“Para receber a Comunhão, meus pais viveram como irmãos por 25 anos”

Continência no casamento, “viver como irmão e irmã”: o caminho que a Igreja sempre indicou aos casais que vivem em segunda união – o qual, para algumas pessoas hoje, soa uma proposta “irrealista” e quase absurda – foi justamente a solução que Peter e Anne Stravinskas encontraram, a fim de conformarem suas vidas à vontade de Deus e estarem aptos para receber a Sagrada Comunhão.

Em uma entrevista exclusiva, o filho único do casal, o padre Peter Stravinskas, contou ao LifeSiteNews.com a história da decisão de seus pais. O sacerdote, fundador da Priestly Society of the Blessed John Henry Newman, é um respeitado estudioso, autor e apologista católico.

Foi na década de 1940 que o primeiro matrimônio de Peter chegou ao fundo do poço e terminou com a sua esposa o abandonando. Apesar de saber que um novo casamento o distanciaria de Deus e da Igreja – Peter não só era católico, como apreciava a leitura de G. K. Chesterton e John Henry Newman –, ele casou-se no civil com Anne, que, à época, era uma espécie de católica não praticante. Quando Peter Jr. nasceu, em 1950, o casal decidiu colocá-lo em uma escola católica.

Durante o seu segundo ano de preparação para receber os sacramentos da Confissão e da Comunhão, a vida de fé dos Stravinskas recebeu um impulso inesperado. O padre conta como aconteceu:

“Cheguei em casa da escola um dia e disse: ‘Mãe, eu te amo muito’. ‘Eu também te amo’, ela respondeu. ‘Mãe, quando eu morrer, quero ir para o Céu!’ ‘É claro, todos nós queremos’, ela disse. ‘Bem, nós temos um problema. Se eu morrer e for para o Céu, e você e o papai não estiverem lá, continuará sendo Céu?’ ‘Ué, por que papai e eu não estaríamos lá?’ ‘Porque a irmã Rita Gertrude disse hoje na aula que pessoas que não vão à Missa no Domingo vão ao inferno quando morrem’.”

O padre conta que sua mãe imediatamente encerrou a conversa, mandando que ele fosse tomar o seu leite e comer os seus cookies.

Mais tarde, naquela noite, quando o pai do padre voltou do trabalho, Peter Jr. foi mandado para o seu quarto, enquanto os seus pais discutiam sobre a conversa que fôra mantida mais cedo. Peter lembra bem as palavras que ele ouviu enquanto se escondia atrás da porta:

“‘Temos um problema com o nosso filho’, disse a mãe. ‘O que é?’, perguntou o pai. ‘Aquela irmã louca da escola está nos causando problema. Ela disse ao Peter hoje que nós vamos ao inferno porque não vamos à Missa aos domingos’. ‘Bem, o que você esperava que ela dissesse?’ ‘Quando for a escola amanhã para ajudar com o trabalho voluntário, vou mandá-la cuidar da própria vida e ficar fora da nossa casa.’ ‘Bem, você pode fazer isso – ele replicou. Só não sei se vai servir para alguma coisa’.”

Depois disso, Peter lembra de uma breve pausa antes de ouvir seu pai acrescentar: “Eu acho que há provavelmente uma solução mais simples. Talvez seria mais fácil para nós começarmos a ir à Missa aos domingos. Assim, convenceríamos a irmã de que não iremos para o inferno.”

No domingo seguinte, toda a família Stravinskas assistia à Missa unida, pela primeira vez.

O que começou a incomodar Anne foi o fato de que, no momento da Missa em que as pessoas iam receber a Sagrada Comunhão, ela não estava apta a participar. Mesmo desejando receber Jesus, ela sabia que viver com um homem que, aos olhos da Igreja, era casado com uma outra mulher, a impedia de receber Jesus em sua alma.

O padre Stravinskas lembra de ouvir a sua mãe dizer uma vez: “Eu não sei por que vou à Missa afinal, se eu não posso receber a Sagrada Comunhão.”

O casal eventualmente trouxe essa dificuldade para o pároco da sua comunidade. Ele disse aos dois que uma maneira de proceder seria pedir às autoridades da Igreja em Roma que examinassem a primeira união de Peter, para determinar se ela realmente havia existido. Se o matrimônio fosse declarado inválido, Peter e Anne estariam livres para casar e ajustar o seu relacionamento aos olhos de Deus e da Igreja, pavimentando o caminho para que eles pudessem receber a Comunhão.

Mas o padre os advertiu também que o processo de nulidade não só era demorado, como custava caro.

O bom padre, então, apresentou ao casal uma solução muito mais simples. “Ele disse que a solução mais fácil para que eles participassem integralmente na fé católica seria abster-se de relações e viver como irmão e irmã”.

“Daquele momento em diante, foi o que eles fizeram”, relata Peter.

Foi só nos seus anos de colégio, discutindo com o seu pai sobre a doutrina católica em relação ao matrimônio, que o padre Stravinskas descobriu a verdade sobre a decisão de seus pais. “Bem, é verdade, situações irregulares acontecem”, disse-lhe o seu pai. “Mas, para sermos fiéis a Cristo, sua mãe e eu temos vivido como irmão e irmã por 10 anos até agora.”

“E eles viveram assim até o fim do seu matrimônio”, conta o padre. Peter faleceu em 1983, com 71 anos. Anne viveu até os 87, morrendo em 2005.

Comentando os debates sobre o tema, levantados por conta do recém-concluído Sínodo para as Famílias, o padre Stravinskas alertou para o perigo de que se introduza um pensamento mundano dentro da Igreja, como uma espécie de “cavalo de troia”. “Se é verdade que uma pessoa permanece ligada ao seu cônjuge, ainda que o seu matrimônio fracasse, isso significa que qualquer atividade sexual subsequente em que a pessoa se envolva é pecado de adultério. Foi o que Jesus disse nos Evangelhos”, ele diz.

Segundo o padre, quem discorda desse ensinamento tem um problema com Deus, não com a Igreja:

“Quando as pessoas me dizem que não aceitam a doutrina da Igreja sobre o divórcio e as novas uniões, eu digo a elas: ‘Vamos fazer a sua afirmação mais precisa. O que você está realmente dizendo é que você não aceita o ensinamento da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade sobre esse assunto’. (…) Esse ensinamento sobre o divórcio e as novas uniões não compete à Igreja mudar. Vem do próprio Deus. A Igreja levou tão a sério essa doutrina que chegou a perder toda a Igreja na Inglaterra nos anos 1530, por causa da sua fé na indissolubilidade do matrimônio.”

O padre Stravinskas também explica por que é gravemente errado para católicos divorciados em segunda união se apresentarem para receber a Sagrada Comunhão. “É o pecado do sacrilégio. Aproximar-se indignamente do mais santo dos Sacramentos. São Paulo é muito claro sobre isso em sua Epístola aos Coríntios. Ele diz que uma pessoa deve examinar a si mesmo antes e, se não estiver preparada, não deve receber o corpo e sangue do Senhor. Se ele o faz – e aqui está a pena – ele come e bebe a própria condenação”, afirma.

O testemunho da família Stravinskas é bastante pertinente: mostra como, mesmo sendo difícil, a castidade é acessível a todos, por mais difícil que seja a sua situação. Sustentar o contrário, diz o padre Peter, “desonra os meus pais e milhares de outros casais que, como eles, decidiram pôr a sua confiança de seguir adiante na graça de Deus. Nossa fé nos ensina que Deus dá a todos a graça para evitar o pecado. As pessoas vivem isso.”

fonte: LifeSiteNews.com

Um comentário em ““Para receber a Comunhão, meus pais viveram como irmãos por 25 anos”

  1. Fiquei muitíssimo feliz, a ponto de desatar a chorar, ao ver a história desse casal Peter e Anne Stravinskas. Constitui grande testemunho de fidelidade ao ensinamento de Cristo.Eles escolheram acatar à corajosa proposta do padre John Henry Newman – se esse padre tivesse algum resto, por pouco que fosse, de espírito mundano dentro dele, nunca que ele iria dar uma solução dessas ao casal de segunda união citado acima – de viverem o relacionamento sem relações conjugais. Esse fato para mim é muitíssimo edificante e tem o poder de me curar e libertar do espírito hedonista que diz que sou feliz enquanto o relacionamento está me dando prazer. Esse mesmo espírito me diz que, se porventura, tal relacionamento já não mais me dar prazer, devo cair fora, porque preciso ser feliz. Devo declarar que esse espírito que me diz essas coisas é satânico, mentiroso !!! Tenho 53 anos, e sou solteiro, a minha doença espiritual é justamente essa :- Ponho o dom da sexualidade como FIM na minha vida, sendo que esse dom, assim, como os outros inúmeros dons que Deus nos deu, movido pela sua inconcebível misericórdia por cada um de nós, são meios para chegarmos ao nosso devido FIM, que também foi o nosso INÍCIO:- o AMOR. Preciso aprender uma coisa e isso exige uma conversão de minha parte:- “VIEMOS DO AMOR ESTAMOS INDO PARA O AMOR.” Amém, aleluia!!!

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