Quando Deus parece em silêncio, a Misericórdia continua agindo
Há momentos em que rezamos e parece não haver resposta. Pedimos uma luz, esperamos uma mudança, buscamos um sinal, mas tudo permanece como antes. Nessas horas, pode surgir uma pergunta difícil: onde está Deus?
O silêncio, porém, não significa ausência. A fé cristã não se sustenta apenas naquilo que conseguimos sentir ou compreender. Mesmo quando não percebemos, a Misericórdia de Deus continua agindo.
Nem sempre compreenderemos os caminhos de Deus
É relativamente fácil confiar quando uma oração é atendida da maneira que esperávamos. O verdadeiro abandono começa quando continuamos acreditando mesmo sem compreender o que Deus está realizando.
Jesus também experimentou a angústia e a dor. No Getsêmani, diante da Paixão que se aproximava, rezou ao Pai e entregou-se à Sua vontade. Na Cruz, atravessou a experiência extrema do sofrimento. E foi justamente quando tudo parecia derrota que Deus realizava a obra da Redenção.
Isso nos ensina algo essencial: o agir de Deus nem sempre é imediatamente visível.
Às vezes esperamos que a Misericórdia retire uma dificuldade, enquanto Deus nos concede força para atravessá-la. Pedimos que determinada situação mude, e Ele começa transformando nosso coração. Queremos uma resposta imediata, mas somos convidados a aprender a perseverar.
Santa Faustina também conheceu o silêncio
A espiritualidade da Divina Misericórdia não nasceu de uma vida sem provações. Santa Faustina atravessou períodos de sofrimento, incompreensão, aridez espiritual e momentos nos quais precisou permanecer fiel sem encontrar consolo.
Por isso, uma das grandes lições presentes em seu Diário é a do abandono confiante em Deus. A confiança que Jesus lhe ensinou não dependia de sentir Sua presença a todo instante, mas da certeza de que Sua Misericórdia permanecia maior do que qualquer circunstância.
Em determinado momento, Santa Faustina escreve:
“Ainda que me mateis, confiarei em Vós.”
(Diário de Santa Faustina, §77)
É uma expressão radical de confiança: permanecer com Deus não apenas quando entendemos Seus caminhos, mas também quando tudo parece escuro.
A Misericórdia também trabalha escondida
Uma semente lançada à terra passa muito tempo escondida antes que alguma coisa apareça na superfície. Aos nossos olhos, aparentemente nada acontece. No entanto, por baixo da terra, a vida já começou.
Algo semelhante pode acontecer na vida espiritual.
Há graças que reconhecemos imediatamente. Outras somente compreenderemos muito tempo depois. Existem ainda aquelas cujo sentido talvez permaneça escondido para nós nesta vida.
Por isso, o silêncio de Deus não deve ser confundido com abandono.
Quando faltam respostas, permanece a possibilidade de dizer: Jesus, eu confio em Vós.
Não como uma frase automática, mas como uma decisão de fé: mesmo sem compreender este momento, continuo colocando minha vida em Tuas mãos.
Confiar também quando não sentimos
A devoção à Divina Misericórdia nos recorda que nossa segurança não está na ausência de dificuldades, mas em Quem permanece conosco durante elas.
Talvez hoje exista uma oração que ainda não encontrou resposta. Uma situação que parece não mudar. Uma espera que já dura mais do que imaginávamos.
Continue rezando.
Deus não deixa de ser Misericórdia quando permanece em silêncio. Mesmo escondida aos nossos olhos, Sua graça continua trabalhando.
E talvez seja justamente nesses momentos que a pequena oração ensinada por Jesus adquira seu significado mais profundo:

