20º Congresso: Sétima Palestra – Padre Ednilson de Jesus, MIC

 

20º Congresso Nacional da Divina Misericórdia

“A Misericórdia Divina no Mistério da Redenção”

 

A sétima palestra do 20º Congresso Nacional da Divina Misericórdia foi ministrada pelo Padre Ednilson de Jesus, MIC. O sacerdote resumiu em sete pontos principais o que o Padre Miguel traz na última seção do seu livro, sobre a Ressurreição de Nosso Senhor.

Primeiro ponto

O primeiro destaque do Padre Ednilson foi sobre a Solenidade acima de todas as Solenidades. A ressureição é a solenidade de todas as solenidades, porque Cristo ressuscitou como havia dito, Ele está vivo no meio de nós.

Segundo Miguel Sopocko, a ressurreição é a garantia da nossa vitória – destacou o Padre Ednilson, que também afirmou que tudo àquilo que Jesus ensinou, pregou e mostrou durante a sua vida, sobretudo os três últimos anos da sua missão, tem como coroação a sua Ressurreição.

Se Jesus não tivesse ressuscitado, diz o Padre Miguel Sopocko, tudo seria em vão. “Vã seria a nossa pregação, vã seria a nossa fé, porque tudo o que Jesus ensinou foi para esse momento. Jesus se encarnou para ressuscitar”, destacou o palestrante.

Assim, objetivo único da nossa existência neste mundo é ressuscitarmos também um dia.

Então, o Padre Ednilson chamou a atenção para a ressurreição em toda a forma de morte, seja física ou espiritual. E, explicou que tudo o que leva à morte do corpo ou do espírito, a reposta é a ressurreição de Cristo.

Diz Sopocko que à luz da ressurreição de Cristo todo sofrimento, desanimo, tristeza cria sentido. Para um cristão que verdadeiramente crê na ressurreição, tudo o que se tem que enfrentar ganha sentido na vida.

Um cristão de verdade não fica na cruz, pois a cruz é apenas um indicativo do que vem depois. “A cruz é o anúncio de uma vida nova, que é a ressurreição de Jesus”, explicou o Padre Ednilson, e citou: “A essência da ressurreição consiste na passagem à vida glorificada, inteiramente nova e admirável”, (pág. 332).

Essa vida nova — explicou, é uma vida que não depende mais de nenhuma limitação humana. Não existem mais barreiras humanas que possam impedir a vida nova do corpo glorioso que Jesus mostra aos seus discípulos e hoje a nós. “É um corpo totalmente novo para o qual somos chamados a desde já alimentarmos a esperança de termos um dia. Não é só um corpo de luz. É um corpo verdadeiramente humano e glorioso e totalmente dominado pela alma – que Cristo, vivo e ressuscitado, garantiu para cada um de nós”.

E é isso o que o autor Miguel Sopocko quer mostrar ao longo de toda a sua reflexão: que a vitória de Cristo na ressurreição já é a nossa vitória – explicou o palestrante.

Assim, a essência da ressurreição de Cristo consiste na certeza de que teremos uma vida nova, a partir de tudo o que acreditarmos enquanto vivemos.

 

Segundo ponto

O segundo destaque da palestra foi sobre a manifestação do que Cristo revela como ressuscitado, pois, é preciso anunciar a ressurreição.

O Padre Sopocko fala que a revelação da ressurreição de Jesus aconteceu primeiramente aos Seus inimigos. Esta revelação aconteceu através dos anjos aos soldados dos fariseus, mas esses não acreditaram. “Os primeiros que poderiam se banhar na misericórdia do Senhor preferiram forjar o roubo do corpo de Cristo do que acolher a verdade, pecando contra o Espírito Santo”, contou o palestrante.

Induzidos a mentir, os soldados tiveram que “anunciar que os discípulos roubaram o corpo de Jesus Cristo enquanto eles dormiam. Tal procedimento dos sacerdotes judeus já não era somente uma simples descrença, mas uma verdadeira desonestidade e perversidade. (…) como relata o Evangelista − essa versão ficou divulgada entre os judeus, até o presente dia (Mt 28,15)”, (pág. 346).

 

Terceiro ponto:

Maria sabia que Jesus reviveria e com essa fé aguardava para aquele momento.

“Para uma pessoa que crê, nenhuma prova é necessária. Basta uma palavra. E Maria era assim, uma palavra de Jesus era suficiente”, explicou o Padre Ednilson sobre os argumentos do bem-aventurado Miguel Sopocko.

O palestrante também afirmou que Nossa Senhora é modelo para aprendermos a nos relacionarmos com Deus de uma maneira reservada, profunda e eficaz.

Maria Santíssima foi a primeira pessoa que viu Jesus ressuscitado, e a ninguém Jesus se mostrou tão belo e pleno de glória.

O Padre Ednilson observou com contentamento que “Jesus nasceu de Maria sem corrompê-la e também saiu do sepulcro sem precisar romper a pedra. Este é o sinal de que pelos braços da mãe Jesus veio ao mundo, e também pelos braços da mãe Ele retornou ressuscitado, para depois se apresentar às demais pessoas.”

 

Quarto ponto

Este destaque escolhido pelo palestrante é sobre Maria Madalena, devido a uma particularidade, conforme ele explicou.

Tomada de dor e profundo amor ao pensar que haviam roubado o corpo de Cristo, Maria Madalena chora. E, pensando conversar com o jardineiro, ela diz: “Senhor, se foste tu que o levaste, dize-me onde o colocaste, e eu irei buscá-lo”.

O Padre Ednilson chamou a atenção para o fato de Maria Madalena não dizer o nome de Jesus, quando outros haviam morrido também. Isso acontece, segundo o Padre, porque Maria Madalena só pensa em Jesus, em seu pensamento e coração só havia Jesus.

“A busca de Maria Madalena é um convite para verdadeiramente desejarmos o Senhor ressuscitado em todos os momentos da nossa vida. É como se Madalena dissesse: ‘Como você pode não pensar em Jesus?’. Madalena estava buscando Àquele que um dia trouxe a paz que ela tanto buscava, o mesmo que nós buscamos”, sinalizou o palestrante.

O Padre Ednilson apontou ainda que a ressurreição também acontece espiritualmente, pois, uma pessoa que teve uma experiência com Jesus e foi marcada, basta ouvir a Sua voz no interior do coração para identificá-Lo.

Como diz o Evangelho de São João: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz, eu as conheço e elas me seguem”, Jo 10,27.

 

Quinto Ponto

Outro destaque do Padre Ednilson foi sobre a instituição do sacramento da Penitência; quando Jesus entra no cenáculo e sopra o Espírito Santo sobre os apóstolos e diz: os pecados que vocês perdoarem Eu perdoo; e os que vocês retiverem, Eu retenho.

Explicou o Padre que uma forma de ressurreição ainda em vida é o sacramento da penitência, e para exemplificar, traz as anotações de Santa Faustina, no número 1448 do Diário:

Diz às almas onde devem procurar consolos, isto é, no tribunal da misericórdia, onde continuo a realizar os Meus maiores prodígios, que se repetem sem cessar. Para obtê-los, não é necessário empreender longas peregrinações, nem realizar solenes ritos exteriores, mas basta aproximar-se com fé dos pés do Meu representante e confessar-lhe a própria miséria; o milagre da misericórdia divina se manifestará em toda a plenitude. Ainda que a alma esteja em decomposição como um cadáver, e ainda que humanamente já não haja possibilidade de restauração, e tudo já esteja perdido — Deus não vê as coisas dessa maneira; um milagre da misericórdia divina fará ressurgir aquela alma para uma vida plena. Ó infelizes, que não aproveitais esse milagre da misericórdia de Deus! Clamareis em vão, pois já será tarde demais”, (palavras de Jesus à Santa Faustina).

 

 

Sexto ponto

O sexto destaque do Padre Ednilson foi sobre o ato voluntário de Jesus.

Assim como a encarnação de Cristo foi uma decisão livre de Nosso Senhor, ressuscitar também foi uma decisão livre; Ele ressuscitou por suas próprias forças.

Dando sentido ao Seu sofrimento — de acordo com o Padre Edsilson, as chagas de Jesus são para lembrar que quando Ele assumiu a nossa realidade humana foi livremente e espontaneamente. Quis se encarnar e ressuscitar por nós.

 

Sétimo ponto

Encerrando a sua formação, o palestrante destacou as últimas palavras de Jesus registradas no Evangelho.

Na página 400 do livro A Misericórdia de Deus em Suas obras – vol. 2, o Padre Miguel Sopocko cita:

“Vós sois as testemunhas destas coisas. Eu enviarei sobre vós o que meu Pai prometeu. Por isso, permanecei na cidade até que sejais revestidos da força do alto (Lc 24,48-49)”.


E, por fim, os seguintes questionamentos foram deixados por Padre Ednilson:


Como temos vivido esta frase de Jesus? Tenho sido testemunha Dele neste mundo, independente da nossa vocação?


Proclamar o fim do que é mundano é muito mais do que decretar a falência do pecado e a separação do joio e do trigo.
Proclamar o fim do que é mundano é levar as pessoas a se apaixonarem por Jesus e pela Salvação. É ter o que Madalena tinha por Jesus: o Senhor sempre presente no coração, na mente e na alma.


Quantas pessoas você conhece que são apaixonadas pela ressurreição, pela salvação? Para se salvar é preciso mais do que ter a doutrina católica na ponta da língua, mais do que conhecer os ensinamentos da Igreja. Para salvar-se é preciso ter a mente voltada para a eternidade, como diz o Padre Sopocko em seus escritos, na página 331:

 

“Misericordiosíssimo Salvador, ideal da mais sublime beleza, e ao mesmo tempo o mais perfeito modelo do nosso ser! Tu foste o primeiro a sentir em Teu corpo o deleite da eterna felicidade. Eu Te saúdo, nosso ressuscitado Irmão primogênito! Nós também ansiamos por uma vida glorificada, por um corpo espiritualizado, por formas exteriores espiritualizadas. Desejamos vivenciar a Páscoa, queremos conquistar para a nossa alma a vitória sobre os estímulos inferiores do nosso corpo e alcançar a imortalidade feliz”. Amém.

 

 

 


Saiba mais sobre as outras palestras, abaixo:

 

20º Congresso: Primeira Palestra – Padre Jair Batista, MIC

20º Congresso: Segunda Palestra  – Padre Claudio Santos, MIC

20º Congresso: Terceira Palestra – Irmã Glória Obzut, zsjm

20º Congresso: Quarta Palestra  – Irmã Jacinta Motorna, zsjm

20º Congresso: Quinta Palestra – Padre Eli Carlos A. de Souza, MIC

20º Congresso: Sexta Palestra – Padre Francisco Anchieta, MIC