São Maximiliano: Mártir da Caridade

Um santo para nossos tempos: exemplar em sua vida e semelhante a Cristo no amor, até as últimas consequências.
Este é São Maximiliano Maria Kolbe, cujo dia celebramos hoje.

Nasceu em 8 de janeiro de 1894 e recebeu no batismo o nome de Raimundo Kolbe. Sua Família era de pobres operários, humildes no seu viver e fervorosos na fé e piedade. Formado com tais valores, desejou já aos 13 anos ingressar no seminário dos Frades Conventuais Franciscanos, mesmo que para isso tivesse que atravessar ilegalmente a fronteira Austro-Ungara, e de fato o fez junto de seu irmão. Sua vocação era vigorosa e firme.

Por ocasião da sua profissão solene dos votos religiosos, toma o nome de Maximiliano Maria Kolbe. Durante a formação chamava atenção sua inteligência e seriedade com as coisas de Deus, assim como a sua preocupação no que tange a evangelização dos povos.

Ainda como estudante fundou a milícia da Imaculada, que, mesmo sem dinheiro, se tornou uma tipografia que imprimia sua revista. Seu carisma com as comunicações sociais o fez chegar até o Japão e a ter programas de rádio. Seu coração ardia de desejo de converter os pagãos e hereges. Em 1918 foi ordenado em Roma, onde havia estudado.

Pouco antes disso seu pai foi preso pelos comunistas russos e enforcado em 1914. Com isso, sua mãe se recolhe no convento beneditino. Numa carta, narra ela uma experiência mística do filho: “Tremia pela emoção e com lágrimas nos olhos me disse: ‘apareceu para mim Nossa Senhora, tendo nas mãos duas coroas: uma branca e outra vermelha. Olhava-me com amor e me perguntou se as queria. A branca significava a pureza e a vermelha o martírio. Respondi que aceitava… Então, Nossa Senhora me olhou com doçura e desapareceu!´. A mudança extraordinária nele para mim atestava a verdade da coisa. Nem sempre era compreendido em cada ocasião, acenava com o rosto radiante a sua desejada morte de mártir. E eu estava pronta, como Nossa Senhora depois da profecia de Simeão”.

Talvez a graça do martírio tenha o levado até os campos de concentração. Maximiliano foi preso pela Gestapo (policia secreta nazista) em 17 de fevereiro de 1941 e levado para  Auschwitz  com mais 320 presos, onde chegou em 28 de maio do mesmo ano. Ali recebe o número 16670. Durante os 77 dias que ficou nos campos de concentração conquistou com seus carisma os companheiros de cela que com ele rezavam e cantavam. Mesmo nas situações mais adversas, Maximiliano preservava sua serenidade e simpatia.

A caridade o levou a ulima consequência de sua vida terrena. Havendo fugidos três homens. Por isso  o subcomandante Karl Fritzsch, ordenou que, em represália às fugas, outras dez pessoas fossem levadas para  morrerem de fome e sede, privados até da luz.  Estavam os prisioneiros em fila, entre eles o Padre Maximiliano e Franciszek Gajowniczek. Fritz chegou diante de Franciszek. Segundo relato do próprio Franciszek, toda reação nestas hora era punida com morte. Foi nesse momento que o Padre Maximiliano sai caminhando em direção a Fritzsch e disse com voz calma: “quero morrer no lugar deste homem”. Fritzsch perguntou: “quem é o senhor?”. Depois de 7 milhões de presos, Maximiliano foi o primeiro a ser chamado de senhor, uma vez que todos só recebiam xingamentos. Maximiliano responde: “sou um polaco sacerdote católico”. O motivo de Maximiliano ter se oferecido no lugar foi saber que o seu companheiro tinha esposa e filhos.

Kolbe é levado para o bunker da fome e por 380 horas padece. Segundo Bruno Borgowiec, oficial nazista, a cela parecia uma Igreja. Lá cantavam e rezavam todos os dias com fervor. Frei Maximiliano liderava e todos os respondiam em uníssono. Depois de duas semanas naquelas situações, sobraram apenas Padre Kolbe e mais três. Relata Borgowiec:

“Frei Maximiliano Kolbe, desnudo, esquelético como um crucifixo românico, estava ainda sentado na posição dos últimos três dias, com a cabeça levemente inclinada para a esquerda, a suavidade dum sorriso nos lábios, os braços abandonados sobre o corpo, as costas apoiadas na parede do fundo. Diante dele, três corpos desfigurados pela fome e pela sede, estendidos no chão sem sentidos, mas ainda vivos.” Assim, para “limpar” a cela, foram mortos com uma injeção letal de ácido cabólico.

Este foi um fim que aos olhos humanos parece ser castigo, mas para os cristãos é cheia de imortalidade, pois sofrendo receberão grandes bens porque Deus os provou e julgou dignos de si, aceitou-os como holocausto (cf. Sab 3, 4-7).

Por isso São maximiliano é o Mártir da Caridade: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos.” (Jo 15, 13)

“Nos sustente no nosso caminho o exemplo de São Maximiliano Kolbe, mártir da caridade. Que ele nos ensine a viver o fogo do amor por Deus e pelo próximo” (Papa Francisco).

Revista Divina Misericórdia, Ed. 55
João Marcos Esser