Ícone Mãe da Misericórdia, confira sua história

Ícone da Mãe de Misericórdia, tem sua história 

A devoção à Mãe da Misericórdia evidenciou-se a partir do século XVI. Maria Santíssima passou a ser venerada não somente como Mãe Dolorosa – que acompanha o Filho no Calvário,
mas também como Mãe Misericordiosa Corredentora.


O Ícone da Mãe de Misericórdia foi pintada por volta de 1620 na Lituânia, a pedido da prefeitura de Vilnius para uma das nove portas da muralha que cercam a cidade, construída para protegê-la da iminente invasão tártara. Essa imagem seria sinal de proteção aos que por ela passassem. Foi colocada sobre a principal porta, conhecida como Porta da Aurora, em polonês, Ostra Brama.

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icone da mãe da Misericórdia
Mais adiante foi também colocado uma imagem de Cristo Salvador (da qual resta uma cópia no museu Dailés). A disposição dessas duas imagens possuía um forte significado: o caminho que leva o cristão por Maria a Cristo, e também por Cristo à Maria. Um pregador, por volta de 1670, dizia: “Para entrar e sair da cidade, os homens têm que passar por esta porta. Assim, na Porta do Céu está esperando por nós Maria Santíssima. Por suas mãos passam as graças do Céu para a Terra e, por intercessão e com a ajuda dela, os homens entram no Céu. Ela é a Porta do Céu pela qual veio à terra o Dom Magnífico ‒ Eterno Filho de Deus. Não existe outra porta pela qual passem as graças do Céu, a não ser pelas mãos da Mãe de Deus. (…) A porta serve também para proteger. Portanto, a Igreja tem sua Protetora”.

ícone da Mãe da Misericórdia

A imagem, feita originalmente como pintura convencional, representa a Virgem Santíssima com as mãos espalmadas cruzadas sobre o peito e a cabeça inclinada, envolta em véu branco, vestida com túnica vermelha, recoberta com manto azul, envolta por grossos raios de luz. Inserida na parede, era protegida da neve e do vento por uma persiana. Em 1626 um convento de frades Carmelitas Descalços é inaugurado anexo ao portal. Em 1655, um incêndio provocado pelos invasores russos destrói a Porta da Aurora ‒ a imagem escapa ilesa, ficando sob o cuidado dos Carmelitas, que inauguram em 1671 uma capela no mesmo lugar.

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Nesse tempo a imagem é revestida por uma camada de prata, aproximando-a da tradição iconográfica oriental. O fundo, as mãos e o rosto da Virgem escureceram com o tempo. Entre os elementos acrescidos à obra encontra-se a dupla coroa (século XVIII, que se perdeu na Segunda Guerra Mundial), o manto com rosas, tulipas, cravos e outras flores em prata, e a lua crescente projetada na frente da imagem (1849): elementos vinculados à representação da Imaculada Conceição.

Em 1715, um novo incêndio atingiu Vilnius. A imagem é salva e levada para a igreja de Santa Teresa, enquanto o portal é reconstruído na forma de capela. Em 1761, os Carmelitas publicam uma coletânea de milagres atribuídos a ela, especialmente na proteção da cidade.

Em 1773, o Papa Clemente XIV concede indulgências a quem rezar diante dela. Quando os russos destroem a muralha da cidade entre 1799-1802, é poupado apenas o portal da imagem, devido a fama e reverência que ela despertava nos ortodoxos. O próprio convento foi dissolvido em 1844 pelos russos.

Em 02.07.1927, a imagem mais cara à piedade do povo lituano, a da Mãe de Misericórdia, foi canonicamente coroada por decreto do Papa Pio XI. Recebeu, então, nova coroas de ouro. No domingo seguinte à Páscoa de 1935, em Ostra Brama, junto ao ícone da Mãe de Misericórdia, o Padre Miguel Sopoćko expôs pela primeira vez a imagem de Jesus Misericordioso para a veneração pública, conforme as disposições apresentadas pelo próprio Cristo à Santa Faustina, religiosa da Congregação das Irmãs de Nossa Senhora da Misericórdia.

joao paulo II reza no ícone da Mãe da Misericórdia
Na Segunda Guerra Mundial, o ícone da Mãe de Misericórdia não foi retirado de seu lugar. Com o país anexado pela União Soviética, todas as igrejas da capital foram fechadas, exceto a da Porta da Aurora. Já dissolvida a URSS em 1993, o Papa São João Paulo II recitou o terço na capela junto à imagem. No mistério de sua Imaculada Conceição, Maria foi objeto da misericórdia previdente do Senhor. A ela apraz socorrer seus filhos, sujeitos à concupiscência, da qual ela não teve mancha.

 

Maria sente compaixão pelos seus filhos. Suplica por eles a Jesus. Na sua grandeza, ela é ao mesmo tempo a humilde serva do Senhor e a intercessora nossa.

 

 

Por Volnei Gervásio Grebogi