Daniel 7: quando tudo parece caos, Deus continua reinando
Daniel 7 marca uma mudança importante no Livro de Daniel. Depois de relatos conhecidos, como a fornalha ardente e a cova dos leões, o profeta apresenta uma visão repleta de imagens: ventos, um grande mar, quatro animais e poderes que surgem e desaparecem.
À primeira vista, o capítulo pode parecer difícil. Entretanto, no centro de todas essas imagens existe uma mensagem profundamente consoladora: o mal pode fazer barulho, os poderes deste mundo podem mudar, mas Deus continua reinando.
À luz da Divina Misericórdia, Daniel 7 nos convida a olhar além do caos e renovar nossa esperança naquele cujo Reino jamais passará.
Quando Daniel contempla um mundo agitado
Daniel vê quatro grandes animais surgindo do mar.
As imagens são fortes e representam reinos e poderes humanos. Eles aparecem, crescem e exercem domínio. Porém, nenhum deles permanece para sempre.
Essa visão apresenta algo que também experimentamos em nossa própria vida: muitas vezes, aquilo que é passageiro parece absoluto.
Problemas parecem não ter fim. Injustiças parecem vencer. O medo ocupa espaço demais. As notícias e acontecimentos ao nosso redor podem transmitir a impressão de que tudo está fora de controle.
Daniel também contempla um cenário de agitação.
Mas sua visão não termina no mar.
Ele levanta os olhos e contempla o céu.
Acima do caos existe um trono
Depois das imagens assustadoras, Daniel vê tronos sendo colocados e contempla o “Ancião de muitos dias”.
A cena muda completamente.
O mar agitado não é o centro da história.
Deus é.
Essa mudança de perspectiva é fundamental para nossa fé.
Quantas vezes fixamos os olhos somente naquilo que nos ameaça?
O problema cresce porque se torna a única coisa que conseguimos enxergar. Daniel 7 nos convida a olhar mais alto.
Isso não significa ignorar a realidade. A fé cristã não nos pede que finjamos que o sofrimento, a injustiça ou o medo não existem.
Ela nos recorda, porém, que essas coisas não possuem a palavra definitiva sobre nossa história.
Deus continua no trono.
“Eis que vinha com as nuvens do céu”
Então aparece uma das passagens mais importantes do capítulo:
“Eis que vinha com as nuvens do céu alguém semelhante a um Filho do Homem.” (cf. Dn 7,13)
A esse Filho do Homem são entregues domínio, glória e realeza.
Seu Reino possui uma característica diferente de todos os outros apresentados anteriormente:
ele não passa.
Os poderes humanos surgem e desaparecem.
O Reino de Deus permanece.
Mais tarde, a expressão “Filho do Homem” ocupará um lugar central nos Evangelhos e será usada pelo próprio Jesus.
Para nós, cristãos, essa passagem abre o coração para uma esperança que encontra sua plenitude em Cristo.
A Misericórdia nos ensina onde colocar a esperança
A mensagem da Divina Misericórdia também nasce em um mundo marcado por conflitos, medo e sofrimento.
Santa Faustina viveu em uma época profundamente inquieta. Ainda assim, Jesus a conduziu a uma confiança que não dependia da tranquilidade das circunstâncias.
Essa confiança pode ser resumida em poucas palavras:
Jesus, eu confio em Vós!
Confiar não significa acreditar que nunca enfrentaremos dificuldades.
Significa saber em quem colocamos nossa esperança quando elas chegam.
Daniel 7 nos recorda que nenhum poder terreno é eterno. Nenhuma situação permanece para sempre. Nenhum mal consegue ocupar o lugar que pertence somente a Deus.
A Misericórdia nos ajuda a viver essa verdade sem desespero.
Quando não entendemos tudo
Ao final da visão, Daniel fica perturbado.
Isso também é significativo.
Ele recebeu uma revelação de Deus, mas não saiu dali compreendendo todos os detalhes com facilidade.
Há momentos em nossa caminhada em que acontece algo semelhante.
Rezamos e ainda temos perguntas.
Confiamos e ainda sentimos medo.
Acreditamos em Deus e, mesmo assim, não conseguimos entender por que determinadas coisas acontecem.
A fé não exige que tenhamos todas as respostas.
Ela nos convida a permanecer com Deus mesmo quando ainda existem perguntas.
Daniel não precisava compreender cada detalhe para saber que, acima de tudo aquilo que havia contemplado, Deus permanecia soberano.
O mal não terá a última palavra
Talvez essa seja uma das maiores mensagens de esperança de Daniel 7.
O mal possui limites.
Os reinos passam.
Os poderes caem.
As circunstâncias mudam.
Mas o Reino de Deus permanece.
Essa verdade também ilumina nossa compreensão da Misericórdia.
Quando olhamos somente para nossos pecados, fracassos ou dificuldades, podemos acreditar que nossa história terminou ali.
A Misericórdia nos obriga a olhar além.
Deus ainda pode agir.
Deus ainda pode restaurar.
Deus ainda pode transformar.
Enquanto Deus estiver presente, sempre existe espaço para esperança.
Levantar os olhos em meio ao caos
Daniel 7 nos deixa um convite muito concreto.
Quando tudo parecer confuso, não olhe apenas para o mar agitado.
Levante os olhos.
Quando o medo disser que determinada situação nunca mudará, recorde que somente o Reino de Deus é eterno.
Quando as circunstâncias parecerem maiores que sua fé, volte-se novamente para Jesus.
Talvez não tenhamos todas as respostas hoje.
Daniel também não teve.
Mas temos uma certeza suficiente para continuar caminhando:
Deus continua reinando, sua Misericórdia não passa e o mal nunca terá a última palavra.
Por isso, mesmo diante das incertezas, podemos continuar dizendo:

