Festividade de São Jorge

O mártir São Jorge é celebrado pela Igreja neste dia 23 de abril

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Jorge, nascido na Capadócia (região da atual Turquia), no final do século III, foi um militar (tribuno) romano. Ele foi martirizado, por ordem do Imperador (não sabemos bem qual), por não renegar sua fé em Cristo. Era o tempo das grandes perseguições. Muitos renegaram sua fé em Jesus. Só homens e mulheres verdadeiramente fortes, de todas as idades, alimentados pela Palavra e pela Eucaristia, foram capazes de testemunhar o Senhor com suas próprias vidas.

 

O dragão que amedrontava a população de Silena

A maioria de nós se recorda da bela imagem de São Jorge montado em seu cavalo branco, matando o dragão. Encontramos esta história num famoso livro do dominicano Giácomo de Voragine (que foi arcebispo de Gênova, na Itália), no século XIII, chamado Legenda Aurea. Neste livro, antes de contar-nos o martírio de São Jorge, o autor narra como o santo salvou a cidade de Silena, na então Província Romana da Líbia (Norte da África).

No grande lago junto àquela cidade, escondia-se um dragão, que ameaçava a segurança e a paz da população local. Para impedir que o monstro se aproximasse, os habitantes davam-lhe, todos os dias, duas ovelhas. Quando as ovelhas começaram a faltar, o Conselho local decidiu dar ao animal uma ovelha e um humano, tanto rapazes quanto moças, sorteados dentre os jovens da população.

Observemos a simbologia da história: o mau, o vício, simbolizado no dragão, consumira o sustento (as ovelhas) e a vida dos e das jovens da população.

 

Jorge e o dragão

Depois de algum tempo, a sorte caiu, por fim, sobre a filha do rei da cidade. Amargurado, o rei se despediu da princesa. Esta foi colocar-se junto às margens do lago, esperando seu fim. Foi neste momento, justamente, que surge por lá o jovem Jorge. Vendo a jovem chorar, seu coração de cavaleiro cristão, de rapaz bondoso, não se conteve. Ele se aproximou e perguntou o que havia. A jovem pediu que ele partisse rapidamente, para não ser também ele devorado. Jorge não perdeu a calma e esperou que a princesa contasse a história. Ao invés de fugir, Jorge permaneceu firme ao lado daquela jovem exposta ao perigo, consolando-a. Nunca nos esqueçamos: o mais forte sempre deve proteger os mais frágeis.

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Enquanto ainda conversavam, o dragão colocou sua cabeça para fora da água. A princesa gritou de horror. Jorge imediatamente montou em seu cavalo, protegeu-se com o sinal da cruz e com a audácia e a liberdade própria dos filhos de Deus, atacou o dragão. Brandindo a lança com vigor, recomendou-se a Deus, atingiu o monstro e jogou-o ao chão.

Tendo ferido o dragão, Jorge pediu que a princesa colocasse, sem medo, seu cinto em volta do pescoço da fera. O dragão seguiu-a, como um cachorrinho manso. Quando agimos com a força da graça de Deus, qualquer vício pode ser dominado, como o dragão o foi. O mal nunca é mais forte que o bem, que vem de Deus.

 

A libertação da cidade

Jorge e a princesa entram na cidade. O dragão os acompanhava como um manso animal de estimação. Podemos imaginar o horror que se apoderou da população ao ver esta cena. O jovem Jorge disse: “Nada temam. O Senhor me enviou para que eu os libertasse das desgraças causadas por esse dragão. Creiam em Cristo, recebam o batismo, que eu matarei o dragão”. Assim, o rei e toda a cidade foram batizados. São Jorge desembainhou sua espada, que manejava com tanta destreza (fruto dos longos treinos marciais) e pôs fim à existência da besta. Foram precisos quatro pares de bois para arrastar o animal morto para fora dos muros da cidade de Silena!

Jorge sabia que não bastaria matar o dragão. Se os habitantes da cidade não mudassem de vida, não recebessem o batismo, ficariam sempre frágeis perante outros males e monstros que se aproximassem.

O frei Giácomo de Voragine conta, ainda, que em homenagem à Virgem Maria e a Jorge, o rei mandou construir uma grande igreja, sob cujo altar surgiu uma fonte de água curativa. O rei ofereceu a Jorge uma enorme quantia em dinheiro. O jovem santo não aceitou. Pediu que o rei doasse o valor aos mais pobres.

Antes de partir, Jorge deu ao rei quatro sábios conselhos: cuidar das igrejas de Deus, honrar os padres, participar com atenção da liturgia e nunca esquecer os pobres. A seguir, saudou o rei e foi embora.

 

Frei André Luís Tavares, op
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