3ª palestra do 19º Congresso da Divina Misericórdia

Nesta terça-feira (10) aconteceu no Santuário da Divina Misericórdia o terceiro dia do 19º Congresso da Divina Misericórdia. A terceira palestra foi realizada pelo pároco do Santuário, Padre Francisco Anchieta, MIC, a partir do tema “Os feitos da confiança e suas características despertadas pela Misericórdia Divina”, do livro do Padre Miguel Sopoćko: A Misericórdia de Deus em Suas obras (pág. 37-46 da 1ª edição / 38-47 da 2ª edição).

Em sua obra o Padre Miguel Sopoćko inicia o terceiro capítulo definindo o que é a confiança. “Do ponto de vista da fé, confiança é esperar, é acreditar. Então, nós esperamos e acreditamos numa ajuda, numa promessa”, destaca o palestrante Padre Anchieta.

Sopoćko também distingue a confiança natural − que é a esperança de ajuda dos homens − da confiança sobrenatural, que é a esperança da ajuda de Deus.

Padre Anchieta explica que a “esperança na ajuda do homem é falível e incerta, e isso gera decepções. Já a esperança na ajuda de Deus, é a ajuda que nunca falha. Assim age a esperança na ajuda de Deus: ‘São muitos os sofrimentos do ímpio, mas quem espera no Senhor a sua misericórdia o envolve’ (Sl 31,10). Deus jamais nos decepcionará”.

“A confiança sobrenatural é a promessa do Deus Misericordioso, que é repetida várias vezes na Sagrada Escritura, no Antigo e Novo Testamento. ‘No mundo tereis aflições. Mas tende coragem! Eu venci o mundo’ (Jo 16,33). Confiemos no Senhor, diante de toda e qualquer situação. Deus é o que necessitamos para superar todas as dificuldades”.

Âncora

Uma comparação interessante que o Padre Sopoćko faz é sobre a âncora. Durante um naufrágio, joga-se a âncora, a fim de deter o navio da destruição. “Na vida espiritual a âncora é a confiança na ajuda divina. Despertada em nós quando conhecemos a infinita misericórdia de Deus”. Durante uma tempestade a alma não estará perdida se agarrar-se à âncora da confiança na onipotente misericórdia de Deus.

Os frutos da confiança

Quando confiamos estamos prestamos uma grande homenagem a Deus, esperando a Sua ajuda que Ele sempre tem em prontidão a nos oferecer. Segundo a formação do Padre Anchieta, essa homenagem “aparece inúmeras vezes no Diário de Santa Faustina, quando Jesus diz que agrada o Seu coração quando o buscamos com confiança e quando nos sentimos dependentes da sua misericórdia.”

Os frutos que a confiança traz são força, fortaleza, paz interior, o consolo nos sofrimentos, afastamento da tristeza e da desolação, ajuda e concede o necessário. A confiança opera milagres, porque tem a seu serviço a onipotência divina. E a confiança também assegura a eterna recompensa.

Diz o bem-aventurado Miguel Sopoćko que a falta de confiança é como uma nuvem que impede o sol de iluminar e aquecer a Terra. “Assim como Jesus diz que agrada o seu coração quando as almas confiam na Sua misericórdia, Ele também diz que entristece o seu coração quando desconfiamos da Sua Misericórdia. E assim a misericórdia divina não adentra na alma sem a confiança. Se a nossa confiança está lá embaixo, peçamos que o Senhor restaure a nossa fé, esperança e confiança.”, explica o pároco.

As marcas da confiança

Nem toda a confiança alcança os frutos que a confiança produz, apenas aquela que se baseia na misericórdia divina e alia-se ao temor de Deus.

“Não podemos confiar demasiadamente em nós mesmos. Confiando em Deus, não nos baseamos em meios humanos. Não há como colocarmos a nossa confiança em nossas capacidades, porque Deus é quem faz tudo o que necessitamos para que tenhamos uma confiança que nos leve aonde precisamos chegar.”

Precisamos escolher os meios que consideramos necessários e adequados, mas não podemos basear-nos exclusivamente neles. Devemos nos basear na vontade divina, que é a própria misericórdia.

A confiança e o temor a Deus

Em consideração a Deus, a nossa confiança deve ser inquebrantável – confio até o fim. E em consideração a nós mesmos, a confiança deve estar unida ao temor – porque conhecemos a nossa miséria.

Somente a confiança com o temor a Deus pode tornar-se forte; e o temor a Deus com a confiança torna-se humilde e valoroso. Novamente o Padre Anchieta esclarece a comparação que o Padre Miguel faz com relação a confiança e um barco. “Para navegar, o barco precisa de vento e peso, porque sem o vento o barco não vai a lugar nenhum, nem o peso ele perde o equilíbrio. Então é necessário esse equilíbrio em nossa confiança”.

“Sem a confiança caímos na tibieza ou frieza e não navegamos em direção a Deus, e sem o temor a Deus despedaçamo-nos contra o rochedo da arrogância.” (pág. 44 da 1ª edição / 46 da 2ª edição).

O Palestrante encerra destacando este fragmento do livro, em que o bem-aventurado Padre Miguel afirma que é preciso confiar temendo a si mesmo, e temer confiando na misericórdia divina.

“Que, através da nossa abertura de coração, o Senhor nos conceda toda graça, força e auxílio necessário para termos uma confiança que vai até o fim, independente da tempestade e das provações que tenhamos que enfrentar ao longo da nossa vida”.


Você pode assistir a palestra na íntegra clicando abaixo.