Dom Pedro Fedalto: uma vida centenária dedicada à Igreja e ao anúncio do Evangelho
Arcebispo emérito de Curitiba faleceu aos 100 anos, deixando um legado de fé, serviço e dedicação à Igreja que atravessa gerações
A Igreja de Curitiba vive dias de despedida e, sobretudo, de gratidão. Após o falecimento de Dom Pedro Antônio Marchetti Fedalto, Arcebispo Emérito de Curitiba, ocorrido no sábado, 26 de setembro de 2026, aos 100 anos, permanece a memória de um pastor cuja história se confunde com a própria caminhada da Igreja no Paraná.
Depois das celebrações exequiais e do sepultamento na cripta da Catedral Basílica Menor de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, nesta segunda-feira, 28 de setembro, é tempo também de recordar uma vida inteiramente dedicada ao serviço de Deus e do povo.
Dom Pedro nasceu em Curitiba, em 11 de agosto de 1926, justamente no mesmo ano da criação da Arquidiocese de Curitiba. Um século depois, no ano em que a Igreja particular celebra seu centenário, encerrou sua peregrinação terrena aquele que acompanhou de perto grande parte dessa história.
Uma vocação cultivada desde a juventude
Filho de imigrantes italianos, Dom Pedro ingressou, aos 14 anos, no Seminário Menor São José, em Curitiba. Posteriormente, estudou Filosofia e Teologia no Seminário Central da Imaculada Conceição do Ipiranga, em São Paulo.
Foi ordenado sacerdote em 6 de dezembro de 1953, na Catedral Nossa Senhora da Luz dos Pinhais.
Em 1966, aos 39 anos, foi nomeado bispo auxiliar de Curitiba. Cinco anos depois, em 1971, assumiu como Arcebispo de Curitiba, missão que exerceria por mais de três décadas.
Seu episcopado se tornaria o mais longo da história da Arquidiocese.
Um pastor que ajudou a construir a história da Igreja de Curitiba
Durante seu ministério episcopal, Dom Pedro acompanhou profundas transformações na Igreja e na sociedade.
Seu trabalho deixou marcas concretas na organização pastoral da Arquidiocese. Durante seu episcopado, foram criadas 74 novas paróquias e 74 sacerdotes diocesanos foram ordenados. Também acolheu diferentes congregações religiosas masculinas e femininas e trabalhou pela organização e descentralização pastoral da Arquidiocese.
Dom Pedro também esteve à frente do Regional Sul 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) durante 28 anos, entre 1968 e 1995, contribuindo para a caminhada pastoral da Igreja em todo o Paraná.
Sua atuação atravessou momentos históricos e ajudou a aproximar gerações diferentes da Igreja.
Mais do que números ou cargos, porém, permaneceu o testemunho de um homem profundamente ligado à missão que lhe havia sido confiada.
“A Verdade na Caridade”
O lema episcopal escolhido por Dom Pedro expressou também aquilo que procurou viver durante seu ministério:
“Veritatem in Caritate” — “A Verdade na Caridade”.
Ao completar 100 anos, em agosto deste ano, a Presidência da CNBB recordou justamente a simplicidade e a fidelidade que marcaram sua caminhada, destacando que a grandeza do ministério episcopal não está nas honras ou no prestígio, mas no serviço e na entrega da própria vida pelo rebanho.
Uma vida que atravessou transformações profundas na sociedade, na Igreja e na própria cidade de Curitiba, mantendo como referência a fidelidade ao Evangelho.
Uma presença discreta depois do episcopado
Ao tornar-se arcebispo emérito, em 2004, Dom Pedro escolheu viver no Seminário São José, lugar que havia marcado também o início de sua formação.
Ali permaneceu próximo das novas gerações de sacerdotes.
A discrição tornou-se uma característica marcante dessa etapa de sua vida. Conforme recordou a Presidência da CNBB Regional Sul 2 por ocasião de seu falecimento, Dom Pedro procurou viver sua emeritude de maneira silenciosa, respeitando plenamente o ministério de seus sucessores, mas permanecendo disponível como referência de experiência, sabedoria e conselho.
Sua história continuava sendo transmitida não apenas pelos registros escritos, mas pela convivência.
Um século de vida, um século de Arquidiocese
Há uma particularidade que torna este momento ainda mais significativo para a Igreja de Curitiba.
Dom Pedro nasceu em 1926. A Arquidiocese de Curitiba também nasceu em 1926.
Em agosto de 2026, enquanto a Arquidiocese celebrava seus 100 anos de criação, Dom Pedro também celebrava seu centenário de vida.
Seminarista, sacerdote, bispo auxiliar, arcebispo e, posteriormente, arcebispo emérito, sua caminhada pessoal acompanhou praticamente toda a história centenária da Igreja particular de Curitiba.
Dom Pedro não foi apenas testemunha dessa história. Ele ajudou a construí-la.
Da despedida nasce a gratidão
Dom Pedro Fedalto faleceu na tarde de sábado, 26 de setembro. Durante o domingo, fiéis, sacerdotes, religiosos, religiosas, movimentos, pastorais e representantes dos diferentes setores da Arquidiocese se reuniram na Catedral de Curitiba em oração.
Na manhã desta segunda-feira, 28 de setembro, foi celebrada a Santa Missa em sufrágio por sua alma, seguida de seu sepultamento na cripta da Catedral.
Encerrou-se, assim, sua peregrinação terrena. Mas uma vida de 100 anos dedicada à Igreja deixa marcas que permanecem.
Para aqueles que creem, a despedida não possui a última palavra.
Diante da morte, permanece a esperança cristã na Ressurreição e a confiança na infinita Misericórdia de Deus.
Ao recordar Dom Pedro Fedalto, a Igreja agradece pelo sacerdote, pelo bispo, pelo pastor e pelo homem que dedicou sua existência ao serviço do Evangelho.
Seu centenário de vida ficará para sempre entrelaçado ao centenário da Arquidiocese que tanto amou e serviu.
Que Jesus Misericordioso acolha Dom Pedro em Sua infinita Misericórdia e conceda-lhe a alegria da vida eterna.
Obrigado, Dom Pedro, por uma vida inteira entregue à Igreja.
“Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que tenha morrido, viverá.”
(Jo 11,25)

