Papa Francisco: os avós e os idosos não são sobras de vida, para jogar fora

Dom Rino Fisichella celebra a Missa do 1º Dia Mundial dos Avós e dos Idosos

 

A missa do primeiro Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, neste domingo (25/07), na Basílica de São Pedro, foi celebrada por dom Rino Fisichella, presidente do Pontifício Conselho para a Nova Evangelização.

O Papa Francisco não presidiu a celebração devido à sua recente cirurgia, mas a sua homilia foi lida por dom Fisichella. O Papa desenvolveu a sua homilia do Evangelho (João 6,11) deste domingo, refletindo sobre três momentos de Jesus e relacionando sobre a maneira que se convive com os idosos.

Os momentos são: Jesus vê a fome da multidão; Jesus partilha o pão; Jesus recomenda a recolher os pedaços que sobraram.

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  1. Ver

Jesus vê a multidão faminta depois de ter caminhado tanto para encontrá-lo. “O milagre começa assim, com o olhar de Jesus; Preocupa-se conosco, cuida de nós, quer saciar a nossa fome de vida, amor e felicidade. Jesus tem um olhar contemplativo, isto é, capaz de parar em frente da vida do outro e ler dentro dela.”

 

Para o Papa:

“Este é também o olhar que os avós e os idosos tiveram sobre a nossa vida. Foi o modo como cuidaram de nós, desde a nossa infância. Depois de uma vida feita muitas vezes de sacrifícios, não se mostraram indiferentes a nosso respeito; mas tiveram olhos atentos, cheios de ternura. No nosso crescimento eles deram-se conta de nós, do que estava a mudar no nosso coração, das nossas lágrimas escondidas e dos sonhos que trazíamos dentro de nós. Todos nos sentamos no colo dos avós, que nos pegaram no colo. E foi também graças a este amor que nos tornamos adultos.”

A seguir, Francisco fez as seguintes perguntas: “E nós! Que olhar temos para com os avós e os idosos? Quando foi a última vez que fizemos companhia ou telefonamos a um idoso para o certificar da nossa proximidade e deixar-nos abençoar pelas suas palavras?”

“Os avós, que alimentaram a nossa vida, hoje têm fome de nós: da nossa atenção, da nossa ternura; de sentir-nos perto deles. Ergamos o olhar para eles, como Jesus faz conosco.”

  1. Partilhar

Jesus partilha o pão. “Mas isto acontece graças à dádiva dum jovem, que oferece os seus cinco pães e os dois peixes.”

De acordo com o Pontífice:

“Hoje há necessidade duma nova aliança entre jovens e idosos, necessidade de partilhar o tesouro comum da vida, sonhar juntos, superar os conflitos entre as gerações para preparar o futuro de todos.  Frequentemente, na nossa sociedade, deixamos a vida guiar-se por esta ideia: «cada um pensa por si». Mas isto mata! O Evangelho nos exorta a partilhar o que somos e temos: só assim poderemos ser saciados.”

 

  1. Guardar

Jesus recomenda a recolher os pedaços que sobraram. “Assim é o coração de Deus: não apenas nos dá mais do que precisamos, mas preocupa-se também que nada se perca, nem um pedaço sequer.”

O Papa explica que aos olhos de Deus nada deve ser descartado; ninguém deve ser descartado. Este é um convite que “somos chamados a fazer ressoar em nós e no mundo: recolhei, conservai cuidadosamente, guardai.”

“Os avós e os idosos não são sobras de vida, desperdícios para jogar fora. Mas são aqueles preciosos pedaços de pão deixados na mesa da nossa vida, que ainda nos podem nutrir com uma fragrância que perdemos, «a fragrância da memória». Não percamos a memória de que os idosos são portadores, porque somos filhos daquela história e, sem raízes, murcharemos. Guardaram-nos no caminho do nosso crescimento, agora cabe a nós guardar a vida deles, aliviar as suas dificuldades, atender às suas necessidades, criar as condições que lhes permitam ver facilitadas as suas tarefas diárias e não se sintam sozinhos.”

O Santo Padre pediu que cada um se perguntasse: «Visitei os avós? Os idosos da minha família ou do meu bairro? Prestei-lhes atenção? Dediquei-lhes algum tempo?» Guardemo-los, para que nada se perca: nada da sua vida e dos seus sonhos. Cabe a nós, hoje, prevenir o lamento de amanhã por não termos dedicado suficiente atenção a quem nos amou e nos deu a vida.

A homilia do Papa se conclui com as seguintes palavras:

Os avós e os idosos são pão que nutre a nossa vidaSejamos agradecidos pelos seus olhos atentos, que se aperceberam de nós, pelos seus braços que nos deram colo, pelas suas mãos que nos acompanharam e levantaram, pelos jogos que fizeram conosco e pelas carícias com que nos consolaram. Por favor, não nos esqueçamos deles. Nunca os descartemos. E juntos, jovens e idosos, nos saciaremos à mesa da partilha, abençoada por Deus.”

 

Fonte: Vatican News