57 anos da presença dos Padres Marianos no Brasil

A Congregação dos Padres Marianos foi fundada pelo Padre Estanislau Papczyński, na Polônia em 1670. Mas a missão no Brasil teve início apenas na década de 1960.

A missão dos Marianos no Brasil é fruto da Providência Divina que se manifestou durante o Concílio Vaticano II (1962-1965).

Esta vontade de Deus fez com que duas cadeiras vizinhas nas sessões do Concílio fossem ocupadas pelo Bispo Ceslau Sipovicz, Superior Geral dos Marianos, e pelo Bispo D. José Brandão de Castro da diocese de Propriá (Sergipe). Durante as amigáveis conversas, Dom José pedia que o Superior Geral dos Marianos enviasse alguns padres para ajudar no trabalho pastoral na sua diocese. A recém-criada diocese de Propriá, que se encontrava numa situação crítica por causa da escassez de padres.

O pedido do Bispo brasileiro foi reforçado pelos pedidos do Papa João XXIII, que solicitava padres para servirem como missionários em países sul-americanos, pois estes careciam muito.

Os Marianos poloneses prontamente zarparam para servir nas paróquias brasileiras. Assim, enquanto a província polonesa enviava os missionários, a americana daria o suporte financeiro.

Chegaram em 31 de julho de 1964

Foto: (da esquerda para a direita) Pe. João Szurek, Pe. Henrique Tomaszewski, Pe. José Sielski e, no centro, o bispo de Propriá, D. José Brandão de Castro. (Arquivo Provincial)

Foram enviados ao nordeste brasileiro os padres Marianos José Sielski (logo voltaria a Roma e seria eleito Superior Geral) e João Szurek, que no início de jul/1964 desembarcam em Recife (PE). Tendo resolvido as primeiras formalidades, conseguiram um carro (Jeep) e foram à paróquia da cidade de Nossa Senhora da Glória (SE), territorialmente grande, mas com 32 mil habitantes, para assumir os trabalhos pastorais. Chegam lá em 31 de julho de 1964, sendo calorosamente acolhidos pelo Bispo local e pelo povo. Era o início da Missão no Brasil.

O futuro da missão se apresentava próspero, pois, em seguida (out/64) vieram o Padre Adão Bartkowski (de Balsamão) e o Irmão Roberto Doyle (dos EUA), e depois (fim de 1965) o Padre Henrique Tomaszewski, formando-se a primeira equipe da missão, que em março de 1966 recebeu a primeira visita canônica do Superior Geral. Neste tempo, um Redentorista colaborava com os Marianos, o Pe. Gregório. Três meses depois chegou ao Brasil o Padre Boleslau Jakimowicz.

Primeiro missionário Mariano

Podemos afirmar que o mencionado Pe. João Szurek (+1978) foi, efetivamente, o primeiro missionário Mariano no Brasil. Residira por 10 anos em Portugal, e desse modo pode aprender a língua portuguesa. No início dos anos 60 pediu aos superiores que o enviassem para outro lugar. Era o Senhor preparando os caminhos dos Marianos para uma nova missão.

Em seus trabalhos na primeira paróquia Mariana (Nossa Senhora da Glória), junto com o Pe. Sielski, no início, chegavam a batizar 60-80 crianças por domingo (cf. Bukowicz-Górski (dir.), Marianos. 1673-1973, Congregação dos Padres Marianos, Curitiba, 2002, pp. 299-304). Ele, na realidade, era membro da Província de Santo Estanislau, nos EUA. Viveu 70 anos, 51 de vida religiosa e 40 de sacerdócio. Faleceu repentinamente do coração viajando de carro.

O Padre João Szurek é lembrado no local com o nome de uma das ruas, de ginásios e escolas lá existentes. A presença dos Marianos que passaram por lá (inclusive do Pe. Jan Glica, posteriormente) é ainda viva na memória de algumas pessoas.

Em janeiro de 1969, os Marianos deixaram definitivamente a cidade de Nossa Senhora da Glória. Assim terminou a primeira etapa da Missão no nordeste do Brasil. Deste tempo em diante, o centro da Missão dos Marianos passou a ser a região sul, especialmente Curitiba.

Marianos em Curitiba

Depois da Missão no Nordeste, o Senhor ofereceu aos Marianos a cidade de Curitiba-PR, onde o Arcebispo Dom Manoel da Silveira d’Elboux fez a proposta de abrir uma nova paróquia na periferia de Curitiba.

Arquivo Paróquia de São Jorge

Em 06/06/1967, o Pe. Jakimovicz assumiu a Paróquia de São Jorge, bairro Portão, à qual os Marianos sempre estariam unidos a partir desta data, tornando-se uma espécie de cartão de visitas do apostolado mariano em território brasileiro. O Pe. Jakimovicz recebe como seu ajudante o Irmão Antônio dos Reis Fernandes, de Balsamão (Portugal).

Os Marianos foram instalados numa casa junto à Igreja de São Jorge. E no ano de 1974 a casa foi substituída por um novo prédio, que se tornou a sede oficial da Congregação no Brasil – obra do Pe. Jan Glica, que foi abençoada por Dom Pedro Fedalto, Bispo Metropolitano.

A comunidade e a Missão cresciam de um ano para outro. Aumentava o número de novos missionários, padres vindos da Polônia, e ampliava-se o campo de atuação pastoral.

Novas Paróquias

No período de 1968-1972 chegaram ao Brasil 6 novos padres, e entre os anos de 1977-1981, mais 6 missionários. Este novo “reforço humano” permitiu assumir 6 novas paróquias (14/09/1969: S. Família, Curitiba; out/1969: Adrianópolis-Ribeira, PR-SP; 1969: Jaguariaíva, PR – deixada em 1984; 1972: Mongaguá, SP; 1981: Manoel Ribas, Turvo e S. Rafael em Curitiba, PR).

Em 1989 os Marianos abrem definitivamente uma casa no Rio de Janeiro, aumentando mais o seu raio de evangelização. Cinco anos depois, em 1994, iniciam os trabalhos em seu primeiro santuário no Brasil, o Santuário da Divina Misericórdia, em Curitiba. Em 1997 assumem também o Santuário de Nossa Senhora da Salete, em Manoel Ribas.


Padre André Krzymyczek

Padre André Krzymyczek e Jan Glica

Neste mesmo período, os Marianos começaram a pensar mais na organização interna da sua Missão. Em 1975 o Padre André Krzymyczek recebeu a nomeação de Superior regional dos Marianos no Brasil. Não tendo suficientes condições para formar uma província autônoma (poucos membros e falta de recursos materiais), surgiu em 1981 a unidade administrativa chamada de Vicariato. O Superior do Vicariato é delegado do Superior Geral com a jurisdição semelhante à do Superior Provincial. Muita gente não sabe, mas o primeiro superior (delegado) foi o Pe. André Krzymyczek, que contava com 2 conselheiros: + Pe. Teófilo e + Pe. Zenon, sendo o Ecônomo o + Pe. Henrique Tomaszewski (foram sepultados no cemitério mariano no Santuário da Divina Misericórdia, juntamente com o Pe. Esblain Pereira Marcondes e Henrique Utykanski).

Exortados pelos superiores a pensar na futura autonomia do Vicariato, não dependendo sempre da “importação dos padres” da Província Polonesa, foi decidido, a partir de 1975, dar preferência à pastoral vocacional e formação de candidatos.


Formação de Marianos brasileiros

Em 02/11/1977 os Marianos puderam acolher 2 candidatos no Postulado e em 24/12 do mesmo ano iniciaram o Noviciado.

O primeiro mariano ordenado no Brasil foi o Padre Ruperto Kubranowicz, oriundo da Inglaterra. Foi ordenado em 29/06/1972, e destinado a trabalhar em Mongaguá-SP.

Em jan/1975, Padre Luiz Grudznski, natural de Curitiba, faz o noviciado em Portugal, e foi ordenado em 10/02/1985. O Padre Luiz foi o primeiro brasileiro nato a professar Congregação dos Padres Marianos.

Merece ainda menção o 2° padre mariano brasileiro, Padre Esblain Pereira Marcondes, natural de S. José da Boa Vista (PR). Morreu em 22/01/1995 (após celebrar a Santa Missa), após 6 anos de incansável trabalho sacerdotal e religioso, sobretudo com o Seminário menor.

Em 1995, o Superior Geral, Pe. Adam Boniecki, propôs que se começasse a pensar na possibilidade do Vicariato tornar-se Província.

A ideia ganhou força entre os membros, que acreditaram ser possível concretizá-la antes do Capítulo Geral de 1999. Animava a todos o fato de a comunidade contar com 11 professos perpétuos (incluindo padres) de origem brasileira.

Na Visitação Geral de set/1997, após uma votação favorável, o Superior Geral aprovou a proposta, de modo que a Província Brasileira sob o título da Divina Misericórdia se tornou a 7ª Província da Congregação dos Padres Marianos no mundo no dia 8 de setembro de 1998.

Em seu nome ― Província Brasileira da Divina Misericórdia ― há oficialmente a evidência da intrínseca relação dos Marianos com a propagação da devoção à Divina Misericórdia, dimensão integrante do seu carisma.

A Província Brasileira da Congregação é localizada no bairro Portão, em Curitiba-PR.


Província Brasileira da Divina Misericórdia

Em 2005 o missionário Padre Mario Janiszewski chegou ao Brasil para atuar na formação (sendo enviado para as Filipinas em 2009). Naquele mesmo ano um brasileiro assume pela 1ª vez a função de Superior Provincial, o Pe. Jair Batista de Souza.

No momento a Congregação conta com padres que atuam de forma direta na ação pastoral e evangelizadora em 10 paróquias, no Sul, Sudeste e Nordeste do país. São elas Paróquia Nossa Senhora Aparecida, Turvo-PR; Paróquia Nossa Senhora da Salette, Manoel Ribas-PR; Paróquia Santo Antônio, Manoel Ribas-PR; Paróquia Sagrada Família, Curitiba-PR; Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, Adrianópolis-PR; Paróquia São Jorge, Curitiba-PR; Paróquia-Santuário da Divina Misericórdia, Curitiba-PR; Paróquia Nossa Senhora Aparecida, Mongaguá-SP; Paróquia São Sebastião, Rio de Janeiro-RJ; Paróquia Imaculada Conceição, Crateús-CE.

Nestas paróquias, inspirados na espiritualidade do Padre Fundador Santo Estanislau de Jesus e Maria Papczyński e no lema do Padre Renovador Bem-Aventurado Bispo Jorge Matulaitis-Matulewicz: “Por Cristo e pela Igreja”, procuram ser presença evangelizadora na obediência ao magistério eclesial e às necessidades do tempo atual.

Louvamos ao Deus rico em misericórdia por todos aqueles que ao longo de quase meio século fizeram história na Congregação! Que o lema do Padre Renovador possa inspirar sempre mais cada Mariano a seguir sua vocação e missão.

Paróquias atuais

Curitiba – Santuário da Divina Misericórdia

Atual Conselho Provincial

Padre Jair Batista Souza, MIC
Provincial

Padre Claudio G. dos Santos, MIC
Vice Provincial e I Conselheiro

Padre Jan Bacal, MIC
II Conselheiro

Padre Edilson Rodrigues de Medeiros, MIC
III Conselheiro

Padre Silvio Rodrigues Roberto, MIC
IV Conselheiro


Com informações do Padre Jonas Eduardo.

Um comentário em “57 anos da presença dos Padres Marianos no Brasil

  1. Que orgulho ter participado da história da Congregação Mariana no Brasil, foi seminarista no seminário menor de Manoel Ribas. Obrigado a todos os religiosos da congregação Mariana pelos ensinamentos.

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