamente no gesto que já realizava: doar exemplares do Diário de Santa Faustina.
“Entendi que era desse jeito mesmo que eu já estava fazendo. Doando um Diário. Então comecei a comprar mais livros.”
Desde então, Sônia continua adquirindo exemplares e entregando-os conforme sente em seu coração que determinada pessoa deve recebê-los.
E há um detalhe especial nesse gesto: ela costuma escrever uma dedicatória em cada exemplar, transformando a entrega em algo ainda mais pessoal. Não se trata apenas de oferecer um livro, mas de desejar que aquela pessoa também encontre em suas páginas um caminho de aproximação com Deus e de confiança em Sua Misericórdia.
Todo diário que Sônia entrega, vai acompanhado de carinho e cuidado em uma dedicatória
A Misericórdia começa nos pequenos gestos
A história de Sônia mostra que evangelizar nem sempre começa com grandes projetos. No caso dela, começou dentro de casa: na decisão de amar, perdoar, dialogar e procurar conduzir as situações segundo a Palavra de Deus.
Depois veio um livro.
Depois outro.
A irmã, a filha, amigas e outras pessoas passaram a receber aquilo que um dia também havia ajudado Sônia.
“Eu, no meu nada, sempre procurei fazer o que agrada a Deus”, resume.
Seu testemunho recorda uma verdade simples da espiritualidade da Divina Misericórdia: aquilo que recebemos de Deus também pode se transformar em dom para o outro.
Para Sônia Pinheiro Ferreira, esse apostolado ganhou uma forma muito concreta. Ela talvez ainda não tenha lido todas as páginas do Diário de Santa Faustina, mas escolheu fazer algo ainda mais desafiador: procurar viver aquilo que encontra nelas.
E, de Rondonópolis, no Mato Grosso, sua pequena missão continua: um Diário, uma dedicatória e uma pessoa de cada vez.



