Para Arcebispo de Belo Horizonte, a política brasileira vive situação de caos baseada na idolatria do dinheiro

Arcebispo de Belo Horizonte (MG), Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte (MG), Dom Walmor Oliveira de Azevedo

A negação da primazia do ser humano e a idolatria do dinheiro estão na base de uma situação de caos que perpassa a política brasileira, conforme assinalou o Arcebispo de Belo Horizonte (MG), Dom Walmor Oliveira de Azevedo em recente artigo, intitulado “Trevas cobriam o abismo”.

Ao fazer uma comparação com o início do Livro do Gênesis – o qual narra: “A terra estava deserta e vazia, as trevas cobriam o abismo…” –, Dom Walmor Oliveira de Azevedo constata que a política partidária do Brasil “instalou incontestavelmente o caos na sociedade”.

“Não paira, absolutamente, o Espírito de Deus no mundo da política”, afirma o Prelado.

“A lista de desmandos, escolhas absurdas, interesseiras e manipulações é interminável”, enumera o Arcebispo, recordando que se comenta, “em muitas esferas da sociedade, sobre a expectativa do surgimento de um líder político capaz de gerar agregação e apontar novas direções”. Porém, assinala, “isso parece ser difícil de ocorrer, justamente pelo atual cenário vivido pela política partidária”.

Dom Walmor relembra “as palavras do Papa Francisco, na sua Exortação Apostólica Alegria do Evangelho, quando se refere à nova idolatria do dinheiro”. De acordo com o Prelado, “o caos vem dessa idolatria”.

“O Papa Francisco afirma que ‘uma das causas desta situação está na relação estabelecida com o dinheiro porque aceitamos pacificamente o seu domínio sobre nós e nossas sociedades’. Essa verdade explica os desajustes no tecido
da cultura, que delineia a identidade da sociedade e influencia suas direções”, declara.

Para o Arcebispo, “o Papa Francisco oferece a chave de interpretação desse caos instalado que produz, por exemplo, a crise financeira”, ao mostrar que “a base da desordem é a negação da primazia do ser humano”.

“O desejo de ocupar cargos públicos – observa Dom Walmor – não vem acompanhado do sentido cidadão mais profundo de ajudar decisivamente na construção de uma sociedade solidária e justa”.

Ele analisa que se trata “de interesse doentio pelo dinheiro, para alimentar ilusórias sensações de poder e segurança. Uma ambição que produz essa economia sem rosto e sem um objetivo verdadeiramente humano”.

“A idolatria do dinheiro – alerta o Arcebispo – é perigosa, gera ilusões e desgasta o mais nobre sentido da política, que é promover o bem comum”.

Foto: Facebook Dom Antonio Carlos Rossi Keller
Foto: Facebook Dom Antonio Carlos Rossi Keller

Este cenário de caos, assinala Dom Walmor, requer uma luz que brilhe “para iluminar essas trevas”. “E de onde ela pode vir?”, questiona, respondendo em seguida: “Em primeiro lugar, da corresponsabilidade e seriedade cidadã de cada indivíduo. Sistemicamente, essa luz pode e precisa brilhar com o fortalecimento, em seriedade e audácia, dos diferentes segmentos da sociedade – empresarial, religioso, judiciário, acadêmico e intelectual, artístico e outros mais”.

“Que venha de todas as pessoas e grupos, pelo compromisso com o bem, a justiça e a verdade, essa a luz que tem a força para resgatar o país do caos”, conclui.

Fonte: Acidigital

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