14º dia: Orar para se tornar misericórdia

Estamos chegando ao fim do nosso retiro 15 dias de oração com Santa Faustina. Neste 14º dia refletimos sobre a transformação em misericórdia, que nos molda a sermos pessoas melhores e a ter um coração mais sensível às causas humanas.

Nossas meditações são apoiadas nos escritos do Diário de Faustina Kowalska.

Que Deus abençoe você que perseverou rezando conosco e buscando um aprofundamento na espiritualidade da misericórdia.

 

Trecho do Diário

Desejo transformar-me toda em Vossa misericórdia e ser um vivo reflexo Vosso, ó meu   Senhor! Que a Vossa misericórdia, que é insondável e de todos os atributos de Deus o mais sublime, se derrame através do meu coração e da minha alma sobre o próximo.

Ajudai-me, Senhor, para que os meus olhos sejam misericordiosos, de modo que eu jamais suspeite nem julgue as pessoas pela aparência externa, mas perceba a beleza interior dos outros e possa ajudá-los.

Ajudai-me, Senhor, para que os meus ouvidos sejam misericordiosos, de modo que eu esteja atenta às necessidades dos meus irmãos e não me permitais permanecer indiferente diante de suas dores e lágrimas.

Ajudai-me, Senhor, para que a minha língua seja misericordiosa, de modo que eu nunca fale mal dos meus irmãos; que eu tenha para cada um deles uma palavra de conforto e de perdão.

Ajudai-me, Senhor, para que as minhas mãos sejam misericordiosas e transbordantes de boas obras e não se cansem jamais de fazer o bem aos outros, enquanto aceite para mim as tarefas mais difíceis e penosas.

Ajudai-me, Senhor, para que sejam misericordiosos também os meus pés, para que levem sem descanso ajuda aos meus irmãos, vencendo a fadiga e o cansaço; o meu repouso esteja no serviço ao próximo.

Ajudai-me, Senhor, para que o meu coração seja misericordioso e se torne sensível a todos os sofrimentos do próximo; ninguém receba uma recusa do meu coração. Que eu conviva sinceramente mesmo com aqueles que abusam de minha bondade. Quanto a mim, me encerro no Coração misericordiosíssimo de Jesus, silenciando aos outros o quanto tenha que sofrer.

Vós mesmo mandais que eu me exercite em três graus da misericórdia; primeiro: Ato de misericórdia — de qualquer gênero que seja; segundo: Palavra de misericórdia — se não puder com a ação, então com a palavra; terceiro: Oração. Se não puder demonstrar a misericórdia com a ação nem com a palavra, sempre a posso com a oração. A minha oração pode atingir até onde não posso estar fisicamente. Ó meu Jesus, transformai-me em Vós, porque Vós tudo podeis.

 

(Diário, 163)

O que aprendemos com Santa Faustina

A oração de Santa Faustina é amimada por um grande desejo. Ela quer ser inteiramente transformada na misericórdia de Jesus, num reflexo vivo, imagem e semelhança da insondável misericórdia. Ela quer que sua vida se torne transparência do Amor, nas relações cotidianas com os próximos e os distantes.

Para a Irmã, é todo o ser, a pessoa inteira, o corpo, os sentidos, o emocional, mental e espiritual que devem ser trabalhados nesta transformação de misericórdia.

Em primeiro lugar, os olhos. Eles devem ser uma janela aberta para o mistério da ternura de Deus. Podemos começar desenvolvendo a capacidade de ver o bem no outro, antes de ver o mal. Ver a beleza, para justamente ter vontade de contribuir para edificar o bem que está no outro. Esta é uma obra de discernimento sobre si, para poder ir em ajuda do outro. A misericórdia evita suspeitas. Ela nunca se fundamenta na exterioridade.

Depois, os ouvidos são chamados a se tornar misericordiosos. São chamados a desenvolver a capacidade de escuta do outro, de percepção de suas verdadeiras necessidades, para ir em ajuda dele e aliviá-lo. Trata-se de auscultar o seu coração.

Em seguida é a vez da língua, da palavra, se mostrar edificante. O misericordioso tende a construir na personalidade do outro, bem como em redor dele, e não a destruir. “Ele não quebrará o caniço rachado, não apagará a mecha que ainda fumega” (Is 42,3).

As mãos, a ação, não poderiam faltam neste compromisso e nesta oração. Somos chamados a fazer o bem, um bem no qual erraríamos em procurar a complacência, visto que a misericórdia é para compartilhar, para leva o fardo com o outro.

Os pés fazem a melhor parte da ação. É sobretudo a disponibilidade ao serviço que devemos nos atentar. Para tornar-se misericordioso, é preciso lembrar que servir é uma felicidade, que há mais alegria em dar do que em receber, que somos chamados a ir para o outro.

A misericórdia é questão de coração. A misericórdia nos molda um coração mais sensível às causas humanas. Ela anima apesar de tudo e contra tudo. Torna-se mediadora, enriquece sempre. Mas é preciso acolher, abrir-se ao dom. Essa transformação em misericórdia ocorre graças Àquele que tudo pode. “Senhor, faz com que a Tua misericórdia repouse em mim”.

 

Minha oração:E tu, Faustina, dom de Deus ao nosso tempo, dádiva da terra da Polônia à Igreja inteira, obtém-nos a graça de perceber a profundidade da misericórdia divina, ajuda-nos a torná-la experiência viva e a testemunhá-la aos irmãos! A tua mensagem de luz e de esperança se difunda no mundo inteiro, leve à conversão os pecadores, amenize as rivalidades e os ódios, abra os homens e as nações à prática da fraternidade. Hoje, ao fixarmos contigo o olhar no rosto de Cristo ressuscitado, fazemos nossa a tua súplica de confiante abandono e dizemos com firme esperança: ‘Jesus, eu confio em Vós!’. (João Paulo II, homilia de canonização de Santa Faustina, 30 de abril de 2000).

 

 

Fonte: Patrice Chocholski, Editora Paulinas.