20º Congresso: Segunda Palestra  – Padre Claudio Santos, MIC

 

 20º Congresso Nacional da Divina Misericórdia

“A Misericórdia Divina no Mistério da Redenção”

 

Neste segundo dia do 20º Congresso Nacional da Divina Misericórdia, em Curitiba, o Padre Cláudio, MIC, ministrou a segunda palestra do Congresso, com o tema: Os sofrimentos de Jesus no Horto.

Padre Cláudio, começou esse momento perguntando: Quem nunca passou por um sofrimento? Alguns mais intensos outros menos, mas todos nós já passamos por essa experiência!

Todas as palestras deste Congresso são baseadas no livro “A misericórdia de Deus em Suas obras”, vol. 2, do bem-aventurado Padre Miguel Sopoćko. Padre Miguel foi confessor e diretor espiritual de Santa Faustina.

A Natureza e causa dos sofrimentos de Jesus

Padre Cláudio fez uma pergunta que ele diz que costuma sempre fazer a si mesmo:  “Jesus Cristo, o Filho de Deus, precisava passar por tanto sofrimento?”.

De acordo com ele, Jesus fez uma experiência profunda de dor e essa dor o fez conhecer a nossa dor.

“Sinto uma tristeza mortal”, dizia Jesus, cujas palavras foram relatadas nos Evangelhos.  E neste momento Ele pediu aos apóstolos “Ficai aqui e vigiai” (Mc 14,34). E na profunda tristeza que o oprimia, Jesus afastou-se dali e “de joelhos começou a orar” (Lc 22,41).

Quão profunda foi a dor do Senhor. Foi uma dor na alma, além de uma severa dor física.

Citando as palavras do bem-aventurado Miguel Sopoćko, padre Cláudio lista os 3 tipos de sofrimento que Jesus passou: a proximidade da morte, o conhecimento dos pecados e os tormentos que lhes são devidos, e o pequeno proveito que muitos teriam com a Sua morte.

“Para todo ser humano a perda é amarga, quanto mais para Jesus que conhecia sua dignidade. Jesus perdeu sua vida de maneira cruel… Ele percebe que se aproxima um grande tormento: o caminho do calvário”, lembra padre Cláudio.

 

Forma e propósito do sofrimento

No horto Jesus se mostra tão verdadeiramente humano, enquanto orava.

“Fazendo um enorme esforço, com o rosto empalidecido, com os joelhos trêmulos, os braços estendidos − ajoelha-se, cai de bruços, levanta-se e novamente cai, e se contorce de dor e de tormento interior, que ninguém jamais sentiu ou sentirá.”

Jesus assumiu esse sofrimento por sua total vontade. Mas, por que Jesus Cristo sofreu no Horto?

“Para manifestar que era verdadeiro homem e verdadeiro Deus”; “para prestar reparação pelos pecados de imperfeição que cometemos durante as experiências interiores, isto é, pela impaciência, pela falta de conformidade com a vontade divina, pela falta de generosidade, pela negligência da oração, pela infidelidade nos propósitos, pelas contínuas queixas contra o destino e até contra Deus, por nos provar. Quis ainda o Salvador experimentar em Si todos os sofrimentos interiores, e em grau máximo, para nos alcançar a graça de suportar sofrimentos semelhantes da forma devida, com proveito para a salvação das nossas almas”; “finalmente, quis o Salvador consolar-nos com o Seu exemplo, quando durante as provações interiores em nenhuma parte encontrarmos consolo”.

Jesus Cristo recomenda aos discípulos a vigilância e a oração

No horto percebemos que o senhor se sentiu plenamente abandonado. “Simão, estás dormindo? Não foste capaz de ficar vigiando uma só hora? (…): “Vigiai e orai, para não cairdes em tentação! O espírito está pronto, mas a carne é fraca”. Jesus afastou-se outra vez e orou, repetindo as mesmas palavras (Mc 14,37-38).

Quantas pessoas pouco ou nada vigiam. Nós precisamos vigiar e confiar, precisamos nos apegar ao Coração Misericordioso de Jesus.

Padre Cláudio convidou a todos a rezar esta oração que se encontra no livro do Padre Miguel Sopoćko:

“Sei que todos os meus pecados provêm da falta de vigilância e de oração. Por isso, faço o propósito de vigiar o meu olhar, a audição e os outros sentidos, bem como os estímulos do meu coração, e sufocar toda tentação na sua origem. Senhor Jesus, em nome da promessa que atribuístes à oração, não me abandoneis, mas em Vossa infinita misericórdia governai, dirigi e concedei-me o dom da oração, para que a cada dia eu cresça no Vosso amor e na ilimitada confiança na Vossa misericórdia”.

 

Jesus Cristo aceita a vontade divina

Em seu livro, o bem-aventurado Padre Miguel Sopoćko nos ensina que “a oração de Jesus Cristo no Horto nos ensina que podemos pedir a Deus que afaste de nós as aflições e as desgraças temporais que nos ameaçam, mas com a condição de que a nossa vontade se submeta inteiramente à vontade divina”.

Jesus se entrega sem reservas à vontade do Pai e nos ensina que também nós devemos nos entregarmos à vontade do Pai para a nossa vida. O não à minha vontade é um não a todo apego terrestre.

“A obediência de Cristo é uma obediência salvadora”, afirma o palestrante.

Mais uma vez,  o padre convidou a todos a uma oração retirada do livro “A misericórdia de Deus em Suas obras”:

“Sou Vosso, Senhor, e somente a Vós quero pertencer. Vossa é a minha alma, a minha inteligência, a minha vontade, e somente a Vós devo conhecer e amar, como o meu primeiro princípio e o meu descanso. Eu Vos tributo honra, Jesus, aviltado pelo beijo de Judas! Sei quais as feridas que mais dor infligem ao Vosso Coração. Elas procedem dos Vossos amigos. Que a minha virtude seja uma prova de reverência e consolo para Vós”.

 

A prisão de Jesus Cristo

“Uma cena triste se estende diante do olhar no Horto: o agradável e silencioso jardim, santificado pela oração de Jesus Cristo, num só instante se transforma numa selvagem aglomeração de carrascos, que atacam um homem inocente”.

“Jesus Cristo permitiu que fossem colocados nas Suas mãos os grilhões, para destroçar os grilhões dos nossos pecados, − permitiu que Lhe fossem colocados os abomináveis laços a fim de alcançar para os mártires acorrentados a perseverança, − assumiu sobre si os duros grilhões para nos amarrar com os laços do amor, conforme predisse o Profeta: Ungido do Senhor, o Rei, nossa vida, caiu preso no seu laço, era à sua sombra que pensávamos viver entre as nações (Lm 4,20). Jesus Cristo permitiu isso para que se cumprisse tudo que anunciaram os profetas: Tudo isso, porém, aconteceu para se cumprir o que está escrito nos profetas (Mt 26,56)”.

Padre Claudio encerrou este momento com mais uma oração do bem-aventurado Miguel Sopoćko:

“Por esses grilhões e laços, bem como pela Tua ignominiosa detenção no Horto, Senhor Jesus, não permitas que eu alguma vez rompa os laços do Teu amor e permita ser amarrado com os grilhões do pecado. Faze de mim um prisioneiro do Teu amor e nesse amor permite que eu viva e morra! Confio que a Tua graça me preservará no abandono diante da lembrança do Teu abandono pelos discípulos, que sustentará o meu braço e a minha língua para a defesa, quando por vontade Tua tiver de suportar calúnias e humilhações pelo Teu nome. Como é doce a lembrança de Ti! Mais que o mel e mais que toda doçura, mais doce é a Tua presença. Nada de mais belo se pode cantar, nada de mais agradável ouvir, nada de mais prazeroso pensar acima de Ti, Jesus, abandonado pelos discípulos, amarrado pelos carrascos e conduzido em meio a ofensas e injúrias. Conduze-me pelo caminho da verdade à vida eterna”.