Santa Mônica e Santa Faustina: quando a oração confia na Misericórdia

Há orações que parecem ser atendidas rapidamente. Outras atravessam dias, meses e até anos. Santa Mônica conheceu profundamente essa espera.

Durante muitos anos, ela rezou pela conversão de seu filho, Agostinho. Humanamente, poderia haver muitos motivos para desanimar. No entanto, o coração daquela mãe permaneceu voltado para Deus, sustentado pela esperança de que a graça poderia alcançar o coração de seu filho.

Séculos mais tarde, Santa Faustina Kowalska receberia de Jesus uma missão profundamente marcada por essa mesma atitude espiritual: confiar na Misericórdia de Deus mesmo quando ainda não conseguimos enxergar os frutos.

Santa Faustina não menciona Santa Mônica nem Santo Agostinho em seu Diário. Ainda assim, a espiritualidade da confiança e da intercessão presente em seus escritos nos ajuda a contemplar, sob a luz da Divina Misericórdia, a perseverança daquela mãe que nunca deixou de rezar.

Uma mãe que não desistiu de seu filho

Santa Mônica nasceu no século IV e é lembrada especialmente por sua perseverante oração pela conversão de Santo Agostinho.

Agostinho passou parte de sua juventude distante da fé cristã. Sua mãe sofreu ao vê-lo seguir caminhos diferentes daqueles que desejava para ele, mas não permitiu que a dor tivesse a última palavra.

Mônica rezou. Chorou. Esperou. Acompanhou o filho e confiou na ação de Deus.

Foram anos de perseverança até que Agostinho finalmente encontrou o caminho da conversão. Em Milão, sob a influência de Santo Ambrósio, ele abraçou a fé cristã e recebeu o Batismo.

Aquilo que durante tanto tempo havia sido apresentado por Mônica a Deus em lágrimas começava, enfim, a produzir frutos.

Quando rezamos por alguém que amamos

A história de Santa Mônica toca especialmente aqueles que carregam no coração o nome de alguém.

Um filho afastado da Igreja. Um esposo ou uma esposa que perdeu a fé. Um familiar enfrentando dificuldades. Uma pessoa querida que parece cada vez mais distante de Deus.

Nessas situações, pode surgir uma pergunta dolorosa:

Até quando devo continuar rezando?

A vida de Santa Mônica responde com perseverança. E a espiritualidade de Santa Faustina acrescenta uma palavra essencial: confiança.

No Diário, Jesus ensina Santa Faustina sobre o valor da oração oferecida pelas almas e a convida continuamente a confiar em Sua Misericórdia.

No número 531, encontramos uma espiritualidade de intercessão na qual oração, sacrifícios, trabalhos e sofrimentos podem ser unidos a Cristo e oferecidos pelas almas.

Essa perspectiva ilumina de maneira especial a experiência de Santa Mônica. Sua oração não foi apenas um pedido repetido. Sua própria vida tornou-se uma oferta de amor pela conversão do filho.

Confiar quando ainda não vemos os frutos

Talvez uma das maiores provações da oração seja continuar confiando quando aparentemente nada está acontecendo.

É justamente aqui que Santa Faustina pode nos ajudar.

No número 1578 do Diário, Jesus apresenta a confiança como o vaso com o qual a alma se aproxima da fonte de Sua Misericórdia.

Essa imagem é preciosa.

Deus continua agindo mesmo quando nossos olhos ainda não conseguem perceber. A oração feita com confiança não exige que saibamos quando ou de que maneira o Senhor responderá.

Confiar significa entregar.

Santa Mônica não conhecia todos os caminhos pelos quais Deus conduziria Agostinho. Ela simplesmente continuou colocando seu filho diante do Senhor.

E Deus estava trabalhando naquele coração.

A Misericórdia é maior que o pecado

A conversão de Santo Agostinho também nos recorda outra verdade fundamental da mensagem da Divina Misericórdia: nenhuma alma está fora do alcance da graça de Deus.

No Diário, especialmente nos diálogos de Jesus com a alma pecadora, Santa Faustina registra repetidamente o chamado para que o pecador não tenha medo de se aproximar da Misericórdia.

O passado não precisa ser a palavra definitiva sobre uma vida.

Agostinho, depois de sua conversão, tornou-se bispo, teólogo, Doutor da Igreja e um dos grandes santos do cristianismo.

Aquele filho por quem uma mãe derramou tantas lágrimas tornou-se instrumento para conduzir incontáveis almas a Deus ao longo dos séculos.

Que frutos Santa Mônica poderia imaginar enquanto ainda estava rezando?

Talvez nenhum deles.

Ela apenas confiou.

Não desista de apresentar essa pessoa a Jesus

A memória de Santa Mônica pode ser um convite muito concreto para nós.

Talvez exista hoje alguém por quem você já rezou tantas vezes que começa a pensar que suas orações não estão produzindo frutos.

Continue colocando essa pessoa diante de Jesus Misericordioso.

Você não precisa conhecer os caminhos que Deus utilizará. Não precisa determinar o tempo da graça. Também não precisa carregar sozinho aquilo que está além das suas forças.

Entregue.

Reze.

Confie.

E, quando o desânimo chegar, recorde-se de Santa Mônica.

Durante anos, ela viu apenas a semente escondida sob a terra. Deus, porém, já preparava uma grande colheita.

Uma oração inspirada na confiança

Santa Mônica,
vós que perseverastes na oração
e entregastes a Deus a vida de vosso filho,
ensinai-nos a não desanimar.

Intercedei pelas mães e pelos pais
que hoje choram por seus filhos,
pelas famílias que rezam pela conversão de alguém
e por todos aqueles que esperam uma graça há muito tempo.

Santa Faustina, Apóstola da Divina Misericórdia,
ensinai-nos a confiar no Coração Misericordioso de Jesus,
mesmo quando ainda não conseguimos enxergar os frutos de nossas orações.

Jesus Misericordioso,
recebei aqueles que colocamos hoje diante de Vós.

Nós não conhecemos os Vossos caminhos,
mas confiamos no Vosso amor.

Jesus, eu confio em Vós!

Santa Mônica, rogai por nós!
Santa Faustina, rogai por nós!