20º Congresso: Sexta Palestra – Padre Francisco Anchieta, MIC

  

20º Congresso Nacional da Divina Misericórdia

“A Misericórdia Divina no Mistério da Redenção”

 

O Pároco do Santuário da Divina Misericórdia, Padre Francisco Anchieta, MIC, conduziu a sexta palestra do 20º Congresso Nacional da Divina Misericórdia. O tema da sua palestra foi: “A morte de Nosso Senhor”.

Já passava das três horas, Jesus Cristo estava suspenso na cruz e conversa em espírito com o Pai Celestial.

O Padre Anchieta iniciou a sua formação chamando a atenção para a submissão de Cristo à vontade do Pai, que na cruz afirmou: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”. E, a seguir, inclinou a cabeça e morreu.

Destacando as palavras do Padre Miguel Sopocko, o palestrante trouxe a meditação de que naturalmente primeiro a pessoa morre, e depois inclina a cabeça.

Mas, para dar permissão ao Pai e concordar com a morte que se aproximava, Jesus primeiro inclinou a sua cabeça. E morreu com pleno consentimento, “mesmo na cruz é o senhor de Sua morte: morre quando quer”, escreveu o Sopocko em seu livro.

Na morte de Jesus Cristo na cruz, é onde se manifesta claramente o poder, a sabedoria e a misericórdia de Deus, explicou o autor. Em seu livro também meditou que este é o “modelo da nossa nova vida sobrenatural: devemos morrer para o pecado e viver para a vida divina (cf. Rm 6,11), que se renova nos sacramentos da misericórdia de Deus, no sacramento da penitência, com a esperança da glória e da ressurreição dos nossos corpos. Essa morte é a confirmação e o conteúdo de toda a nossa religião, visto que nos ensina como devemos viver e morrer por Cristo”, ( pág 288 – A Misericórdia de Deus em Suas obras – vol. 2).

Após a morte de Cristo, o Seu lado foi perfurado e brotou sangue e água. Ao ser aberto por uma lança, o Coração de Jesus nos da a possibilidade de Nele entrarmos.

“Como você tem contemplado o lado aberto de Jesus, do qual continua jorrando sangue e água?”, questiona o palestrante. Em seguida, destaca as palavras do Padre Miguel Sopocko:

“A chaga do lado tornou-se a porta de ouro do verdadeiro santuário do Senhor, onde todos os doentes e pobres, todos os necessitados de ajuda alcançam a saúde, a graça e a misericórdia. Ela é a porta do verdadeiro paraíso, o único lugar onde se pode encontrar a alegria e o consolo”.

O Pároco perguntou, então, para os congressistas: “Onde você tem procurado alegrar-se? Que tipo de alegria você tem procurado? A verdadeira alegria somente Deus pode nos conceder. É no Coração de Jesus que encontramos o refúgio para todas as nossas misérias e necessidades”.

Então o corpo de Cristo foi removido da cruz. José de Arimateia, um discípulo clandestino de Jesus, rico e influente, decidiu providenciar para o Mestre um sepultamento decente, sendo assim foi até Pilatos pedir os restos mortais de Jesus.

Com o máximo amor e compaixão, envolveram o corpo num lençol e abaixaram Jesus nos braços de São João, que o depositou no colo da Virgem Maria, ajoelhada ao pé da cruz.

“Maria conforma-se com a vontade de Deus e não alimenta raiva a ninguém. Ao contrário, não somente perdoa a todos que haviam contribuído para a morte do Filho, mas, a Seu exemplo, reza pedindo a misericórdia de Deus por eles”, diz o Padre Miguel Sopocko.

Em sua palestra, o Padre Anchieta afirma que Jesus ensina e dá o exemplo quando Ele mesmo desempenha tal ação, como no Lava-pés. Então, “Jesus ensina aqui, que as Suas chagas mostram o elevado preço da nossa alma e sua infinita misericórdia”.

O corpo do nosso Salvador foi sepultado num túmulo novo e alheio, confirmando a pobreza de Jesus, que também não teve um berço ao nascer e descansou numa manjedoura.

A descida de Jesus à mansão dos mortos foi um ato da infinita misericórdia de Deus para consolar as almas que permaneciam no limbo e de salvar algumas do purgatório. Neste objetivo, Jesus assumiu sobre Si a pena total a nós devida.

 

O Sábado Santo da Mãe de Deus

“Maria, apesar de toda a tristeza e da dor que oprimia seu coração, estava quieta e tranquila; serena e equilibrada, consolava a todos, porque já então era a Mãe, a vida, a doçura e a esperança de toda a Igreja, − porquanto já era Mãe de Misericórdia”.

Finalizando, o palestrante fala sobre o amor da Mãe de Misericórdia. “A dor de Maria já não se ligava apenas com o amor a seu Filho, mas também com o amor para com toda a humanidade, para com todos nós. E, aguardando o cumprimento da promessa da ressurreição, Maria meditava e se submetia à vontade de Deus.”

Por amor a nós, Maria aceita a terrível morte do Filho, assim, aceita também sofrer junto com o Filho pela nossa salvação − confirmando que o amor é mais poderoso que a morte.

Assim, encerra-se a seção destinada ao Padre Anchieta. A próxima palestra, que será ministrada pelo Padre Ednilson de Jesus, vai trazer os fatos sobre a ressurreição do Nosso Senhor.

“Que a experiência que estamos vivendo aqui desperte em nós o desejo de mergulharmos no oceano infinito que é a misericórdia do nosso Deus. Não tenha medo de subir na cruz com Jesus, jogue o medo aos pés de Cristo. Grandes coisas Deus quer realizar em nossa vida pelo nosso sim de estarmos participando do 20º Congresso Nacional da Divina Misericórdia”, concluiu.