Nossa Senhora das Dores: Maria nos ensina a permanecer junto à Cruz
Celebrada em 15 de setembro, a memória de Nossa Senhora das Dores convida os fiéis a contemplarem Maria unida ao sofrimento de Cristo. Sua dor não pode ser separada da Cruz: a Mãe permanece junto ao Filho e, mesmo atravessada pelo sofrimento, continua confiando em Deus.
Essa presença de Maria também aparece de maneira significativa no Diário de Santa Faustina. Ao falar da Mãe de Deus, Santa Faustina não apresenta apenas alguém que sofreu, mas uma Mãe que ensina como atravessar a dor permanecendo junto de Jesus.
Maria ensina Faustina a manter os olhos na Cruz
No §561 do Diário, Santa Faustina relata uma visão da Mãe Santíssima com o Menino Jesus nos braços. Em determinado momento, o Menino desaparece e ela contempla Jesus crucificado. Então recebe de Maria uma orientação para sua vida espiritual:
“A Mãe de Deus recomendava-me que eu seguisse sempre o exemplo dela: mesmo quando me sentisse contente, tivesse sempre os olhos fixos na Cruz.”
(Diário de Santa Faustina, §561)
É uma orientação profunda. Maria não ensina Faustina a procurar o sofrimento, mas a não perder de vista a Cruz de Cristo nem mesmo quando tudo vai bem.
A Cruz recorda que o amor de Deus é fiel. Nela, Cristo entrega-Se inteiramente pela humanidade. Por isso, manter os olhos fixos na Cruz significa aprender a reconhecer que a Misericórdia de Deus permanece presente também quando não compreendemos aquilo que estamos vivendo.
“Ó Maria, uma espada terrível transpassou hoje Vossa santa alma”
Essa união de Maria com o sofrimento de Jesus aparece de maneira ainda mais direta no §915. Santa Faustina contempla a dor da Mãe e escreve:
“Ó Maria, uma espada terrível transpassou hoje Vossa santa alma. Além de Deus, ninguém sabe do Vosso sofrimento. A Vossa alma não se abate, mas é corajosa, porque está com Jesus.”
(Diário de Santa Faustina, §915)
A expressão imediatamente nos conduz à profecia de Simeão: “e a ti, uma espada traspassará tua alma” (Lc 2,35).
Mas Faustina percebe algo essencial: a força de Maria não está na ausência de sofrimento. Está em sua união com Jesus.
Ela sofre, mas permanece. Sua alma é atravessada pela espada, mas não abandona o Filho. É justamente por isso que Santa Faustina olha para Nossa Senhora e pede que ela lhe ensine a enfrentar suas próprias provações.
“Doce Mãe, uni meu coração a Jesus”
No mesmo trecho do Diário, Faustina transforma sua contemplação em oração:
“Doce Mãe, uni meu coração a Jesus, porque só então suportarei todas as provações e experiências.”
(Diário de Santa Faustina, §915)
Aqui encontramos uma importante ligação entre Nossa Senhora das Dores e a espiritualidade da Divina Misericórdia.
Maria não ocupa o lugar de Jesus. Ao contrário: ela conduz o coração até Ele.
Faustina compreende que não vencerá as provações apenas por suas próprias forças. Precisa permanecer unida a Cristo. Por isso recorre àquela que permaneceu junto d’Ele até a Cruz.
Uma Mãe para os momentos de sofrimento
Santa Faustina encerra sua oração no §915 pedindo:
“Ó Mãe dulcíssima, ensinai-me a vida interior. Que a espada dos sofrimentos nunca me abata. Ó Virgem pura, derramai coragem no meu coração e velai por ele.”
(Diário de Santa Faustina, §915)
Talvez seja justamente essa a oração que a memória de Nossa Senhora das Dores nos convida a fazer hoje.
Existem dores que não desaparecem imediatamente. Há situações para as quais não encontramos respostas e sofrimentos conhecidos somente por Deus. A fé cristã não promete uma vida sem cruzes. Ela nos revela, porém, que não precisamos atravessá-las sozinhos.
Maria permaneceu com Jesus. E, como Mãe, ensina-nos a fazer o mesmo.
Diante das nossas dores, podemos pedir que Nossa Senhora nos ajude a não afastar os olhos da Cruz, a confiar na Misericórdia de Deus e a conservar a coragem mesmo quando o coração estiver ferido.
Nossa Senhora das Dores, ensinai-nos a permanecer com Jesus. Que, em nossas provações, jamais percamos a confiança em Sua Misericórdia.
Nossa Senhora das Dores, rogai por nós!

