20º Congresso: Terceira Palestra – Irmã Glória Obzut, zsjm

20º Congresso Nacional da Divina Misericórdia

“A Misericórdia Divina no Mistério da Redenção”

 

A terceira palestra do 20º Congresso Nacional da Divina Misericórdia foi ministrada pela Irmã Glória, da Congregação das Irmãs de Jesus Misericordioso, fundada pelo bem-aventurado Padre Miguel Sopoćko, em resposta ao pedido de Jesus à Santa Faustina. Padre Miguel Sopoćko é também o autor do livro “A misericórdia de Deus em Suas obras”, que tem sido utilizado para o aprofundamento do tema do congresso deste ano: “A Misericórdia Divina no Mistério da Redenção”.

 

O Filho do Homem deve ser rejeitado

A Irmã Glória começou este momento com a leitura do Evangelho:

“Ele acrescentou: ‘É neces­sário que o Filho do Homem padeça muitas coisas, seja rejeitado pelos anciãos, pelos príncipes dos sacerdotes e pelos escribas. É neces­sário que seja levado à morte e que ressuscite ao terceiro dia’. Em seguida, dirigiu-se a todos: ‘Se alguém quer vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me’” (Lc 9,22-23).

Em seguida, ela perguntou: “Quem gosta de sofrer? Ninguém!”, e destacou: “É importante lembrar que Jesus não veio a este mundo para sofrer, mas para nos salvar”.

A palestrante afirmou: “O desejo de Deus era que Jesus nos salvasse, o sofrimento veio por consequência da missão de Jesus. A cruz foi o percurso que Ele abraçou. Mas Deus não desejou o sofrimento de Jesus”.

Jesus foi capaz de assumir a nossa salvação até as últimas consequências: a cruz.

“Então cuidemos para não pensar que Deus enviou Jesus para sofrer, porque este seria um Deus tirano e não um Deus de amor”, afirma Irmã Glória.

A confiança

“Jesus é capaz de confiar no Pai até o último momento. Ele sabia que o que acontecesse, independentemente do que fosse encontrar, o Pai estaria com Ele. Essa era a certeza. E qual é a certeza que isso traz para mim e para você, olhando o sofrimento de Jesus? Que em todos os nossos sofrimentos nós temos a presença do Pai. Esta é a maior certeza que podemos ter, por mais que você não sinta a presença de Deus”, afirmou a religiosa. 

“A Paixão de Jesus – nos recorda Irmã Glória –  se renova no altar, em cada Eucaristia. A consequência do seu amor, da salvação se dá em cada Eucaristia”.

A palestrante afirmou que o padre Miguel Sopoćko, no livro “A misericórdia de Deus em Suas obras”, vol. 2, nos ajuda a ler todo episódio do sofrimento de Jesus com a chave da confiança.

A prisão e o interrogatório de Jesus

Jesus foi preso, acusando diante do tribunal e acusado por testemunhos que se contradizem. Ele assumiu sobre si as nossas faltas.

 “Na realidade, já de antemão havia sido decidida a condenação de Jesus à morte, mas era preciso guardar as aparências da lei. Apresentaram-se então testemunhas em grande número, falsas e subornadas, mas os depoimentos delas eram conflitantes. Finalmente apresentaram-se duas testemunhas dizendo que o Salvador havia se expressado com desprezo a respeito do templo: Este homem declarou: “Posso destruir o Santuário de Deus e construí-lo de novo em três dias” (Mt 26,61). Diante dessas testemunhas Jesus não se defendeu, e permaneceu em silêncio. Então levantou-se Caifás, para que sob juramento o acusado se dispusesse a um depoimento pessoal.

Cristo Senhor não havia dito aquelas palavras sobre o santuário do templo, mas sobre o santuário do Seu corpo (cf. Jo 2,21).

Irmã Glória ressalta que os inimigos tentam encontrar nas pequenas frases de Jesus palavras para condená-Lo. Mas não conseguem encontrar.

A negação de Pedro

Foram três as principais pontos da negação de Pedro a Jesus: a falta de oração, a demasiada confiança em si mesmo e a falta de vigilância.

Essas são três coisas que devemos cuidar em nossa vida!

A falta de oração nos torna vulneráveis. A oração é a nossa armadura é o respiro da alma, é o nosso ar! Sem a oração seremos fracos.

“A falta de oração e a demasiada confiança nos faz pensar que damos conta sozinhos e negamos a Jesus”.

“Padre Sopoćko vai dizer que Pedro passou por situações que o motivaram a negar a Jesus. E nós devemos evitar as ocasiões de tentação – do que nos inclina ao pecado. Qual é a tua tentação, qual é a tua fraqueza, o teu ponto fraco? Evite, pois isso é a tua queda”, aconselha Irmã Glória.

A conversão de Pedro

Pedro se converteu pelo olhar de Jesus. Ele experimentou sua maior fraqueza: não cumpriu com seu juramento de ser fiel a Jesus. A tentação o envolveu de tal maneira que ele esqueceu do que Jesus falou. “O canto do galo é a voz da consciência de Pedro”, afirmou a palestrante, que continuo: “O canto do galo nos desperta à conversão, nos desperta ao arrependimento”

Quando Pedro se encontra com o olhar de Jesus ele chora amargamente, se arrepende do que fez, ele reconhece sua fraqueza. “Muitas vezes nós experimentamos isso na nossa vida”.

Jesus Cristo na prisão de Caifás

Mais uma vez nós vemos Jesus ser ofendido pelos guardas, que vai suportar coisas muito difíceis. E Jesus suporta isso pelos falsos profetas.

Existem muitos falsos profetas, dando falsas profecias por aí: “você vai precisar discernir a quem você quer ouvir”, afirmou a religiosa. O primeiro sinal de alerta é se esse “profeta” está ou não em comunhão com a Igreja.

A Irmã recorda que Jesus faz de si um sacrifício voluntário. “Na prisão de Caifás, Cristo Senhor fez de Si um sacrifício voluntário e muito humilhante para nos libertar da escravidão das nossas paixões e do nosso pecaminoso orgulho. A pessoa entregue ao pecado não compreende a liberdade interior”.

 

A sentença final e a condução a Pilatos

Jesus suportou uma injustiça grande, por mim e por você.

Os acusadores de Jesus não podiam matá-lo porque eram religiosos, não podiam cumprir a condenação, então precisavam levar Jesus a Pilatos.  Eles precisavam encontrar um motivo político e social para condenar Jesus e levá-Lo a morte.

Jesus foi levado a Pilatos. Acusaram-no de ter infringido a lei, fazendo contra Ele falsas acusações, de que era um revolucionário. “Achamos este homem fazendo subversão entre o nosso povo, proibindo pagar os tributos a César e afirmando ser ele mesmo o Cristo, o Rei” (Lc 23,2), diziam eles.

Como os romanos não conheciam a Jesus, acreditaram nessas acusações.

 

O terrível fim de Judas

A perda de Jesus, opina a Irmã Glória, deve ser sido uma das maiores dores de Jesus. Ao contrário de Pedro, que confiou no perdão de Jesus, Judas não confiou no perdão.

Ele percebe que as moedas que ele recebeu causaram a morte de Jesus. Ele se dá conta de que não era isso o que ele queria.

Isso nos mostra que a nossa falta de confiança nos leva a duvidar da graça de Deus.

“Nós temos confiado no perdão de Deus? A confissão é o caminho no qual nos reconciliamos com o perdão de Deus!”, encerrou Irmã Glória.