Exercício espiritual: As graças de Deus

Nem graças, nem aparições, nem êxtases ou qualquer outro dom que lhe seja concedido tornam a alma perfeita, mas sim a união íntima com Deus” (Diário, 1107).

O exercício espiritual desta semana é sobre a graça de Deus. Vamos aprender como ser ajudados e como responder ao agir de Deus. Santa Faustina também nos conta um segredo – uma pérola de sabedoria que aprendeu com a experiência sobre a necessidade de orar por uma “graça real”. Vamos começar!

O Catecismo da Igreja Católica ensina: “A graça é uma participação na vida de Deus” (CIC, 1997). “Graça é o que precisamos além do que temos por natureza para alcançar nosso destino celestial”, escreveu o servo de Deus, Pe. John A. Hardon, SJ.

No Evangelho de São João, lemos: “Sabemos que Deus não ouve os pecadores, mas ele ouve alguém que o adora e obedece à sua vontade” (Jo 9,31). Portanto, devemos procurar e fazer a vontade de Deus para que Ele ouça nossas orações. No entanto, Deus é misericordioso e certamente pode ouvir a oração sincera de um pecador.

Devemos também saber que, além de a oração ser necessária para obter graças de Deus, devemos cooperar com a graça, a fim de desfrutar de uma recompensa eterna no céu. O Catecismo diz: “Jesus nos ensina que alguém entra no reino dos céus não por falar palavras, mas por fazer ‘a vontade de meu Pai no céu’ [Mt 7:21]” (CIC, 2826).

O que é graça?

A graça de Cristo é o dom gratuito que Deus nos faz de sua própria vida, infundido pelo Espírito Santo em nossa alma para curá-la do pecado e santificá-la” (CIC, 1999). A graça é um dom poderoso, que é “antes de tudo o dom do Espírito Santo que nos justifica e santifica” (CIC, 2003). O Espírito Santo nos dá graças especiais que nos ajudam a ajudar os outros, assim como a Igreja. Especificamente, o Catecismo ensina: “A graça também inclui os dons que o Espírito Santo nos concede para nos associar à sua obra, para nos permitir colaborar na salvação de outras pessoas e no crescimento do Corpo de Cristo, a Igreja” (CIC 2003).

Existem graças que são específicas para os diferentes sacramentos; estes são chamados graças sacramentais. Existem também graças chamadas carismas. Às vezes, seu caráter é extraordinário – “como o dom de milagres ou de línguas” -, mas todos os “carismas são orientados para a graça santificadora e são destinados ao bem comum da Igreja … a serviço da caridade que edifica a Igreja [cf. 1 Cor 12]” (CIC, 2003).

Aprendemos na Carta de São Paulo aos Romanos que nossos dons diferem dos dons de outras pessoas, dependendo das graças que recebemos. Particularmente: “Temos dons que diferem de acordo com a graça que nos é dada: profetizam, em proporção à fé; ministério em ministrar; o professor, no ensino; o exortador, em exortação; o doador, em generosidade; o líder, em diligência; o compassivo, na alegria ”(Romanos 12: 6-8). A Igreja ensina que podemos receber “graças de estado especiais que acompanham o exercício das responsabilidades da vida cristã e dos ministérios da Igreja” (CIC, 2004, ênfase no original).

Portanto, devemos orar pelas graças (pedir por elas), estar abertos a recebê-las (aceitá-las) e agir de acordo com elas. O padre John Hardon ensinou que devemos orar pelas graças de que precisamos na mente e na vontade. Ele escreveu: “Na mente, estamos dizendo que precisamos reconhecer a vontade de Deus: para saber o que Deus quer e como Ele quer que façamos. Na vontade, estamos pedindo força não apenas para começar, mas a perseverança necessária para continuar fazendo o que Deus quer de nós.”

Graça na vida de Ir. Faustina

A Irmã Faustina orou para estar atenta à graça em sua vida espiritual. Ela também se esforçou para agir de acordo com as graças que lhe foram dadas. Ela queria, antes de tudo, agradar a Deus, fazendo sua parte para ajudar a santificar sua própria alma, bem como as almas dos outros. Isso de fato exigia graça. Esperava-se muito de Ir. Faustina, já que Deus lhe confiou a grande missão de espalhar a mensagem da Divina Misericórdia. A Irmã não tinha dúvida de que Deus a estava chamando de grande santidade.

Durante uma meditação, um dia, Deus deu a Ir. Faustina uma luz interior e um entendimento da santidade.

Ela escreveu o que aprendeu: “Nem graças, nem aparições, nem êxtases ou qualquer outro dom que lhe seja concedido tornam a alma perfeita, mas sim a união íntima com Deus. Esses dons são apenas o adorno da alma, mas não constituem a essência nem a perfeição. A minha santidade e perfeição consiste em uma estreita união da minha vontade com a vontade de Deus. Deus nunca força a nossa livre vontade. De nós depende se queremos aceitar a graça de Deus, ou não; se queremos colaborar com ela, ou desperdiçá-la.” (Diário, 1107).

Também podemos aprender com a iluminação interior da Ir. Faustina e fazer o possível para orar para nos unir a Deus. Devemos orar para entregar nossa vontade à do Senhor.

Uma vez, Ir. Faustina sofreu terrivelmente porque alguém espalhou boatos sobre ela. A Irmã ficou chateada por ter abusado da bondade dos outros. Mesmo magoada com isso, ela resolveu ficar quieta e não se defender. Com o passar do tempo, ela ainda se sentia chateada.

À medida que a situação piorava, Ir. Faustina foi a Jesus no Santíssimo Sacramento e derramou seu coração. “Jesus, peço-Vos a força da Vossa graça atual, porque sinto que não vou conseguir suportar esta luta. Protegei-me com o Vosso peito”. Imediatamente, Jesus falou com ela. ‘Não tema, Eu estou contigo’”. Uma paz extraordinária entrou no coração da Irmã quando ela saiu do altar. “Uma estranha força e paz inundaram a minha alma, e a tempestade que se desencadeou batia contra a minha alma como contra um rochedo, e a espuma da tempestade caiu sobre aqueles que a provocaram. Oh, como é bom o Senhor, que paga a cada um segundo suas obras…” Ela aconselhou: “Que toda alma peça para si a graça especial, visto que às vezes a graça habitual não é suficiente” (Diário, 1150).

O Catecismo se refere às graças reais como “intervenções de Deus, seja no início ou no curso da obra da santificação” (CIC, 2000). O padre Hardon definiu a graça real como “as iluminações transitórias da mente e as inspirações da vontade que nos permitem obter, reter ou crescer na graça santificadora”.

Devemos ser humildes o suficiente para orar e receber as graças de Deus. Certa vez, Jesus disse a Ir. Faustina que queria exaltar sua congregação muitas vezes, mas não conseguiu fazê-lo por causa de seu orgulho. Ele disse: “Minha filha, deves saber que não concedo as Minhas graças a almas orgulhosas, e até retiro aquelas que concedi” (Diário, 1170).

Algo a Ponderar

Discutimos a necessidade de graça em nossas vidas e a necessidade de oração humilde e amorosa, unindo nossas vontades à vontade de Deus.

Reserve um tempo durante a semana para refletir sobre a graça em sua própria vida. Você pede isso? Você desperdiça? Você deseja mais graça?

Lembre-se dos três como mencionei: peça, aceite e aja de acordo com as graças de Deus. Separe um tempo com Jesus no Santíssimo Sacramento, se possível, e peça-Lhe muitas graças (além da graça real) e força para seguir Sua santa vontade.

Uma ação misericordiosa

Surpreenda alguém nesta semana com uma bela ação inesperada de misericórdia. Além disso, ore por essa pessoa todos os dias desta semana. Durante todo o tempo, esteja atento às necessidades das pessoas que Deus colocará em sua vida nesta semana. Ofereça seus atos de misericórdia com amor. Faça acontecer!


ORAÇÃO DE MISERICÓRDIA

(Para ser rezado todos os dias desta semana.)

Querido Jesus Misericordioso, conceda-me as graças de que preciso para seguir Sua santa vontade. Nossa Senhora, por favor me ajude.
Santa Faustina, por favor, ore por mim. Jesus, eu confio em Vós!

Amém.


Fonte: Trecho do livro 52 semanas com Santa Faustina
de Donna-Marie Cooper O’Boyle, Marian Press, EUA.

Um comentário em “Exercício espiritual: As graças de Deus

  1. Eu tb necessito de uma graça especial: a de não ser contagiada pelo coronavirus. Tenho que cuidar de Minha Família. Oh, Jesus sede misericordioso comigo. Cuida de mim, Jesus. Eu necessito cuidar dos meus.

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