São João Paulo II e os 45 anos de uma missão que transformou a história da Divina Misericórdia no Brasil
Celebrado em 22 de outubro, São João Paulo II deixou à Igreja um legado de confiança no amor misericordioso de Deus. Inspirado pela mesma espiritualidade, o Padre André Krzymyczek, MIC, fundou, em 1981, o Apostolado da Divina Misericórdia no Brasil, dando início a uma missão que continua produzindo frutos.
No dia 22 de outubro, a Igreja Católica celebra a memória litúrgica de São João Paulo II, conhecido como o Papa da Misericórdia. Seu pontificado foi profundamente marcado pelo desejo de anunciar ao mundo o amor misericordioso de Deus, especialmente diante das feridas de uma humanidade marcada pelo sofrimento, pelas guerras e pelas injustiças.
Para a Congregação dos Padres Marianos da Imaculada Conceição e para o Apostolado da Divina Misericórdia, essa data também representa uma oportunidade de recordar uma história de fé, perseverança e evangelização que completa 45 anos em 2026.
Foi em 1981 que o sacerdote mariano Padre Andrzej (André) Krzymyczek, MIC, fundou o Apostolado da Divina Misericórdia no Brasil, iniciando um trabalho que contribuiria decisivamente para tornar conhecida a mensagem de Jesus Misericordioso em todo o território nacional.
Duas histórias distintas, mas profundamente unidas pela mesma missão: anunciar ao mundo que a misericórdia de Deus é maior do que qualquer miséria humana.
São João Paulo II: o Papa da Misericórdia
A ligação de São João Paulo II com a Divina Misericórdia começou muito antes de sua eleição ao pontificado, em 1978.
Ainda como sacerdote e, posteriormente, como bispo e arcebispo de Cracóvia, Karol Wojtyła acompanhou de perto a espiritualidade de Santa Faustina Kowalska, religiosa polonesa que recebeu de Jesus a missão de recordar ao mundo a grandeza de Sua misericórdia.
Ao longo de sua trajetória, Wojtyła contribuiu para o esclarecimento das dificuldades que envolviam a difusão da devoção e para o reconhecimento da vida e da espiritualidade de Santa Faustina.
Em 1980, já como Papa, publicou a encíclica Dives in Misericordia (Rico em Misericórdia), na qual apresentou a misericórdia como uma dimensão essencial da revelação do amor de Deus.
Seu compromisso com essa mensagem alcançou um momento histórico em 30 de abril de 2000, quando canonizou Santa Faustina Kowalska e estabeleceu o segundo domingo da Páscoa como o Domingo da Divina Misericórdia para toda a Igreja.
Em 2002, durante sua visita ao Santuário da Divina Misericórdia, em Cracóvia-Łagiewniki, consagrou solenemente o mundo à misericórdia divina, reforçando o chamado para que essa mensagem fosse anunciada a todos os povos.
Seu testemunho ajudou a transformar a espiritualidade da Divina Misericórdia em uma mensagem conhecida e vivenciada por milhões de fiéis ao redor do mundo.
Um livro que revela a missão de João Paulo II pela misericórdia
A dedicação de São João Paulo II à propagação da Divina Misericórdia foi marcada por desafios, perseverança e uma profunda convicção de que a mensagem confiada a Santa Faustina precisava alcançar o mundo inteiro.
Essa trajetória é apresentada no livro “João Paulo II: O Apóstolo da Misericórdia”, publicado pela Editora Divina Misericórdia.
A obra apresenta acontecimentos e desafios enfrentados por Karol Wojtyła em favor da divulgação da espiritualidade da Divina Misericórdia, especialmente em um período no qual a devoção enfrentava dificuldades de reconhecimento.
O livro também aborda a atuação de Wojtyła, ainda como bispo e arcebispo de Cracóvia, seu empenho junto à Santa Sé e os caminhos percorridos para que a mensagem de Santa Faustina fosse corretamente compreendida e difundida.
Mais do que um relato histórico, a publicação permite compreender a profunda ligação espiritual entre dois santos poloneses: Santa Faustina, que recebeu a missão de anunciar a misericórdia divina, e São João Paulo II, que contribuiu decisivamente para sua propagação mundial.
A obra é também um convite para conhecer a perseverança de um homem que compreendeu que a misericórdia precisava ocupar um lugar central na vida da Igreja e da humanidade.
O livro está disponível na Editora Divina Misericórdia:
Padre André Krzymyczek: o missionário que semeou a misericórdia no Brasil
Nascido na Polônia, em 1928, o Padre Andrzej (André) Krzymyczek, MIC, chegou ao Brasil em outubro de 1971. Ao longo de 43 anos de dedicação sacerdotal em terras brasileiras, desempenhou diferentes funções na Congregação dos Padres Marianos, atuando como superior, pároco, mestre de noviços, capelão e diretor do Apostolado da Divina Misericórdia.
Mais do que exercer suas responsabilidades religiosas, Padre André fez do Brasil sua terra de missão, dedicando sua vida a aproximar os brasileiros do amor misericordioso de Deus.
Entretanto, foi em 1981 que um acontecimento transformaria profundamente sua trajetória sacerdotal.
Naquele ano, por intermédio do Padre Ignacy Różycki, MIC, sacerdote mariano que trabalhava nos Estados Unidos, Padre André teve seu primeiro contato com a devoção à Divina Misericórdia, conforme as revelações de Jesus a Santa Faustina.
Inicialmente, não demonstrou grande interesse pelo material apresentado. Contudo, após a leitura das primeiras dez páginas, ficou profundamente tocado pela mensagem e passou a dedicar-se de coração àquela espiritualidade.
A partir desse encontro, o Terço da Divina Misericórdia tornou-se parte de sua vida de oração, sendo rezado diariamente até seus últimos dias.
Ainda em 1981, durante o Capítulo da Congregação dos Padres Marianos, realizado em Roma, Padre André recebeu do Padre Seraphim Michalenko, MIC, um exemplar do Diário de Santa Faustina.
A edição havia sido publicada naquele mesmo ano nos Estados Unidos, fruto da colaboração entre os Padres Marianos norte-americanos e as Irmãs de Nossa Senhora da Misericórdia.
Ao retornar ao Brasil, Padre André trouxe consigo não apenas o Diário, mas também um profundo entusiasmo pela missão de tornar conhecida a mensagem de Jesus Misericordioso.
Foi desse encontro com a espiritualidade de Santa Faustina que nasceu, em 1981, o Apostolado da Divina Misericórdia no Brasil.
O Diário de Santa Faustina e o crescimento do Apostolado
A partir da fundação do Apostolado, Padre André iniciou um intenso trabalho de evangelização, dedicando-se à publicação de materiais religiosos e à realização de retiros sobre o mistério da misericórdia divina.
Sua missão o levou a diferentes regiões do Brasil, enfrentando dificuldades, incompreensões e sofrimentos, mas mantendo-se fiel ao propósito de anunciar o amor misericordioso de Jesus.
Em 1982, foi responsável pela publicação da primeira edição brasileira do Diário de Santa Faustina, um acontecimento que representou um marco na história da devoção à Divina Misericórdia no país.
Naquele mesmo ano, elaborou o conteúdo do livreto Novena à Divina Misericórdia, que também se tornaria um importante instrumento de oração e evangelização.
Por meio dessas publicações, dos retiros e das atividades desenvolvidas pelo Apostolado, a mensagem de Santa Faustina começou a alcançar pessoas de diferentes regiões e realidades brasileiras.
O trabalho perseverante do Padre André permitiu que a devoção à Divina Misericórdia se difundisse progressivamente pelos estados brasileiros, formando uma história de evangelização que continuaria crescendo ao longo das décadas.
Entre 1994 e 2006, também exerceu atividades pastorais no Santuário da Divina Misericórdia, em Curitiba, enquanto permanecia à frente do Apostolado.
Padre André faleceu em 26 de novembro de 2014, aos 86 anos, após uma vida dedicada à missão sacerdotal e à propagação da misericórdia divina.
Seu corpo foi sepultado no cemitério dos Padres Marianos, junto ao Santuário da Divina Misericórdia, deixando um legado espiritual que permanece vivo na história da Congregação e na vida de inúmeros devotos.
Uma missão que continua viva após 45 anos
Em 2026, o Apostolado da Divina Misericórdia celebra 45 anos de fundação, recordando com gratidão a coragem missionária e a fidelidade do Padre André Krzymyczek, MIC.
A semente plantada em 1981 continua produzindo frutos por meio do trabalho dos Padres Marianos, que seguem dedicados à evangelização e à propagação da mensagem de Jesus Misericordioso.
Atualmente, o Apostolado desenvolve encontros, retiros, formações, publicações e iniciativas missionárias que ajudam a levar a espiritualidade da Divina Misericórdia a diferentes comunidades.
O Diário de Santa Faustina permanece como um dos principais instrumentos dessa missão, oferecendo aos leitores um caminho de aprofundamento espiritual, conversão e confiança no amor de Deus.
Entre as iniciativas desenvolvidas estão também ações de solidariedade e evangelização, como o envio de exemplares do Diário e de materiais religiosos para comunidades em situação de vulnerabilidade, incluindo aquelas atendidas por missionários na Ilha de Marajó, no Pará.
É nesse mesmo espírito de continuidade que o Apostolado desenvolve a campanha Semeadores da Misericórdia, reunindo pessoas que desejam colaborar com a missão de evangelizar, formar e levar a mensagem da misericórdia a novos corações.
A iniciativa recorda que a propagação da fé é uma missão compartilhada e que cada gesto de generosidade pode contribuir para que o amor misericordioso de Jesus seja conhecido por mais pessoas.
Assim, o trabalho iniciado pelo Padre André continua encontrando novos caminhos para cumprir sua finalidade: tornar a misericórdia de Deus cada vez mais conhecida e vivenciada.
O legado de São João Paulo II e a mensagem de Santa Faustina
Celebrar São João Paulo II é recordar um homem que compreendeu profundamente a necessidade de anunciar a misericórdia em um mundo marcado por tantas feridas.
Sua vida foi testemunho de fé, coragem e confiança em Deus. Mesmo diante do sofrimento, das enfermidades e das dificuldades, permaneceu fiel à missão que lhe foi confiada.
Ao longo de seu pontificado, procurou mostrar que a misericórdia não é sinal de fraqueza, mas manifestação da grandeza do amor divino.
Essa compreensão encontra profunda sintonia com os ensinamentos registrados por Santa Faustina em seu Diário.
No número 300, Jesus revela à religiosa uma mensagem que se tornaria um dos grandes fundamentos da espiritualidade da Divina Misericórdia:
“A humanidade não encontrará paz enquanto não se voltar, com confiança, para a Minha misericórdia.” (Diário, 300)
Essas palavras expressam a urgência de uma mensagem que São João Paulo II dedicou grande parte de seu pontificado a anunciar: a verdadeira paz nasce do encontro com o amor misericordioso de Deus.
Ao canonizar Santa Faustina e instituir o Domingo da Divina Misericórdia para toda a Igreja, o Pontífice contribuiu para que esse chamado ultrapassasse fronteiras e alcançasse milhões de pessoas.
No Brasil, essa mesma mensagem encontrou no Padre André Krzymyczek, MIC, um missionário disposto a dedicar sua vida à propagação da misericórdia.
Embora tenham desempenhado missões diferentes, São João Paulo II e Padre André partilharam uma profunda convicção: o mundo precisa conhecer o amor misericordioso de Deus.
Ao recordar a memória litúrgica de São João Paulo II e os 45 anos de fundação do Apostolado da Divina Misericórdia, somos convidados a agradecer por todos aqueles que contribuíram para que essa mensagem chegasse a tantos corações.
Que o exemplo do Papa da Misericórdia e o testemunho missionário do Padre André nos inspirem a permanecer fiéis à missão de anunciar o amor de Deus, especialmente àqueles que mais necessitam de esperança, perdão e reconciliação.
E que, seguindo os ensinamentos de Santa Faustina, possamos renovar diariamente nossa confiança naquele que é a fonte inesgotável de toda misericórdia.
São João Paulo II, rogai por nós!
Jesus, eu confio em Vós!

