7ª palestra do 19º Congresso da Divina Misericórdia

Sábado, dia 14 de novembro, aconteceu a última palestra do 19º Congresso da Divina Misericórdia. A sétima palestra formativa foi realizada pelo Provincial dos Padres Marianos, Padre Jair Batista, MIC, que meditou o tema “A Misericórdia Divina no Mistério da Encarnação e da Redenção”, do livro do Padre Miguel Sopoćko: A Misericórdia de Deus em Suas obras (pág. 101-111 da 1ª edição / 105-115 da 2ª edição).

“Redenção é o ato salvífico de Cristo, o ato em que Jesus realiza a nossa salvação. E este não é um ato único, mas de toda a vida de Jesus, em que Ele realiza a salvação em nossa existência”, com esta explicação o Provincial iniciou a sua formação no Congresso.

O Padre também pontuou que antes de falar sobre redenção e misericórdia é importante compreender a gravidade e as consequências do pecado em nossa vida.

Pelo pecado, no paraíso, os nossos primeiros pais ofenderam infinitamente a Deus, pois ofenderam a Sua dignidade” (pág. 95 da 1ª edição / 99 da 2ª edição).

“Deus não ficou magoado, não é este o sentido, mas quando tentamos contra a dignidade de Deus, quando tentamos contra a existência de Deus através dos nossos atos, quando tentamos contra o Seu amor para conosco, nós ofendemos a Deus. E mesmo que Ele não fique ofendido, a nossa ofensa acontece”, explicou o Provincial.

O Padre Jair também abordou a relação entre a nossa criação e como o pecado fere a nossa relação com Deus, uma vez que somos unidos a Deus por um laço profundo e fomos criados na perfeição divina.

“Nós saímos das mãos amorosas do Pai e deveríamos viver como seres de profundo amor, para ao final da nossa existência voltar para as mãos amorosas de Deus. É justamente aí que o pecado entra. Em nossa vida muitas vezes nos afastamos desse amor, pois desobedecemos a Deus, desobedecemos aos mandamentos de Deus. E é por isso que o pecado é tão maléfico, pois fere a nossa unidade com Deus, fere a nossa identidade, a nossa bondade essencial”.

“Pelo pecado o homem escolhe a si mesmo, escolhe uma satisfação passageira, ao invés de preferir a felicidade plena que Deus nos promete. Assim, ofendemos a imagem de Deus em nós e também nos faz perder a harmonia com Deus”.

Redenção

“Essa infinita ofensa exigia uma infinita reparação. Mas o homem, sendo um ser finito, não era capaz de oferecer tal reparação. Por isso, a rejeição eterna dos homens parecia inevitável, semelhante à que ocorreu com os anjos rebelados. Mas Deus, em Sua infinita misericórdia, não permitiu que todo o gênero humano caísse em tão grande desgraça e, por isso, quando deveria haver infligido aos nossos primeiros pais um castigo pelo seu pecado, prometeu-lhes a Redenção.” (pág. 95 da 1ª edição / 99 da 2ª edição).

O Provincial reflete que Jesus veio para nos redimir, este é o mistério da Sua encarnação, vida, paixão, morte e ressureição. “Jesus não veio apenas para nos dar um bom exemplo, mas para nos resgatar. A fé católica nos apresenta Jesus como o único redentor. O único pelo qual nós podemos alcançar o perdão, a justificação dos pecados, e a abertura à eternidade”.

 Encarnação

“O Filho de Deus, por quem tudo foi feito, e que em Seus planos eternos devia encarnar-se (como sustenta a maioria dos teólogos), assumindo a natureza humana ainda não contaminada pelo pecado, agora, não interrompeu o Seu plano, mas se apresentou diante do Pai celestial com as palavras: “Eis que venho” (Sl 40(39),8). Ofereceu-Se, assim, para salvar os homens, sofrendo em Seu corpo humano e morrendo, e dessa forma prestando infinita reparação a Deus pela infinita ofensa cometida.” (pág. 95 da 1ª edição / 99 da 2ª edição).

“E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós” (Jo 1,14)

Nestas palavras o evangelista São João expressa o maior mistério de Deus, o mistério da encarnação – mistério que constitui o princípio e o fundamento de todas as obras da Misericórdia.

Por que o Verbo se fez carne?

  1. Para nos salvar, reconciliando-nos com Deus através da redenção. “Enferma, a nossa natureza precisava ser curada; decaída, ser elevada; morta, ser ressuscitada. Tínhamos perdido a posse do bem, era preciso que nos fosse restituído. Encerrados nas trevas, era preciso trazer-nos à luz; cativos, esperávamos um salvador; prisioneiros, esperávamos um auxílio; escravos, precisávamos de um libertador.” São Gregório de Nissa (+394).

 

  1. Para que conhecêssemos o amor de Deus. Se o amor de Deus ficasse só em palavras, desconfiaríamos. Então o Senhor assumiu a nossa natureza, fazendo-se carne. “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16). O filho de Deus encarnado é a prova mais concreta possível de que Deus nos ama. E Ele ainda viveu por nós, sofreu por nós, morreu por nós. Foi por amor. Em sua infinita Misericórdia, Deus não poupou recursos para dizer o quanto nos ama. O conhecer não é intelectual, o conhecer bíblico é experimentar. Em Sua vida encarnada Jesus nos mostrou com perdão e misericórdia o quanto nos ama. Não podemos ter dúvidas quanto a isso, não podemos deixar de acreditar nesta verdade.

 

  1. Para Consigo levar a nossa humanidade, para divinizar. Em Jesus fomos assumidos pela natureza divina, dá-nos um dom ainda maior do que a realizada na criação: fomos tornados filhos de Deus.

Pela Encarnação é que se manifesta melhor a misericórdia de Deus, porquanto nenhum outro dom poderia manifestar uma compaixão maior pela miséria humana do que a doação de Seu diletíssimo Filho. (…) Deus o livra de toda culpa e do castigo à custa do Sangue de Seu Filho, que satisfaz com abundância a justiça.” (pág. 102 da 1ª edição / 106 da 2ª edição).

Finalizando a sua explicação o Padre Jair recordou o Catecismo, em que ele diz que “esta é uma verdade fundamental da nossa fé, e que se não houvesse a encarnação verdadeira, não seríamos salvos (cf. CIC 432). Por isso, falamos hoje sobre este mistério da Misericórdia de Deus, quando Deus decide pagar o preço do nosso resgate”.

“Não podemos encontrar maior prova de amor do que esta. Jesus, o Verbo de Deus encarnado, manifestou esse amor, esta misericórdia infinita, não apenas na cruz e na paixão, mas a partir da encarnação e toda a sua vida. Que Ele possa nos acompanhar e nos fazer compreender o infinito amor que tem por nós”, encerrou o Provincial.

 


Você pode assistir a palestra na íntegra clicando abaixo.