20º Congresso: Quinta Palestra – Padre Eli Carlos A. de Souza, MIC

  

20º Congresso Nacional da Divina Misericórdia

“A Misericórdia Divina no Mistério da Redenção”

O Padre Eli Carlos A. de Souza, MIC, vigário do Santuário da Divina Misericórdia, conduziu a quinta palestra do 20º Congresso Nacional da Divina Misericórdia, que teve como tema: “A Cruz e o Calvário”.

Em seus escritos, o Padre Miguel Sopocko afirma que a cruz devia ser o altar do holocausto, no qual o Filho de Deus ofereceria ao Pai Celestial o sacrifício de adoração, de reparação, de ação de graças e de súplica.

Por isso, apesar dos sofrimentos que O esperavam na cruz, o Salvador não hesitou em aceitá-la, mas, com alegria abraçou aquele lenho sagrado como sinal da vontade do Pai e da graça para nós.

Em sua formação, o Padre Eli destacou que Jesus abraçou a Sua cruz com todo o amor do seu coração. Foi tratado como um criminoso e usado como uma espécie de exemplo para o povo, “como se os governantes quisessem dizer: Vejam o seu sofrimento carregando a cruz, não sigam o seu exemplo, se não vocês terão o mesmo destino que ele, a condenação. Mas os planos de Deus eram outros”.

A cruz era pesada, e por todas as agressões que vinha sofrendo desde que foi preso, Jesus cai três vezes.

De acordo com as informações do Padre Miguel Sopocko, o Padre Eli explicou que a primeira queda de Cristo é devido aos pecados mortais da humanidade que pesavam sobre Jesus.

“Pecados mortais são aqueles cometidos conscientemente, que demonstram todo desprezo do ser humano por Deus”, esclareceu.

Sobre a segunda queda de Cristo, o Padre Miguel fala dos pecados veniais – que não são graves como os mortais, mas são perigosos.

“São perigosos principalmente quando realizados de forma consciente, pois aos poucos as forças vão se minando e vamos nos afastando de Deus. E nisso, o inimigo pode encontrar uma brecha para nos fazer cair no pecado grave”, discorreu o Padre Eli.

O motivo da terceira queda de Cristo, de acordo com o Padre Miguel, foi o peso dos pecadores que conscientemente insistem em voltar aos pecados.

“Isto também é perigoso para a nossa santificação. O inimigo é astuto e está atento aos mínimos detalhes para nos separar do Senhor. Precisamos pedir a graça de nos libertar do vício do pecado. O pecado pode ser um tropeção, mas nunca um projeto de vida”, orientou.

 

A escuridão

“O sol se escurece para que Jesus brilhe como luz e ilumine as nossas vidas”.

O Padre Eli recordou que a escuridão durante a crucificação de Jesus é como a imagem de Jesus Misericordioso. “Jesus aparece em meio à escuridão, é o Cristo Misericordioso que vem a nós como luz”.

Nesse momento de trevas, Jesus ofereceu o seu perdão aos que o insultavam. “Porque o perdão que Deus nos oferece não é por merecimento, é por misericórdia. Só precisamos abrir nosso coração para beber nesta fonte de misericórdia”.

 

Virgem dolorosa – unida a Seu Filho no amor e na dor

Maria encontrou Jesus durante a caminhada ao Calvário, e este é o encontro de dois corações chagados e sagrados.

Jesus foi tomado por sentimentos diversos quando viu a sua mãe. Por um lado a tristeza de ver o sofrimento de Maria lhe invade o coração, mas Maria também foi aquela que levou alívio a Jesus.

Maria compreendia o significado de tudo o que estava acontecendo, que aquele terrível sofrimento era necessário para a nossa salvação. E aos pés da cruz, em meio à dor e o sofrimento, Maria se tornou a Mãe de Misericórdia.

O Padre Miguel Sopock diz em seu livro que a Mãe da Misericórdia é principalmente a mãe dos pecadores. E como Jesus, durante todo o tempo da Paixão, a Virgem Maria rezava pela conversão dos pecadores, “para que possamos nos abrir à graça de Deus”, indicou o Padre Eli.

“Espiritualmente, Maria estava crucificada com Jesus e abraçou aquela cruz com amor. Maria compreendia que por mais sofrimento que a cruz causasse, não era sinal de desgraça. Era sinal de graça. A cruz não era motivo de humilhação, mas, sim, de redenção”.

O Palestrante citou, então, o trecho número 60 do Diário, em que Santa Faustina explica que a cruz é como uma janela por onde Deus nos olha.

“Ao final da ladainha vi uma grande claridade e nela Deus Pai. Entre essa claridade e a terra, vi Jesus pregado na cruz e de tal maneira que Deus Pai, querendo olhar para a terra — tinha que olhar pelas Chagas de Jesus. E compreendi que por Jesus Ele abençoa a terra.” (D. 60)

Finalizando, o palestrante ensinou que a nossa cruz unida à cruz de Cristo se torna a cruz de salvação, a cruz de vida eterna, torna-se sinal e garantia de vitória. Pois, já exclamou Jesus do alto da cruz: Tudo está consumado – a nossa salvação, a vitória do amor sobre o ódio, a vitória da vida sobre a morte.

“Abracemos a nossa cruz com amor, como fez Jesus. Por mais pesada que seja, confiemos que Jesus a carrega conosco. É a nossa vitória, a salvação que Nosso Senhor Jesus Cristo conquistou para nós. Que bebendo nesta fonte de Misericórdia, também nós aprendamos a ser misericordiosos”, encerrou.