Todos os anos, entre os dias 15 de agosto e 29 de setembro, muitos fiéis vivem um período especial de oração, penitência e busca por uma vida mais próxima de Deus: a Quaresma de São Miguel Arcanjo.

A devoção nos convida a recordar a missão daquele que a Igreja reconhece como poderoso defensor no combate contra o mal. Mas você sabia que Santa Faustina Kowalska, a Apóstola da Divina Misericórdia, também nutria uma profunda devoção a São Miguel Arcanjo?

Em seu Diário, Santa Faustina registra experiências marcantes relacionadas ao Arcanjo e revela que chegou a receber dele uma assistência especial.

A devoção de Santa Faustina a São Miguel

A relação de Santa Faustina com o mundo angélico ocupa um lugar muito bonito em sua espiritualidade. Ela relata diversas experiências com seu Anjo da Guarda e com outros Anjos e, entre os Arcanjos, São Miguel recebe uma atenção especial.

No número 667 do Diário, Faustina deixa registrada de maneira muito clara sua admiração por ele:

“Tenho uma grande devoção por São Miguel Arcanjo.”

O que chama a atenção de Santa Faustina é particularmente a fidelidade de São Miguel à vontade de Deus. Ela contempla aquele que, diante da prova dos Anjos, permaneceu fiel ao Senhor.

Essa característica encontra profunda sintonia com a própria espiritualidade de Faustina. Afinal, ao longo de seu Diário, encontramos continuamente seu desejo de abandonar a própria vontade para cumprir inteiramente a vontade de Deus.

São Miguel torna-se, assim, não somente um poderoso intercessor, mas também um exemplo de fidelidade, humildade e obediência ao Senhor.

“Não temas. Quem como Deus!”

Um dos relatos mais impressionantes acontece justamente no dia dedicado a São Miguel Arcanjo.

Santa Faustina escreve no número 706 de seu Diário que viu São Miguel próximo dela. O Arcanjo lhe revelou que o próprio Senhor lhe havia recomendado que tivesse um cuidado especial com ela.

E, diante dos ataques do mal que Faustina enfrentava por causa de sua missão, São Miguel lhe dirige uma mensagem que atravessa o tempo e também pode fortalecer nossa confiança:

“Não temas. Quem como Deus!”

Depois daquela experiência, Faustina registra algo ainda mais belo: mesmo após deixar de vê-lo, ela continuava percebendo sua presença e sua ajuda.

Não se trata simplesmente de uma narrativa extraordinária. O episódio nos recorda uma verdade fundamental da vida cristã: o mal nunca possui a palavra definitiva. Deus é soberano.

“Quem como Deus?” é justamente o significado tradicionalmente associado ao nome Miguel.

Por isso, a devoção ao Arcanjo não deve conduzir ao medo ou a uma preocupação exagerada com a ação do maligno. Pelo contrário: deve conduzir a uma confiança ainda maior no poder e na misericórdia de Deus.

São Miguel e o combate espiritual de Santa Faustina

A missão confiada a Santa Faustina não foi isenta de dificuldades. Ela experimentou incompreensões, sofrimentos físicos e espirituais e diferentes provações.

Entretanto, algo aparece constantemente em seus escritos: quanto mais a luta aumentava, mais ela procurava abandonar-se em Deus.

No número 480 do Diário, também relacionado à Festa de São Miguel, Faustina descreve uma profunda união com Deus. Depois da oração, percebe-se cheia de força e de uma coragem extraordinária diante dos sofrimentos e das lutas.

É uma chave importante para compreender corretamente a devoção a São Miguel.

O Arcanjo não ocupa o lugar de Deus. Ele conduz a Deus, serve a Deus e combate em defesa do plano de Deus.

A verdadeira vitória espiritual não nasce simplesmente das nossas forças, mas da união com o Senhor.

Os Anjos são também manifestação da Misericórdia de Deus

Essa dimensão é aprofundada na obra Os Anjos no Diário de Santa Faustina, do Pe. Titus Kieninger, ORC, publicada pela Editora Divina Misericórdia.

Partindo dos escritos de Santa Faustina, o autor apresenta a presença e a missão dos Anjos na vida espiritual, mostrando como esses servidores de Deus aparecem diversas vezes nas experiências narradas pela santa.

Anjo da Guarda, coros angélicos, proteção dos lugares sagrados e a atuação de São Miguel são alguns dos elementos que ajudam o leitor a compreender melhor o universo angélico presente no Diário.

Mais do que despertar curiosidade sobre os Anjos, a reflexão conduz a uma verdade maior: tudo parte da bondade e da Misericórdia de Deus.

Os Anjos são criaturas de Deus e servidores de Seu plano de salvação.

Por isso, conhecer melhor sua missão também pode nos ajudar a reconhecer quanto Deus cuida de seus filhos.

Quaresma de São Miguel: um tempo para voltar o coração a Deus

A Quaresma de São Miguel Arcanjo é tradicionalmente vivida entre 15 de agosto, Solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria, e 29 de setembro, Festa dos Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael.

É um período devocional marcado pela oração e pela penitência, associado à tradição espiritual de São Francisco de Assis, que possuía grande devoção a São Miguel.

Mais do que simplesmente repetir orações durante quarenta dias, esse caminho pode ser uma oportunidade concreta para realizar aquilo que encontramos tão fortemente na espiritualidade de Santa Faustina: confiar mais em Deus, combater o pecado, crescer na humildade e procurar cumprir Sua vontade.

Nesse sentido, a experiência de Santa Faustina pode iluminar profundamente a vivência da Quaresma de São Miguel.

Diante das tentações: confiança em Deus.

Diante das dificuldades: perseverança.

Diante do medo: abandono.

Diante do mal: “Quem como Deus?”

Uma companhia para este caminho espiritual

Para aqueles que desejam conhecer mais profundamente a presença dos Anjos na espiritualidade de Santa Faustina, o livro Os Anjos no Diário de Santa Faustina, do Pe. Titus Kieninger, ORC, pode ser uma excelente companhia de leitura e formação.

Ao percorrer os relatos da santa, somos convidados não apenas a conhecer melhor os Anjos, mas também a redescobrir uma realidade consoladora da fé: Deus não abandona seus filhos em suas batalhas.

Santa Faustina experimentou essa assistência de maneira muito particular.

E a mensagem recebida por ela de São Miguel continua sendo um convite à confiança para todos aqueles que atravessam suas próprias lutas:

“Não temas. Quem como Deus!”

Que neste período da Quaresma de São Miguel possamos, seguindo o exemplo de Santa Faustina, renovar nossa confiança na Misericórdia Divina e pedir:

São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate e conduzi-nos sempre para mais perto de Deus. Amém.