Terço da Misericórdia completa 91 anos: conheça sua origem
Neste 14 de setembro de 2026, recordamos os 91 anos da revelação do Terço da Divina Misericórdia, uma das orações mais conhecidas e difundidas da espiritualidade da Misericórdia. Foi em setembro de 1935 que Santa Faustina Kowalska recebeu as palavras desta oração, que se tornaria um convite permanente para confiar na Misericórdia de Deus e suplicá-la pelo mundo inteiro.
A data ganha um significado ainda mais profundo porque, neste mesmo dia, a Igreja celebra a Festa da Exaltação da Santa Cruz. No centro do Terço está justamente o sacrifício de Jesus Cristo e a confiança nos méritos de Sua dolorosa Paixão.
A revelação do Terço da Divina Misericórdia
A origem dessa oração está registrada pela própria Santa Faustina em seu Diário, especialmente nos números 474 a 476.
Em 13 de setembro de 1935, Santa Faustina relata ter visto um Anjo, executor da ira de Deus, prestes a atingir a terra. Diante daquela visão, começou a suplicar pela humanidade. Foi então que ouviu interiormente palavras de intercessão dirigidas ao Pai.
A santa registrou:
“Eterno Pai, eu Vos ofereço o Corpo e Sangue, Alma e Divindade de Vosso diletíssimo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, em expiação dos nossos pecados e do mundo inteiro.”
(Diário de Santa Faustina, 475)
Faustina percebeu a força daquela oração e continuou repetindo-a. Conforme relata no Diário, diante daquela súplica o Anjo não pôde executar o castigo.
No dia seguinte, 14 de setembro de 1935, ela recebeu novas orientações. Desta vez, Jesus lhe ensinou como rezar aquela oração nas contas do terço:
“Esta oração serve para aplacar a Minha ira. Tu a recitarás por nove dias, por meio do terço do Rosário.”
(Diário, 476)
Em seguida, Santa Faustina registra a forma de rezá-lo: primeiro o Pai-Nosso, a Ave-Maria e o Creio; depois, nas contas do Pai-Nosso, a oferta ao Eterno Pai e, nas contas da Ave-Maria, a súplica pela dolorosa Paixão de Cristo.
Nascia assim o Terço da Divina Misericórdia.
Pela Sua dolorosa Paixão
No coração do Terço está a entrega de Jesus ao Pai. Em cada dezena, repetimos:
“Pela Sua dolorosa Paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro.”
(Diário, 476)
Celebrar os 91 anos da revelação dessa oração justamente na Festa da Exaltação da Santa Cruz nos ajuda a compreender ainda mais profundamente seu significado.
O Terço nos conduz ao mistério da Paixão de Cristo. Ao rezá-lo, não apresentamos a Deus nossos próprios méritos, mas nos colocamos diante do Pai confiando no sacrifício de Seu Filho e suplicando misericórdia para toda a humanidade.
Uma oração pela humanidade inteira
A própria forma da oração revela sua dimensão universal. Não pedimos misericórdia somente por nossas necessidades, mas suplicamos:
“Tende misericórdia de nós e do mundo inteiro.”
Passados 91 anos, essa súplica permanece profundamente atual.
Guerras, divisões, famílias feridas, pessoas afastadas de Deus, enfermidades, sofrimento e tantas situações que parecem não encontrar saída podem ser apresentadas à Misericórdia do Senhor.
Ao ensinar o Terço, Jesus confiou a Santa Faustina uma oração que ultrapassaria os limites de sua própria vida e chegaria a inúmeras pessoas ao redor do mundo.
Mais tarde, Jesus também revelaria a Santa Faustina a importância dessa oração pelos agonizantes:
“Quando rezarem este Terço junto aos agonizantes, Eu Me colocarei entre o Pai e a alma agonizante, não como justo Juiz, mas como Salvador misericordioso.”
(Diário, 1541)
Assim, rezar o Terço é também assumir uma missão de intercessão: pelos pecadores, pelos que sofrem, pelos agonizantes e por todos aqueles que mais necessitam da Misericórdia de Deus.
“Pela recitação desse Terço agrada-Me dar tudo”
Em diferentes momentos registrados no Diário, Jesus voltou a falar com Santa Faustina sobre o valor do Terço da Divina Misericórdia.
Em uma dessas revelações, afirmou:
“Pela recitação desse Terço agrada-Me dar tudo o que Me pedem.”
(Diário, 1541)
A promessa, entretanto, não transforma a oração em uma fórmula para alcançar nossos próprios desejos. O próprio texto do Diário aponta para uma confiança que se abandona à vontade misericordiosa de Deus.
Por isso, o Terço é, antes de tudo, uma escola de confiança.
Cada vez que repetimos “tende misericórdia de nós e do mundo inteiro”, reconhecemos nossa necessidade de Deus e entregamos a Ele aquilo que não conseguimos resolver somente com nossas forças.
Uma missão que continua 91 anos depois
O aniversário da revelação do Terço da Divina Misericórdia não deve ser apenas uma recordação histórica.
É também um convite para redescobrir a oração e aquilo que está no coração de toda a mensagem confiada a Santa Faustina: a confiança na Misericórdia de Deus.
Uma oração recebida por uma religiosa polonesa em setembro de 1935 atravessou décadas, idiomas e fronteiras e continua sendo rezada diariamente por inúmeros devotos.
Neste 14 de setembro, 91 anos depois, o convite permanece.
Pegue seu terço. Apresente ao Senhor sua família, aqueles que sofrem, os pecadores, os agonizantes e as necessidades do mundo.
E repita com confiança a súplica que Jesus ensinou a Santa Faustina:
“Pela Sua dolorosa Paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro.”
(Diário, 476)
Os tempos mudaram. As gerações passaram. Mas a humanidade continua necessitando da mesma Misericórdia.
Jesus, eu confio em Vós

