Papa Francisco sobre a vida dos nascituros: são os mais indefesos

O Papa, por ocasião do Dia do nascituro, que se celebra em vários países do mundo, especialmente na América Latina e no Brasil, lançou um tweet na conta @pontifex: “Vale a pena acolher cada vida, porque cada pessoa humana vale o sangue do próprio Cristo. Não se pode desprezar o que Deus tanto amou!”.

 

Se se pisoteia o direito dos mais fracos, aplica-se a lei do poderoso de turno

Francisco, nestes anos, usou palavras muito fortes sobre o direito à vida dos nascituros. Na Evangelii gaudium, texto programático do seu pontificado, recordou que na ação da Igreja “há um sinal que nunca deve faltar: a opção pelos últimos, por aqueles que a sociedade descarta e joga fora” (EG, 195).

“Entre estes seres frágeis, de que a Igreja quer cuidar com predileção, estão também os nascituros, os mais inermes e inocentes de todos, a quem hoje se quer negar a dignidade humana para poder fazer deles o que apetece, tirando-lhes a vida e promovendo legislações para que ninguém o possa impedir. Muitas vezes, para ridiculizar jocosamente a defesa que a Igreja faz da vida dos nascituros, procura-se apresentar a sua posição como ideológica, obscurantista e conservadora; e no entanto esta defesa da vida nascente está intimamente ligada à defesa de qualquer direito humano. Supõe a convicção de que um ser humano é sempre sagrado e inviolável, em qualquer situação e em cada etapa do seu desenvolvimento. É fim em si mesmo, e nunca um meio para resolver outras dificuldades. Se cai esta convicção, não restam fundamentos sólidos e permanentes para a defesa dos direitos humanos, que ficariam sempre sujeitos às conveniências contingentes dos poderosos de turno”. (EG, 213).

 

O aborto não é progressista

“E precisamente porque é uma questão que mexe com a coerência interna da nossa mensagem sobre o valor da pessoa humana, não se deve esperar que a Igreja altere a sua posição sobre esta questão. A propósito, quero ser completamente honesto. Este não é um assunto sujeito a supostas reformas ou «modernizações». Não é opção progressista pretender resolver os problemas, eliminando uma vida humana”. (EG, 214).

 

Fizemos pouco para acompanhar as mulheres

Ainda neste texto, Francisco acrescenta:

“Mas é verdade também que temos feito pouco para acompanhar adequadamente as mulheres que estão em situações muito duras, nas quais o aborto lhes aparece como uma solução rápida para as suas profundas angústias, particularmente quando a vida que cresce nelas surgiu como resultado duma violência ou num contexto de extrema pobreza. Quem pode deixar de compreender estas situações de tamanho sofrimento?” (EG, 214).

O aborto não é um problema teológico, mas um problema humano

Durante o voo de volta do México em 17 de fevereiro de 2016, o Papa usou palavras particularmente duras sobre o aborto:

“O aborto não é um mal menor. É um crime. É matar um para salvar outro. É o que a máfia faz. É um crime, é um mal absoluto”. “O aborto não é um problema teológico: é um problema humano, (…) É contra o Juramento de Hipócrates que os médicos devem fazer. É um mal em si mesmo, mas não é um mal religioso, no início, não, é um mal humano”.

Defender a vida sempre: dos nascituros aos famintos e aos migrantes

Encontrando a Associação Ciência e Vida no dia 30 de maio de 2015, o Papa fez uma observação importante. A vida deve ser sempre defendida na sua totalidade: no início, durante e no fim.

“O grau de progresso de uma civilização mede-se precisamente pela capacidade de salvaguardar a vida, sobretudo nas suas fases mais frágeis, mais do que pela difusão de instrumentos tecnológicos. Quando falamos do homem, nunca esqueçamos todos os atentados contra a sacralidade da vida humana. É atentado contra a vida o flagelo do aborto. É atentado contra a vida deixar morrer os nossos irmãos nas embarcações no canal da Sicília. É atentado contra a vida a morte no trabalho, porque não se respeitam as mínimas condições de segurança. É atentado contra a vida a morte por subalimentação. São atentados contra a vida o terrorismo, a guerra e a violência; mas também a eutanásia. Amar a vida é sempre cuidar do outro, desejar o seu bem, cultivar e respeitar a sua dignidade transcendente”.

 

Eu compreendi o drama do aborto no confessionário

No voo de volta do Panamá, em 28 de janeiro de 2019, o Papa explicou que compreendeu o drama do aborto no confessionário:

“O problema não é dar o perdão, mas acompanhar uma mulher que tomou consciente de que fez um aborto. São dramas terríveis. Uma mulher quando pensa sobre o que fez… É necessário estar no confessionário, ali é preciso dar consolo e por isso concedi a todos os sacerdotes a faculdade de absolver o aborto por misericórdia. Muitas vezes, mas sempre, elas devem “encontrar-se” com o filho. Muitas vezes, quando eles choram e têm esta angústia, eu os aconselho da seguinte maneira: o seu filho está no céu, fale com ele, cante-lhe a canção de embalar que não lhe pôde cantar. E ali se encontra uma maneira de reconciliação da mãe com o filho. Com Deus, a reconciliação já existe, Deus perdoa sempre. Mas também ela deve elaborar o que aconteceu. O drama do aborto, para compreendê-lo bem, é preciso estar num confessionário. Terrível”.

A misericórdia de Deus

Na Carta Apostólica Misericordia et misera, publicada em novembro de 2016 na conclusão do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, o Papa Francisco concedia a todos os sacerdotes, em virtude do seu ministério, a faculdade de absolver aqueles que causaram o pecado do aborto. E ele acrescentou:

 “Quero reiterar com todas as minhas forças que o aborto é um grave pecado, porque põe fim a uma vida inocente; mas, com igual força, posso e devo afirmar que não existe algum pecado que a misericórdia de Deus não possa alcançar e destruir, quando encontra um coração arrependido que pede para se reconciliar com o Pai. Portanto, cada sacerdote faça-se guia, apoio e conforto no acompanhamento dos penitentes neste caminho de especial reconciliação” (MM, 12).

 

O apelo de João Paulo II às mulheres que abortaram

Hoje é o 24º aniversário do Evangelium vitae de João Paulo II (25 de março de 1995). O texto continha um forte apelo às mulheres que recorreram ao aborto.

“A Igreja está a par dos numerosos condicionalismos que poderiam ter influído sobre a vossa decisão, e não duvida que, em muitos casos, se tratou de uma decisão difícil, talvez dramática. Provavelmente a ferida no vosso espírito ainda não está sarada. Na realidade, aquilo que aconteceu, foi e permanece profundamente injusto. Mas não vos deixeis cair no desânimo, nem percais a esperança. Sabei, antes, compreender o que se verificou e interpretai-o em toda a sua verdade. Se não o fizestes ainda, abri-vos com humildade e confiança ao arrependimento: o Pai de toda a misericórdia espera-vos para vos oferecer o seu perdão e a sua paz no sacramento da Reconciliação. A este mesmo Pai e à sua misericórdia, podeis com esperança confiar o vosso menino. Ajudadas pelo conselho e pela solidariedade de pessoas amigas e competentes, podereis contar-vos, com o vosso doloroso testemunho, entre os mais eloquentes defensores do direito de todos à vida. Através do vosso compromisso a favor da vida, coroado eventualmente com o nascimento de novos filhos e exercido através do acolhimento e atenção a quem está mais carecido de solidariedade, sereis artífices de um novo modo de olhar a vida do homem” (EV, 99).

 

 

Fonte: Vatican News