Pentecostes, a novidade do Espírito Santo

Celebramos a Festa de Pentecostes, uma Solenidade do calendário litúrgico. Esta é a Festa, por excelência, da Igreja, pois “… o Pentecostes foi o batismo da Igreja”, como nos diz o padre Cantalamessa, pregador dos Papas João Paulo II, Bento XVI e Francisco (Cf. O Mistério de Pentecostes, Santuário, 2001, p. 46). Foi em Pentecostes que a Igreja fez a sua “estréia” para o mundo (ela já havia nascido na cruz). “E o que está no trono disse: ‘Eis que faço nova todas as coisas’” (Ap 21,5).

Jesus veio a este mundo para fazer a obra da Redenção do ser humano. Para tanto, Ele precisava aperfeiçoar (não abolir) a lei antiga (Cf. Mt 5,17).  Ora, Pentecostes já era uma festa do povo judeu, desde séculos antes de Jesus. Primeiramente, era a festa das semanas ou da colheita:

 “Depois, no fim do ano, virá a festa da Colheita, ao recolheres o fruto dos teus trabalhos no campo. (Ex. 23,16). “No dia das primícias, quando oferecerdes a Javé uma oblação de messe nova, na festa das Semanas, fareis uma reunião sagrada: não executareis nenhuma espécie de trabalho” (Nm 28,26)

Depois de Jesus, os judeus fizeram uma nova interpretação desta Festa, associando-a com a Lei dada por Deus a Moisés, no Sinai.

Ainda que estes sentidos judaicos tenham o seu valor, a Igreja vê nas passagens do Antigo Testamento uma preparação para o que seria o verdadeiro Pentecostes, ou seja, a vinda do Espírito Santo sobre os discípulos de Jesus, dando-lhes força para viverem e anunciarem o Evangelho (Cf. Atos 2,1ss).

Com Pentecostes, Deus inaugurou um novo tempo no mundo, um tempo onde a Sua Lei maior – o amor – é dada aos homens, para que estes O conheçam:

“Eis que dias virão – oráculo de Javé – quando concluirei com a Casa de Israel e de Judá uma nova aliança: não à guisa da aliança que concluí com os seus pais (…) eu imprimirei minha Lei dentro deles, e no seu coração a escreverei; então, eu serei seus Deus e eles serão meu povo (…) pois perdoarei sua culpa e do seu pecado já não me lembrarei” (Jer 31,31ss)

 

A Igreja, novo povo da nova aliança

A novidade do Espírito Santo, dada em Pentecostes, age dentro da Igreja, chamada a ser a comunidade dos discípulos de Cristo, com características muito próprias:

– uma vez que ela recebe uma lei nova, aperfeiçoada em relação à lei do Antigo Testamento, essa Igreja deve praticá-la: “Eu vos dou um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros. Assim como eu vos tenho amado vós deveis também amar uns aos outros. É pelo fato de vos amardes uns aos outros que todos conhecerão que sois meus discípulos” (Jo 14,34s).

– diferente do Antigo Testamento, onde o Espírito era concedido para algumas pessoas em particular (sacerdote, profeta, rei) em vista de uma missão, agora o Espírito, pelo batismo, é dado a todos: “A estas palavras, sentiram o coração despedaçado e disseram a Pedro e aos demais apóstolos: “Irmãos, que devemos fazer?”Pedro lhes respondeu: “Convertei-vos e cada um peça o batismo em nome de Jesus Cristo, para conseguir perdão dos pecados. Assim, recebereis o dom do Espírito Santo” (At 2,37s).

– essa Igreja, animada pelo Espírito, não deve ser a comunidade de apenas uma raça, mas deve chegar a todos, levando-os a serem discípulos de Jesus: “Ide, então, fazei de todos os povos discípulos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardarem tudo o que vos mandei. Eis que vou ficar convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28, 19s).

– esta Igreja, ao contrário de Babel, em que cada um falava sua língua, deve ser unida, falando a mesma linguagem, o que se dá sob a direção dos sucessores dos Apóstolos, nossos bispos.

– deve ser também uma Igreja profética, onde a Palavra anunciada com destemor, a exemplo do que fazia o seu Mestre, leve à denúncia do pecado e acolhida do pecador (Cf. Lc 4,14ss).

Como membros da Igreja, que precisam ser sempre renovados, façamos como Santa Faustina, vivendo em obediência ao Espírito: “…roguei muito ao Espírito Santo, que se digne conceder-me a Sua luz e tomar-me sob a Sua especial direção” (Diário, 1174).

Pe. Silvio Roberto, MIC

O Diário de Santa Faustina

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