Maria: o maior exemplo de mulher

Em homenagem à Semana da Mulher, resgatamos o maior exemplo de mulher, que, com a sua fé, pode inspirar a vida de cada leitor

O Sim de Maria parece ecoar no coração de cada jovem que tem a sua experiência com Deus. O desejo de ser mais de Deus, independente do estado de vida, solteira, casada ou celibatária, é próprio de quem encontrou o Amor, que é o próprio Deus e deseja corresponder a esse amor e transbordá-lo para o outro.

As atitudes das mulheres na Sagrada Escritura nos levam a este itinerário de encontro e decisão por Deus, tal qual Santa Terezinha, que ofertou a sua juventude a Deus, à missão, e morreu com apenas 24 anos de idade, diz em um de seus poemas, “só tenho, para amar-Te, ó meu Deus, neste mundo, o momento presente!”.

Mulheres na Sagrada Escritura

As mulheres na Sagrada Escritura pareciam experimentar da verdade de só ter o hoje e se lançavam no seguimento a Nosso Senhor Jesus Cristo. Seguimento este, que partiu e parte de uma decisão por Deus.

Marta e Maria de Betânia ao receberem Jesus em sua casa (Lc 10, 38-42) mostram duas decisões diferentes frente à visita do Cristo. Marta, preocupada com os afazeres domésticos e Maria aos pés de Jesus. Ao ser interrogado pela situação, Jesus responde que Maria havia ficado com a melhor parte. Esta passagem se faz concreta nos dias de hoje, ora somos Marta, ora Maria. Imagine, hoje em dia com vida universitária, estudos, estágio, necessidade de aprender outro idioma, cursos, vestibular, família, etc. Não sobra tempo para ficar aos pés do Mestre, aos pés de Jesus. Porém Jesus acrescenta que Maria de Bethânia escolheu (se decidiu) pela parte que não passa. É necessário, em meio a tantas atividades, retornar ao essencial, decidir-se em ficar com a melhor parte, aquela que não passa. Quanto às outras, elas virão, faz parte da nossa vida todos os afazeres. Mas, vale ficar com a melhor parte, a que não passa, pois é ela que dá sentido às outras coisas da nossa vida, as coisas que “passam”.

Maria de Betânia teve uma atitude de confiança e de reconhecimento do Senhorio de Cristo. Neste mesmo sentido, podemos nos lembrar também da mulher que derrama seu melhor perfume, que literalmente, quebra o frasco diante de Nosso Senhor, lavando os pés de Jesus com suas lágrimas e secando-o com seus cabelos. Ela foi questionada pelo desperdício com o perfume (Mt 26, 6-13). Esta cena pode encaixar-se no questionamento que escutamos hoje por parecer “exagerada” a nossa participação em pastorais, grupos de oração e retiros dentro da Igreja; tantos jovens são considerados “loucos” por servir em vários retiros, Missas, ministérios e ofertar outras coisas próprias desta fase da vida. Fazendo-nos perguntar: será que vale a pena?

Escutei esses dias um padre que falava “não só vale a pena, como vale a vida”. Basta que olhemos a vida de Nossa Senhora, por exemplo. Maria na Anunciação recebe a saudação do Anjo Gabriel que diz: Alegra-Te (Ave), Cheia de Graça. O anúncio da alegria de Maria se dá antes de tudo, aquilo que não passa, que se faz presente. É claro, que isso não a privou de dificuldades, até mesmo para o nascimento de Jesus. Uma jovem mulher, enfrentando perseguições, mudança de cidade, falta de condições para ter o próprio Filho. Contudo, valeu a vida. Nossa Senhora contempla concretamente o Alegra-Te que o anjo a anuncia, a vida eterna, vida com Deus, contempla o Céu.

O exemplo de Nossa Senhora

A vida de Maria Santíssima, como nos mostra as Escrituras pode servir de exemplo em todas as áreas da nossa vida, do nosso ser, e em particular para a mulher. A jovem Maria confiou inteiramente a Vontade de Deus, em seu Faça-se em mim a Sua Vontade. Foi exemplo de mãe, que atenta a seu filho avisa a Jesus que o vinho acabou nas Bodas de Canaã, exemplo de esposa, de cristã, ao anunciar a alegria a sua prima Isabel e não reter a Graça para si.

Maria Santíssima trouxe o louvor a Deus em todas as áreas do seu ser, em sua alma, onde guardava tudo no coração. Nas dores, aceitando a Cruz com Seu Filho, na alegria, de contemplar o agir de Deus diante sua vida “Meu espírito se alegra em Deus, Meu Salvador”. Em seu corpo, quando é Assunto ao Céu pode demonstrar o quanto a nossa vida com Deus passa pelo corpo, nossa alma, coração, não está separado do nosso corpo, é necessário ter um cuidado com o corpo, com que usamos, como cuidamos e o que fazemos com ele.

A vida de Maria foi canalizada por inteira para a Glória de Deus, desde a Anunciação até a Assunção. Assim também devemos procurar fazer da nossa vida. Todas as nossas potências, nossos dons, nosso corpo e coração devem ser para a Glória de Deus. Vale a pena, vale a vida. A alegria da jovem Maria é eterna.

Marcia Elizandra Faustino para a Revista Divina Misericórdia – Ed 59.