Audiência: misericórdia e justiça, amar o culpado para o salvar

Pope Francis hugs a sick or disabled person at the end of his general audience in St. Peter's Square at the Vatican, Wednesday, Nov. 20, 2013. At the end of the general audience Pope Francis dedicates a few minutes greeting sick or disabled people. (AP Photo/Gregorio Borgia)

Quarta-feira, dia 3 de fevereiro – na audiência geral o Papa Francisco continuou as suas catequeses sobre a misericórdia: Deus de misericórdia infinita, e Deus de justiça perfeita – como se conciliam estas duas coisas? – perguntou o Santo Padre.

Segundo o Papa Francisco não há uma contradição, pois é a misericórdia que leva ao cumprimento da verdadeira justiça. De facto, existe um tipo de justiça, a retributiva, que manda dar a cada um o que lhe é devido, que leva a condenar quem comete um delito. Contudo, não é uma justiça perfeita, pois não vence realmente o mal, apenas contém o seu avanço.

Na Bíblia – disse o Papa – aprendemos outro modo de fazer justiça. Não através da punição, mas do perdão que apela à consciência, para conduzir à conversão. O ofendido ama o culpado e quer salvá-lo. Este é um caminho difícil mas possível, por exemplo, como modo de resolução de conflitos na família:

“É este o modo de resolver os conflitos nas famílias, nas relações no casal ou entre pais e filhos onde o ofendido ama o culpado e deseja salvar a relação que o liga ao outro.”

“Certo, este é um caminho difícil. Exige que quem sofreu uma ofensa esteja pronto a perdoar e deseje a salvação e o bem de quem o ofendeu. Mas só assim a justiça pode triunfar, porque, se o culpado reconhece o mal feito e deixa de o fazer, eis que o mal já não existe e aquele que era injusto torna-se justo, porque perdoado e ajudado a reencontrar o caminho do bem.”

É assim que Deus age connosco, com o seu coração de Pai: a sua justiça é o seu perdão – ressaltou Francisco.  Em Jesus, a misericórdia fez-se carne e a verdadeira justiça alcançou a plenitude: fomos perdoados, chamamos a Deus de Pai e, por isso, devemos perdoar àqueles que nos ofendem como Ele nos perdoou.

No final da sua catequese o Santo Padre dirigiu uma palavra para os sacerdotes que acolhem os fiéis em confissão, recomendando-lhes que o devem fazer com um coração de Pai.

O Papa Francisco saudou também os peregrinos de língua portuguesa:

“Saúdo cordialmente todos os peregrinos de língua portuguesa. Queridos amigos, devemos deixar para trás o nosso pobre conceito de justiça e abrir o nosso coração à infinita misericórdia de Deus, que nunca se cansa de nos perdoar, para que possamos buscar a reconciliação com todos, começando pelos nossos familiares. Que Deus vos abençoe.”

No final da audiência houve uma exibição de acrobacias e malabarismos dos artistas do “American Circus” e o Santo Padre agradeceu-lhes o seu exemplo de persistência no treino quotidiano.

O Papa Francisco a todos deu a sua benção.

Fonte: Radio Vaticana

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